COMO FOI CELEBRADA A ÚLTIMA CEIA?
Todo ponto de vista é a vista de um ponto.
Isso significa que tendemos a elaborar nossos pensamentos e posicionamentos a partir do meio no qual estamos inseridos. A cultura, a sociedade e o período histórico influenciam demasiadamente na formação do indivíduo.
Um exemplo é que a Bíblia jamais afirmou - seja no livro de Gênesis ou nos demais - que o fruto proibido era uma maçã. Porém, por uma confusão na tradução conhecida como Vulgata, elaborada por São Jerônimo, praticamente toda a leva de artistas da Idade Média representaram o fruto predominantemente como uma maçã.
Um outro aspecto das Escrituras que geralmente é alvo de polêmica trata-se da ceia celebrada por Jesus com seus discípulos. Se você perguntar pra algumas pessoas como elas acham que foi esse momento singular na história, pode ter certeza que a maioria vai relatar que imagina o Cristo assentado na mesa, em posição de destaque, juntamente com seus doze discípulos. Porém, e se eu te falar que não foi bem assim que aconteceu?
Sim, de fato existia uma mesa. Mas não era uma mesa tal como a conhecemos hoje. Realmente, eles estavam em posição de conforto, mas não necessariamente assentados. Logo vem à nossa mente o cenário tradicional, conforme relatado no parágrafo anterior, de Jesus na mesa com os doze devido a uma pintura chamada “A Última Ceia”, do renascentista italiano Leonardo Da Vinci. A obra de arte foi elaborada entre 1495 e 1498, e foi plenamente difundida, sendo um dos principais trabalhos de Da Vinci. Nesse sentido, como a Bíblia não relata com precisão como foi o momento (até mesmo porque se tratava de um detalhe conhecido do povo da época), o que ficou estabelecido foi a imagem do quadro.
Então, como foi exatamente esse episódio da Santa Ceia? Provavelmente aconteceu em torno de um triclínio, um móvel baixinho e em forma de U que era o mais empregado em celebrações da Antiguidade. E, tal como os convivas dos banquetes gregos e romanos, Jesus Cristo e os apóstolos provavelmente comeram pão e vinho reclinados sobre a mesa.
A reconstrução da ceia, feita por historiadores e arqueólogos, baseia-se nos costumes prevalentes durante o século I d.C. em todo o Império Romano, inclusive na Palestina de Jesus. Achados arqueológicos em Pompéia e outros locais do Império mostram que os convidados de uma refeição entravam numa sala especial e logo se deparavam com o triclínio, que ficava com sua parte aberta voltada para eles, como um U invertido.
Essa abertura permitia que os alimentos e bebidas fossem trazidos para a “mesa” e distribuídos nela. Em volta dos braços do triclínio, os convidados se dispunham numa ordem hierárquica: o lugar de honra era o meio do “braço” esquerdo. Almofadas ou “tatames” especiais eram usados para acolchoar o chão em volta do triclínio. Para comer, os convivas se reclinavam sobre seu braço esquerdo e manuseavam alimentos e bebidas com a mão direita.
Ao longo do tempo, conforme os costumes se transformavam, a arte cristã passou a representar a Santa Ceia com mesas e cadeiras. Em várias comunidades cristãs, surgiu o costume de realizar banquetes que celebravam a morte e ressurreição de Jesus, os chamados ágapes, em que todos se sentavam à mesa para comer e beber.
(Referências bibliográficas: afresco “A Última Ceia”, de Leonardo Da Vinci; informações históricas e arqueológicas extraídas de reportagem do site G1)
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