LOGOS
O termo “logos” é um dos mais significativos da cultura grega, cujo significado é amplo: estudo, tratado, discurso, pensamento, razão, palavra, fala, conceito, discurso e conhecimento.
O apóstolo João estava ciente a respeito dessa questão. Afinal, apesar de viver em uma Israel dominada pelo Império Romano, eram os gregos que ditavam a cultura, visto a tolerância dos romanos com a religião e cultura dos povos dominados - desde que não causassem desordem social.
Logo, sendo conhecedor do que o termo “logos” representava à época, João escreveu: “E o verbo se fez carne e acampou entre nós” [“kai ó Logos sarx égéneto kai eskénosen en hémin“] (Jo 1:14).Sob sua pena, o apóstolo estava retomando um conceito da filosofia grega acerca do ponto de partida da racionalidade humana e organização do cosmos. Heráclito, filósofo grego que nasceu aproximadamente no ano 535 a.C., utiliza a palavra “logos” na sua conhecida teoria do ser tomando ao termo “logos” como a grande unidade da realidade. Heráclito pede que escutemos a palavra “logos”, ou seja, que tenhamos paciência para que ela se manifeste por si mesma sem nenhum tipo de pressão para que ela apareça.
Segundo o filósofo, nós dispomos de um “logos”, ou da razão, que devemos utilizar para o conhecimento da realidade e a direção de nossa conduta.
Para Heráclito, o “logos” é a razão que domina todo o universo e que faz possível a existência de ordem e regularidade no acontecimento das coisas. Para o filósofo, logos também está presente em nós e que deve servir para guiar-nos na nossa conduta e como instrumento para o verdadeiro conhecimento.
Os estoicos, que provêm do estoicismo (movimento filosófico que surgiu no ano 301 a.C), acolhem essa tradição heracliteana ao considerar que o “logos” é o princípio divino que cria, domina e dirige a natureza e o universo.
Finalmente, João está afirmando que o próprio Jesus Cristo é o que dá sentido ao cosmos (Universo, realidade), e faz questão de explicitar isso, embora o termo “logos” por si só já expresse essa ideia: “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1:3).
Ademais, no texto joanino o Cristo não apenas é o sentido primeiro do cosmos em si, mas é o que possibilita ao indivíduo ter essa capacidade racional e chegar ao pleno conhecimento do mundo. Repare: seria além da “imago Dei” (imagem e semelhança de Deus), que é o que torna o ser humano consciente e não senciente como os animais, mas também o que permitirá chegar à conclusão correta (todavia, inesgotável) da realidade.
Comentários
Postar um comentário