NIETZSCHE E O CRISTIANISMO (parte 4)
“É tentador relacionar o Super Homem (‘übermensch’) de Nietzsche com o Super-Homem da DC. Mas, apesar de Henry Cavill responder a todos os quesitos estéticos da sociedade moderna, ele não tem nada a ver com as ideias nietzschianas. Segundo o filósofo especialista em Nietzsche Oswaldo Giacóia, da USP, o Super Homem (ou Além do Homem) poderia ser representado por aquele que encarara a vida sem as muletas que o homem usou até hoje para poder suportar a existência, como a religião ou a moral, por exemplo. Segundo Nietzsche, essas muletas seriam uma negação da morte. E seria por causa dessa negação que as pessoas acreditariam em falsas promesas como o paraíso. Portanto, o Super Homem seria um ser superior, uma ideia melhorada de nós mesmos: não na força, mas no âmbito psicológico.
Se você achou essa ideia de ‘ser superior’ um pouco nazista, saiba que Hitler
também. Durante muito tempo, as ideias do filósofo foram usadas como
justificativa para os horrores da Segunda Guerra Mundial. Grande parte por
conta da má interpretação de alguns estudiosos — que também contou com uma
ajudinha da irmã de Nietzsche, Elizabeth.”
(FONTE: Revista Galileu)
O filósofo alemão trabalhava o conceito de religião como, de fato, o ópio
do povo (certamente pode se fazer o paralelo com a concepção marxista da
religião enquanto arcabouço doutrinário, e não estritamente em relação à
metafísica, apesar de Karl Marx ter sido materialista e Nietzsche niilista).
Mas seria a crença no pós-morte uma espécie de “muletas” diante da falta de
sentido da vida? A Bíblia argumenta: “Ele enxugará dos seus olhos toda
lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a
antiga ordem já passou” (Apocalipse 21:4). Portanto, a concepção bíblica é
que estamos inseridos em uma ordem das coisas, e apesar do Reino ocorrer em
potencial já nesta realidade, a plenitude está reservada justamente para o
pós-morte. Nesse sentido, as “muletas” não seriam o receio de encarar as
consequências de nossos atos enquanto vivos?
O
maior medo do homem não seria vislumbrar a continuidade de uma vida de gozo ou
então a continuidade de uma vida de busca por apenas prazeres imediatos que
desembocam numa ausência de sentido pleno, conforme escreveu Dostoiévski acerca
do vazio existencial humano?
Talvez,
a fuga da religião é que seriam as “muletas” para que os atos sejam fins em si
mesmos. Logo, o Super Homem seria aquele que compreende a não vacuidade das
ações e está pronto para encará-las conscientemente.
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