NIETZSCHE E O CRISTIANISMO (parte 3)
O niilismo de Nietzsche é erroneamente concebido como algo puramente metafísico, no sentido de que ele não acreditava em Deus e tudo o que essa crença desemboca (ex: pós-morte).
O niilismo, na verdade, era a falta de constatação de sentido em absolutamente cada ação da vida, seja se alimentar ou ir ao trabalho.Quem nunca aventou esse pensamento? Trabalha-se para pagar as contas no fim do mês e ainda falta dinheiro. Casa-se para desfrutar mas também para sofrer. Diverte-se para fugir da realidade durante curto período de tempo. Qual o sentido de tudo isso?
O apóstolo Paulo argumenta: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” (1 Coríntios 10:31). O intuito não é efetuar uma apologética, mas analisar friamente as perspectivas. Se a doutrina cristã apregoa que essa vida é breve e as verdadeiras moradas para aqueles que depositam a fé no sacrifício vicário de Jesus estão no Céu (que deve ser compreendido não como local geográfico, mas espaço-tempo), então qual o sentido desse Deus, a quem a Bíblia chama de “Pai amoroso”, manter seus filhos e filhas nessa realidade de sofrimento?
Se levarmos em consideração que há um propósito divino por trás da caminhada humana, há razoabilidade. Seria viável inferir que este Deus mantém seus filhos numa realidade inferior e não-ideal pois Ele deseja que a verdade das coisas chegue ao máximo de indivíduos possível, como uma espécie de alerta do porvir.
Logo, o sentido iminente só pode ser compreendido de uma perspectiva transcendente.
Comentários
Postar um comentário