DEUS COMO PADRÃO DE EXCELÊNCIA
Baseado na filosofia aristotélica, o monge dominicano Tomás de Aquino desenvolveu as “Cinco Vias que Provam a Existência de Deus”, uma espécie de regressão causal que, em todos os casos (nos cinco argumentos), Deus é o princípio.
A quarta é disposta da seguinte forma:
4) Graus de perfeição: baseando-se na filosofia platônica, Aquino classifica diferentes graus de perfeição existente entre os seres. Existe uma espécie de hierarquia entre os graus de perfeição que pode classificar seres entre a bondade e a nobreza, por exemplo. Para Tomás de Aquino, se há essa hierarquia, deve haver um padrão de excelência que serve para a correção dos seres mais evoluídos. Esse padrão é Deus.
Apesar de ser Agostinho de Hipona quem mais bebeu da filosofia platônica, enquanto Tomás de Aquino reconciliou Aristóteles com o cristianismo, foi esse último que tomou como inspiração os textos de Platão para dissertar acerca dos graus de perfeição.
O Mito da Caverna (ou Alegoria da Caverna) está presente na obra “A República”, sendo que Platão retrata um diálogo entre Sócrates, personagem principal, e Glauco, personagem inspirado no irmão de Platão.
Sócrates constrói um exercício de imaginação com Glauco, falando para o jovem figurar em sua mente uma situação passada no interior de uma caverna em que prisioneiros foram mantidos desde o seu nascimento.
Nessa caverna, acorrentados em uma parede, eles somente podiam ver a parede paralela à sua frente. Nessa parede, sombras formadas por uma fogueira num fosso anterior aos prisioneiros eram projetadas. Pessoas passavam com estatuetas e faziam gestos na fogueira para projetar as sombras na parede frontal aos prisioneiros, e esses achavam que toda a realidade eram aquelas sombras, pois o seu restrito mundo resumia-se àquelas experiências.
Em dado momento, os prisioneiros são libertos e eles enxergam as imagens cujas sobram eram projetadas nas paredes da caverna. Ou seja, se antes eles viam apenas a sombra de um cavalo, agora, eles viram o cavalo em si, descobrindo que o grau de perfeição do mundo era outro superior ao que eles conheciam até então.
Logo, se podemos observar esses diversos graus de perfeição, atestando a existência dos mesmos mediante o testemunho de um indivíduo virtuoso, por exemplo, constata-se que não há um nivelamento moral ou estético no cosmos.
Ademais, o próprio Aristóteles classifica as virtudes como características a serem apreendidas e adquiridas, como se adquire habilidade em um instrumento musical mediante a prática com o mesmo.
Nesse sentido, se não há um nivelamento moral e estético, mas antes observa-se variados graus de perfeição, e as virtudes e graus podem ser atingidos e apreendidos, portanto há uma causa primeira de tais atributos, os quais achamos em quem chamamos de Deus.
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