NIETZSCHE E O CRISTIANISMO (parte 2)

Nietzsche dizia: “Ensino que a vida jamais deveria ser modificada ou esmagada devido à promessa de outro tipo de vida futura. O imortal é esta vida, este momento”.

É plenamente compreensível a aversão que determinados indivíduos ou segmentos nutrem em relação a nós cristãos, visto que falhamos demasiadamente em pilares da fé e, por vezes, refletimos uma imagem de Cristo que não corresponde à Sua divina Pessoa.

Não poucos que conhecem o conteúdo das Escrituras e mantém uma vida piedosa se esquecem complemente da temporalidade. Ao invés de ressignificá-la, conforme ensinou o filósofo dinamarquês Sören Kierkegaard, rejeitamos-a. É a mentalidade monástica de ir para as montanhas ao invés de ir para o centro da cidade. Afinal, quem edifica uma cidade atrás de uma montanha ou acende uma vela para colocá-la debaixo de um cesto?

Conforme os dizeres do escritor inglês G. K. Chesterton: “O homem não é um balão que sobe ao céu nem uma toupeira que vive unicamente cavando na terra, mas antes algo semelhante a uma árvore, cujas raízes se alimentam da terra enquanto os ramos mais altos parecem subir quase até as estrelas”. O equilíbrio é a chave, porém a natureza adâmica nos impede de alcançar com mais efetividade a “imago Dei”. O avivalista Jonathan Edwards clamou: “Senhor, grave a eternidade nos meus olhos!”, e não “Senhor, me cegue com a eternidade!”. O Reino dos Céus ocorre já nesta realidade, em potencial. O profeta João Batista e Cristo foram uníssonos: “É chegado o Reino dos Céus!”.

Recorrentemente, fazemos como Pedro que cortou a orelha do soldado Malco. Será que estamos dando as respostas para as questões essenciais que o mundo tem nos apresentado?

O próprio reformador Martinho Lutero, que era um monge agostiniano, portanto celibatário, alegou que aprendeu mais em um ano de casamento do que em dez de monastério. Nesse sentido, faz-se mister revisitarmos nossa visão acerca do conceito de santidade.


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