POLÍTICA “AD AETERNUM” (parte I)
Ante a escatologia bíblica e suas implicações, o fiel devoto pode justamente indagar-se: por que estudar se esta realidade é finita da maneira a qual a conhecemos? Certamente, o escritor britânico C.S. Lewis faz coro ao afirmar: “Tudo o que não é eterno, é eternamente inútil”.
De fato, o que findar-se-á da forma conhecida não terá proveito algum na futura realidade. Todavia, há inúmeros aspectos os quais podem ser devidamente aproveitados tanto para essa realidade presente quanto para a vindoura. Um desses aspectos é a política.
Primeiramente, faz-se mister compreender um dos títulos de Jesus: “filho de Davi”. Obviamente Jesus não é filho, literalmente falando, de Davi, que viveu cerca de 1000 anos antes que Cristo nascesse em Belém. Jesus é filho de Maria, concebido por obra do Espírito Santo, como lemos em Lucas 1:26 e versículos seguintes. O título “filho de Davi” é dado a Jesus primeiro de tudo por causa da sua genealogia, isto é, ele é parente de Davi, descende de Davi.
Essa descendência é sublinhada pelo Evangelho de Mateus. O primeiro Evangelho começa exatamente assim: “Livro da origem de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão” (Mateus 1:1).
Ressalta-se que Mateus 1:1-16 traz a genealogia de Jesus através de José, que foi um descendente do rei Davi. Como filho adotivo de José, Jesus se tornou seu herdeiro legal, em termos da herança envolvida.
Em Lucas 3:23 podemos ler: “Ora, tinha Jesus cerca de trinta anos ao começar o seu ministério. Era, como se cuidava, filho de José, filho de Eli”. Essa expressão “como se cuidava” indica que Jesus não era realmente filho biológico de José, mesmo que isso fosse normalmente entendido assim pelas pessoas em geral. Este verso destaca a mãe Maria, que obrigatoriamente foi a única através de quem Jesus pode ter descendido de uma linha de ancestrais. A genealogia de Maria então é listada, começando com Eli, que era na verdade sogro de José, em contradição com o próprio pai dele que era chamado Jacó (Mateus 1:16). A linhagem de Maria veio a partir de Natan, filho de Davi com Bateseba. Portanto Jesus foi descendente de Davi naturalmente através de Natan e legalmente através de Salomão.
Mais importante do que essa “razão” natural, é a razão teológica que existe por trás desse título dado ao Messias. Davi é o rei a quem é feita uma promessa, através de Natan, que perpassa toda a Bíblia: “A tua casa e a tua realeza subsistirão para sempre diante de ti, e o seu trono se estabelecerá para sempre” (2 Samuel 7:16).
De fato, a genealogia proposta por Mateus no primeiro capítulo do seu Evangelho está baseada nessa promessa. Foi estruturada em 3 grupos de 14 gerações: de Abraão até Davi, de Salomão até o exílio em Babilônia e da volta do exílio até Jesus, em quem se realiza a promessa de um “trono” estabelecido para sempre. É verdade que esse rei, Jesus, é completamente diferente daquele imaginado em base ao modelo de Davi.
O número 14 na genealogia de Mateus ganha valor ainda mais especial se consideramos que as letras hebraicas que compõe o nome de Davi, somadas, dão o valor 14. Desse modo Mateus mostra como Davi, o seu nome e a sua promessa caracterizam a vida desde Abraão até Jesus.
Ainda sobre a questão da linhagem de Davi, podemos observar que Salomão foi o primeiro descendente de Davi que ocupou o trono de Israel, dando início a uma linha real que continuou durante mais de 513 anos ininterruptos, até o ano 586 a.C. Desde essa data, entretanto, os israelitas nunca mais tiveram um rei. Fato que só ocorrerá novamente quando o Messias (Jesus Cristo) retornar para reinar sobre toda a terra. É Jesus, o Filho de Deus, quem haverá de restaurar e completar o verdadeiro reinado de Davi, mediante um governo soberanamente espiritual e milenar (Is 9:6-7; Mq 5:2; Zc 14:5-9; Lc 1:32-33; At 15:13-18; Ap 11:15; Ap 20:1-10). Cristo, o último “filho” (descendente) de Davi, será o único e eterno herdeiro do seu trono que, na realidade, é o trono de Yahweh.
Nesse sentido, compreende-se: os profetas revelam o local exato em que o Messias, o Rei ungido de Deus, retornará: “E, naquele dia, estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente” (Zacarias 14:4). Começando com Jerusalém, Sua capital, Ele irá expandir seu reino para o mundo (versículo 9).
Uma vez que o Reino de Deus seja estabelecido em Jerusalém entre o povo de Israel, Cristo vai pedir aos representantes de todas as nações para virem a Jerusalém para que possam aprender sobre as Suas leis.
Agora, as linhas de raciocínio se encaixam: essa expectativa do reinado em Jerusalém teve como principal nome (Rei) o legítimo descendente de Davi que ocupará o trono, após longo hiato, dando início ao Reino Milenar.
Em suma, segundo a Bíblia, quando Cristo retornar à terra, Ele Se estabelecerá como Rei de Jerusalém, sentado no trono de Davi (cf. Lucas 1:32-33 que afirma: “Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim”). Os pactos incondicionais exigem uma volta literal e física de Cristo para estabelecer o reino. O pacto de Abraão prometia a Israel uma terra, uma posteridade, um governante e uma bênção espiritual (Gênesis 12:1-3). O pacto da Palestina prometia a Israel a restauração e ocupação da terra (Deuteronômio 30:1-10). O pacto de Davi prometia a Israel perdão: meio pelo qual a nação poderia ser abençoada (Jeremias 31:31-34).
Na segunda vinda, estes pactos serão cumpridos quando Israel for “ajuntada” das nações (Mateus 24:31), se converter (Zacarias 12:10-14) e for restaurada à terra sob a liderança do Messias, Jesus Cristo. A Bíblia fala das condições durante o Milênio como um ambiente perfeito, fisicamente e espiritualmente. Será um tempo de paz (Miquéias 4:2-4; Isaías 32:17-18); gozo (Isaías 61:7,10); conforto (Isaías 40:1-2); sem qualquer pobreza (Amós 9:13-15) ou enfermidade (Joel 2:28-29). A Bíblia também nos diz que somente os crentes terão acesso ao Reino Milenar. Por isso, será um tempo de completa justiça (Mateus 25:37; Salmos 24:3-4); obediência (Jeremias 31:33); santidade (Isaías 35:8); verdade (Isaías 65:16) e plenitude do Espírito Santo (Joel 2:28-29). Cristo governará como rei (Isaías 9:3-7; 11:1-10), com Davi como regente (Jeremias 33:15,17,21; Amós 9:11). Os nobres e príncipes também reinarão (Isaías 32:1; Mateus 19:28). Jerusalém será o centro “político” do mundo (cf. Zacarias 8:3 que afirma: “Assim diz o Senhor: Voltarei para Sião, e habitarei no meio de Jerusalém; e Jerusalém chamar-se-á a cidade da verdade, e o monte do Senhor dos Exércitos, o monte santo”).
Portanto, observa-se que Jesus Cristo terá um papel político enquanto rei sentado no trono de Israel, cujo reinado se estenderá por todas as nações. Logo, a compreensão acerca de tão caro tema (política) gera benefícios não apenas para a realidade conhecida, mas também a que será estabelecida mediante os eventos escatológicos relatados ao longo das Escrituras.
(Referências bibliográficas: https://www.abiblia.org/ver.php?id=5551; https://biblia.com.br/perguntas-biblicas/de-qual-dos-filhos-de-davi-jesus-foi-descendente-em-mateus-116-os-ancestrais-de-jesus-vao-ate-salomao-enquanto-que-em-lucas-331-os-ancestrais-de-jesus-vao-ate-natan/; https://portugues.ucg.org/ferramentas-de-estudo-da-biblia/guias-de-estudo/voce-pode-entender-a-profecia-biblica/o-reino; https://www.gotquestions.org/Portugues/reino-milenar.html)
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