ISRAEL: O TERMÔMETRO DO MUNDO

Comumente a nação de Israel recebe a alcunha de “termômetro do mundo” por diversas alas do cristianismo. Isso se deve à crença de que Israel será o centro de sinais escatológicos que apontarão para a volta de Cristo.

A pauta se reacendeu num cenário macro (isto é, que não se restringiu ao âmbito teológico) principalmente em 2017, quando Donald Trump, então presidente dos Estados Unidos, anunciou que reconhecia Jerusalém como capital de Israel e pediu ao Departamento de Estado que iniciasse o processo de transferir para o local em questão a embaixada norte-americana, instalada à época em Tel Aviv. Sua decisão fez com que fosse cumprida a lei que prevê o reconhecimento de Jerusalém como capital que foi adotada pelo Congresso dos EUA em 1995. A aplicação da lei vinha sendo adiada nas últimas duas décadas, sob justificativa de “interesses de segurança nacional”.

Vale ressaltar que, em janeiro de 2021, Anthony Blinken, indicado por Joe Biden (atual presidente dos Estados Unidos) para o cargo de secretário de Estado, compareceu em uma audiência no Senado na qual foi questionado pelo republicano Ted Cruz se os EUA iriam manter sua posição sobre Jerusalém e sua embaixada na cidade. “Sim e sim”, respondeu Blinken, sem hesitação.

Há uma linha escatológica conhecida como pré-milenista dispensacionalista sionista. Esta perspectiva teológica, desenvolvida pelo inglês John Nelson Darby (1800-1882) e popularizada pelo estadunidense Cyrus Ingerson Scofield (1843-1921) defende, em síntese, o seguinte: a história da humanidade é dividida em sete períodos, conhecidos como dispensações. Estaríamos atualmente vivendo a sexta dispensação, conhecida como “Era da Graça” ou “Período da Igreja”.

A sétima e última para os dispensacionalistas será o “Reino Milenar”: a partir de uma interpretação literalista de Apocalipse 20, os dispensacionalistas creem que Jesus Cristo descerá dos céus, e reinará sobre todo o mundo a partir de Jerusalém durante mil anos de trezentos e sessenta e cinco dias de vinte e quatro horas cada. Durante estes mil anos Satanás estará preso, e depois será solto, liderando uma grande batalha contra os servos do Senhor no vale do Armagedom, em Israel. Satanás e suas hostes serão derrotados definitivamente, e haverá a paz eterna para os salvos, e o castigo eterno para os condenados.

Esta visão teológica é muito popular entre os evangélicos estadunidenses. Muito embora só no governo Trump que os Estados Unidos transferiram sua embaixada para Jerusalém, segundo determinadas análises, a teologia dispensacionalista tem literalmente orientado a política externa norte-americana para com o Oriente Médio há décadas. De acordo com esta perspectiva, “Israel é o ponteiro no relógio de Deus”. A escatologia pré-milenista dispensacionalista sionista é adotada pela quase maioria dos pentecostais e, possivelmente, também dos neopentecostais brasileiros.

Todavia, os protestantes históricos, como presbiterianos, luteranos e metodistas, costumam ter outra compreensão do tema escatológico e do papel de Israel na história da humanidade. Para o protestantismo histórico, o “ponteiro do relógio de Deus” é Cristo, não Israel, e o atual Estado de Israel não é o mesmo Israel bíblico. Conforme dito pelo apóstolo Paulo, o “Israel de Deus” é a igreja, comunidade dos seguidores de Jesus Cristo, e não Israel enquanto unidade geopolítica (cf. Gl 6.16). Quando escreveu para os cristãos coríntios, que eram gregos, isto é, “pagãos” de origem, Paulo disse que eles eram descendentes daqueles que saíram do Egito (1 Co 10.1-6). Segundo essa linha de pensamento, o apóstolo usa uma linguagem figurada, simbólica, que não deve e nem pode ser entendida literalmente, porque aqueles gregos, literalmente falando, não eram descendentes dos israelitas libertos do Egito. Mas são parte do “Israel de Deus”.

Quando o Messias (Jesus) descreveu no Seu famoso “sermão profético” a cronologia dos acontecimentos futuros que se seguiriam à destruição do Templo de Jerusalém, Ele fez uso da parábola (ilustração) da figueira para revelar a época do clímax da História, aludindo ao renovar dos seus ramos e ao brotar das suas folhas como sinal de observação, para que os Seus discípulos atentos percebam por esses sinais a proximidade da vinda do Seu Reino.


Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o Verão. Assim também vós: quando virdes acontecer estas coisas, sabei que está próximo (o reino de Deus), às portas. Em verdade vos digo que não passará esta geração (a que vir todos os sinais mencionados) sem que tudo isto aconteça.

(Evangelho segundo Marcos 13:28-30; conf. Mateus 24:32-33 e Lucas 21:29-32).


Há uma razão para a Parábola da Figueira, isto é, uma simbologia. À semelhança da oliveira e da videira, a figueira é também muito abundante na terra de Israel, sendo referida várias vezes no Antigo Testamento como um símbolo dessa nação:


Achei a Israel como uvas no deserto, vi a vossos pais como as primícias da figueira nova... (Oséias 9:10).

Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Do modo por que vejo estes bons figos, assim favorecerei os exilados de Judá, que Eu enviei deste lugar para a terra dos caldeus. Porei sobre eles favoravelmente os Meus olhos, e os farei voltar para esta terra; edificá-los-ei, e não os destruirei, e plantá-los-ei, e não os arrancarei (Jeremias 24:5-6).

O figo - fruto da figueira - representa assim cada israelita, por vezes classificado por Deus como “intragável”, devido à sua rebeldia e desobediência.

A figueira é um dos 7 produtos da terra de Israel com que Deus abençoou o Seu povo (Deuteronômio 8), e que será também um símbolo de bênção, paz e prosperidade nos dias do Seu Reino vindouro sobre toda a terra (Assentar-se-à cada um debaixo da sua videira, e debaixo da sua figueira, e não haverá quem os espante, porque a boca do Senhor dos Exércitos o disse - Miquéias 4:4), tal como foi no “protótipo” do Reino Milenar demonstrado nos dias do grande rei Salomão: Judá e Israel habitavam confiados, cada um debaixo da sua videira, e debaixo da sua figueira, desde Dã até Berseba, todos os dias de Salomão” (1 Reis 4:25).

É interessante a forma como o Messias trata um israelita chamado Natanael: Eis um verdadeiro israelita em quem não há dolo! (Evangelho segundo João 1:47). O que chama a atenção é o fato de Jesus lhe referir duas vezes que o tinha visto debaixo da figueira, associando aquilo que parece ser a combinação perfeita: o judeu e a sua figueira (a nação de Israel).

Tanto no Antigo como no Novo Testamento a figueira e o seu fruto parecem ser uma espécie de barômetro revelador da “saúde” da nação de Israel. Ou seja, símbolo de maldição, mas também de bênção para Israel.

Vários profetas do Antigo Testamento incluem na descrição dos castigos de Deus sobre o Seu povo a esterilidade da Terra e do seu fruto, mencionando a infertilidade e a sequidão das figueiras como resultado da Sua maldição sobre Israel:


Já não há semente no celeiro. Além disso a videira, a figueira, a romeira e a oliveira não têm dado os seus frutos... (Ageu 2:19).

 Fez da minha vide uma assolação, destroçou a Minha figueira, tirou-lhe a casca, que lançou por terra... (Joel 1:7).

 A vide se secou, a figueira se murchou, a romeira também, e a palmeira e a macieira; todas as árvores do campo se secaram, e já não há alegria entre os filhos dos homens (Joel 1:12).

 ...a multidão das vossas hortas, e das vossas vinhas, e das vossas figueiras, e das vossas oliveiras, devorou-a o gafanhoto... (Amós 4:9).


O próprio Messias Jesus, a caminho de Jerusalém, amaldiçoou a figueira porque não viu nela fruto (Evangelho segundo Marcos 11:12-14), um sinal do castigo que cairia sobre a nação de Israel pela sua obstinada rejeição do Messias: ...viram que a figueira secara desde a raiz (Marcos 11:20).

Esse quadro profético é claro e incrivelmente revelado na parábola da figueira que durante 3 anos permaneceu sem frutos:

Então Jesus proferiu a seguinte parábola: Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e, vindo procurar fruto nela, não achou. Pelo que disse ao viticultor: Há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não acho. Podes cortá-la; para que está ela ainda ocupando inutilmente a terra? Ele, porém, respondeu: Senhor, deixa-a ainda este ano, até que eu escave ao redor dela e lhe ponha estrume. Se vier a dar fruto, bem está; se não, mandarás cortá-la (Evangelho segundo Lucas 13:6-9).

Facilmente se depreende desta parábola que a figueira representa a nação de Israel que, apesar de ter sido durante 3 anos visitada pelo Senhor da vinha, não produziu nenhum fruto, sendo por isso condenada pela sua rejeição do Messias. Pela intercessão do viticultor (simbolizando os profetas e os apóstolos), a figueira (Israel) permaneceu ainda mais 40 anos na terra, até à dispersão ocorrida no ano 70, após a destruição do Templo de Jerusalém.

Assim como Jesus amaldiçoou a figueira devido à sua infertilidade, assim também Israel sofreu as consequências da rejeição do Messias até ao dia do brotar das folhas da figueira... 2000 mil anos depois!

Passados estes 2 mil anos de infertilidade, Israel já assistiu ao brotar das suas primeiras folhas e do seu primeiro fruto.

A maioria dos estudiosos das profecias bíblicas considera o dia 14 de maio de 1948 - dia da declaração da independência de Israel - como o início do desabrochar da figueira.

O Israel atual é um verdadeiro milagre de Deus, uma infalível prova da Sua misericórdia e bondade para com o Seu povo eleito! Fora alguns outros dados interessantes: entre os muitos judeus que têm contribuído significativamente para a humanidade, em todas as áreas do pensamento, estão Albert Sabin (vacina contra a poliomielite), Arthur Solomon Loevenhart (um dos responsáveis pelos medicamentos contra a sífilis), Selman Abraham (descobriu a estreptomicina, valorosa no tratamento da tuberculose), além de Albert Einstein (teoria da relatividade), Siegried Marcus (criou o motor à gasolina) e Sigmund Freud (psicanálise), só para citar alguns;  quando falamos de Estados Unidos, 2% da população é composta por judeus, porém cerca de 50% dos bilionários estadunidenses são judeus; os judeus representam apenas 0,2% da população mundial, mas mesmo assim estima-se que 11% dos bilionários do mundo são judeus; na área da ciência e tecnologia eles também se destacam, sendo que 22% dos ganhadores de prêmios Nobel são judeus.

Outro fator interessante é que até mesmo a cultura pop já captou a essência da ideia de Israel ser um epicentro. No filme “Guerra Mundial Z” (2013), estrelado por Brad Pitt, o mundo está tomado por zumbis – que são seres humanos infectados por um mundo. E, no enredo, Jerusalém é a cidade que partiu na frente de todo o mundo, visto que as autoridades construíram um muro em torno de Jerusalém para proteger a população desses zumbis. Enquanto as autoridades construíam esse muro em torno do município, ninguém estava “dando bola” pra esse vírus. Ou seja, demonstra que Israel é realmente o termômetro do mundo.

Aquela terra que há 100 anos atrás era quase um completo deserto, tornou-se num verdadeiro oásis onde as figueiras crescem e desabrocham em números impressionantes, produzindo frutos duas vezes por ano (na época da Páscoa e no Novo Ano judaico)!

Para muitos, este desabrochar da figueira é sem dúvida um sinal messiânico, anunciado pelo próprio Senhor: o povo está de volta à sua terra, as figueiras abundam e dão imenso fruto em todo o Israel, e a nação aguarda agora a restauração final com a vinda do Messias!

E Ele prometeu que regressaria!


(Referências bibliográficas: https://www.google.com.br/amp/s/g1.globo.com/google/amp/mundo/noticia/trumpreconhece-jerusalem-como-capital-de-israel.ghtml; https://www.google.com.br/amp/s/ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2021-01-20/biden-vai-manter-medida-de-trump-de-transferencia-da-embaixada-para-jerusalem.html.amp; http://shalom-israel-shalom.blogspot.com/2018/04/sim-figueira-ja-floresceue-como-1-parte.html?m=1; https://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/o-minimo-que-voce-precisa-saber-sobre-israel/; http://www.morasha.com.br/judaismo-no-mundo/judeus-e-premio-nobel.html)


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