O LEGADO ARISTOTÉLICO PARA A ERUDIÇÃO

A “Escola de Atenas” (“Scuola di Atenas”, no original) é considerada uma das obras mais célebres de Rafael Sanzio, ou Rafaello, um dos grandes gênios da Alta Renascença italiana.

A pintura de largas dimensões (5 m x 7,7 m) foi produzida entre os anos de 1509 e 1511, por encomenda do Vaticano, e se encontra na “Stanza della Segnatura”, a biblioteca que pertencia ao Papa Júlio II.

Um dos aspectos que mais chamam a atenção na obra é a disparidade de posição corporal entre Platão (428/427 a.C. – 347 a.C.) e Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.). Enquanto o primeiro está com o indicador apontando para o alto, o segundo está com a palma da mão virada para baixo.

Certamente, a preocupação primordial de Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.) não era com o intangível ou transcendente, mas sim com o palpável da realidade - o que não significa que ele não adota uma linguagem metafísica para endossar o discurso acerca do físico.

Um exemplo disso é que Aristóteles estudou anatomicamente mais de 500 espécies, dissecando um grande número de animais e descrevendo, nos vertebrados, todos os órgãos internos. Essas descrições ainda continuam atuais, sendo melhores, até mesmo, do que as publicadas em livros científicos de hoje.

Um outro ponto é o interesse com o qual o filósofo grego se debruçou em matéria de política, dando origem a um conhecimento distribuído em oito volumes. “O homem é um animal político”, alegou.

Além disso, Aristóteles também nutria interesse pela música. “É precisamente nos ritmos e nas melodias que nos deparamos com as imitações mais perfeitas da verdadeira natureza da cólera e da mansidão, e também da coragem e da temperança, e de todos os seus opostos e de outras disposições morais (a prática prova-o bem, visto que o nosso estado de espírito se altera de acordo com a música que escutamos). A tristeza e a alegria que experimentamos através das imitações estão muito perto da verdade desses sentimentos”, escreveu.

Nessa característica de universos de preocupação, Aristóteles se difere do seu mestre Platão. Afinal, Platão dissertava acerca do mundo das ideias, como pode ser perscrutado em seu Mito da Caverna, enquanto a filosofia aristotélica seguia uma abordagem a certo ponto mais palpável das coisas.

Não sem motivo o frade dominicano Tomás de Aquino (1225-1274) conciliou Aristóteles com a teologia proveniente do cristianismo, transmitindo que sua preocupação era a compreensão do arcabouços doutrinário da Igreja com a filosofia, questões sociológicas e urgentes - no sentido histórico.



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