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Mostrando postagens de novembro, 2025

UM CONTO DE NATAL

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Era véspera de Natal. Não havia uma lareira porque, diferentemente dos filmes de Hollywood, por aqui não era inverno – e, pelo mesmo motivo, infelizmente também não havia boneco de neve, nem aqueles moletons... mas, pelo menos, tinham os cookies que, diga-se de passagem, estavam saindo do forno com um cheiro delicioso! A TV estava ligada pois as crianças não queriam perder os desenhos animados natalinos (uma das melhores coisas dessa época do ano!). O panetone já estava pela metade, e o peru devidamente temperado para a ceia. Era uma noite feliz, como dizia a clássica canção. A sensação de acordar numa manhã de Natal era como um gostinho do que virá a ser o Céu, e não é à toa que C.S. Lewis retratou o Papai Noel em "As Crônicas de Nárnia". Perto da árvore de Natal, que estava exuberante com os enfeites, pisca-pisca e recheada de presentes aos pés, havia um senhor sentado numa cadeira de balanço. Seu olhar sereno brilhava estranhamente... mas "estranho" no bom sentid...

ABRAÃO VIU JESUS

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Sabe quando você está assistindo a um filme e de repente as peças se encaixam e tudo faz sentido? Quase que dá pra soltar um "eureka"! A Bíblia tem vários desses momentos. O episódio em que Abraão se vê na situação de abrir mão do filho da promessa já é, por si só, impactante. Imagina só um pai sacrificar o próprio filho! E Isaque era fruto de duras penas: Abraão e Sara já estavam com idade avançada, desacreditados de que poderiam ter um filho em seus braços, tanto que Sara riu quando se deparou com essa possibilidade. Deus fez. E seria através de Isaque que o Senhor cumpriria suas promessas para Abraão. Eis que, num belo dia, Abraão esta subindo o Monte Moriá para dar fim a essa história. Porém, chegando lá, um anjo aponta para o altar no qual um cordeiro encontra-se amarrado. E aí ocorre a primeira menção da característica provedora de Deus: "Yahweh Yireh". Mas há algo a mais... aleluia! O anjo não apenas aponta para o cordeiro no presente, mas também para o Corde...

EM MEIO AOS VALES E TEMPESTADES, ELE ESTÁ CONOSCO...

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No célebre Salmo 23, o autor atemporal declara: "Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam." Não está sendo dito que Deus impedirá os vales da sombra da morte que esta vida nos reserva. Jesus já nos advertiu que no mundo teríamos aflições. Mas o segredo dessa passagem está aqui: "Não temeria mal algum... porque tu estás comigo". Conforme bem destacou Rubem Alves, as ovelhas dormem em paz não porque os lobos deixaram de uivar, mas por causa do doce som da flauta do bom pastor, cuja presença lhes dá conforto e consolo. Essa verdade encontra paralelo no Novo Testamento. Quando os discípulos estão com Jesus no barco e, de repente, irrompe uma tempestade, o xis da questão é justamente que Jesus estava no barco, e isso era suficiente para os discípulos fazerem como o Mestre e dormirem em paz. Rembrandt fez um autorretrato em "Tempestade no Mar da Galileia" (1633). Ele e...

A TENSÃO DA FINITUDE E INFINITUDE

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"Eu sou para mim mesmo um problema... até que meu coração repouse em Ti", escreve Santo Agostinho no Livro XI das "Confissões". A minha condição humana é de ser alguém desabrigado. Não posso fazer desse mundo a minha casa porque esse mundo é efêmero.  Nós não podemos repousar em nada que seja finito ("até repousar em Ti"). Agostinho diz que nós somos e não somos ao mesmo tempo. Não temos uma estabilidade ontológica. No Livro XII da "Cidade de Deus", é ponderado que nós somos seres morrentes. A vida é uma caminhada para a morte. E, por isso, há em nós o desejo do infinito. "Você nos fez em direção a Ti", afirma o bispo de Hipona. Uma grande questão filosófica é: como algo finito tem desejo de infinito (não quer morrer) e reencontra com a infinitude? "Senhor, tu que me conheces, permite-me conhecer-te; permite-me que te conheça 'plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido' (1Co 13.12)", conforme o Livro X, 1...