NIETZSCHE E O CRISTIANISMO (parte 5)
O filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), é, segundo suas próprias palavras, “Dinamite pura”. É alguém que faz filosofia com o martelo.
E, no livro “O Anticristo”, que foi publicado em
1888, na Alemanha, ele martela o cristianismo, com frases como “as três
virtudes cristãs são as três espertezas cristãs”, “o sacerdote gosta mesmo é do
pedaço mais saboroso da bisteca”, “devemos usar luvas ao ler o Novo
Testamento”.
Essas ácidas críticas à religião enquanto
arcabouço doutrinário e instituição não são muito díspares daquilo que o
próprio Jesus de Nazaré afirmou. Em embates ideológicos constantes com os
fariseus, Jesus confrontou o judaísmo vigente em sua época, indo além da óbvia
ruptura que causaria com sua vida e ministério (que desembocaria no
cristianismo enquanto religião organizada), mas ressignificando doutrinas
milenares.
“Quando fores convidado por alguém para um
casamento, não te reclines no primeiro lugar, para que não aconteça que alguém
mais digno do que tu tenha sido convidado e quem convidou a ti e a ele venha a
te dizer: ‘Dá o lugar a este’. Então irás, envergonhado, ocupar o último lugar.
Mas quando fores convidado, vai ocupar o último lugar, para que, quando vier o
que te convidou, te diga: ‘Amigo, assenta-te mais para cima’. Então será isto
uma glória para ti, diante de todos os que se reclinam contigo. Pois todo
aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado”.
(Lucas 14:7-11)
De fato, o filósofo alemão tinha sua razão para
criticar determinados líderes religiosos e interpretações errôneas das Escrituras. Se Jesus se ajoelhou para lavar os
pés de seus discípulos e ensinou-os a não almejarem os lugares de honra, muitos
líderes religiosos da atualidade gostam de ser carregados nos braços. Colocam
um pesado fardo em outrem, delegam as funções pesadas para terceiros e, de
fato, ficam com “o pedaço mais saboroso da bisteca”, seja a honra, finanças
abastadas ou ares de superioridade devido ao posto ocupado na hierarquia
eclesial.
O deus que Nietzsche “matou” não é o Deus
enquanto transcendência, metafísica a revelação escriturística, mas o falso
deus moldado conforme a vaidade dos homens.
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