NIETZSCHE E O CRISTIANISMO (parte 1)
Filósofo, excêntrico,
provocador e absolutamente perturbado.
Um gênio controverso e muito à frente de seu
tempo.
Se Tomás de Aquino reconciliou Aristóteles com
Cristo, vejo que é hora de reconciliar Friedrich Nietzsche com Cristo.
“É impossível acreditar num Deus que deseja
ser louvado o tempo todo”, nas palavras do filósofo alemão. Segundo o teólogo G.K.
Beale, você se torna aquilo que agora. Se ligarmos isso com a tese
aristotélica da necessidade da repetição do ato para chegar ao posto de
virtude adquirida, logo há a necessidade do “mantra” para chegarmos à
“imago Dei”.
Apesar da revelação ontológica ser um fato
bíblico e também ratificada pelos filósofos, o destravamento dessa natureza
pré-Queda é contingente. Se o próprio Yeshua descobriu de maneira gradual e
pedagógica sua identidade, a leva de mortais também percorre o mesmo caminho,
até mesmo levando em consideração a plenitude e garantia da encarnação,
que não consiste estritamente no sacrifício vicário, mas na perfeita conduta
digna de réplica por parte dos demais.
Finalmente, inferindo o pensamento do teólogo
alemão Karl Barth de que o Deus do cristianismo é o “Totalmente Outro”, não
é lógico e racional presumir que este Deus assemelha-se à deidade requerida
por indivíduos da estirpe dos imperadores romanos, que exigiam a adulação
como método de fortalecimento do cargo em si e respeitabilidade do arcabouço
imperial.
Portanto, a adoração não consiste em
exigência ou pré-requisito escatológico, visto que o Ser descrito na
tradição oral e escrita do judaísmo cujas continuidades e descontinuidades
se fazem presentes no cristianismo, é anterior a qualquer espécie de
criação, e segundo a própria literatura conhecida, há uma satisfação nele
mesmo e nas outras Pessoas também inseridas naquilo que é chamado de
Trindade.
Antes, a adoração seria uma ferramenta
“graciosa” (no termo cristão) para que a criatura se assemelhe ao Criador,
dádiva exclusiva disto que é chamada religião cristã, peculiarmente díspar
da concepção acerca do Olimpo, Asgard ou do ápice atingido denominado
“nirvana”, conforme observamos em outras vertentes.
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