ANÁLISE DE “ETERNOS”

“Eternos” (2021) é o filme da Marvel mais peculiar de todos esses anos.

 Temos ótimas cenas de ação? Sim. Temos humor? Sim. Temos referências aos quadrinhos e ao MCU? Sim. Em suma, temos todos os ingredientes da fórmula Marvel. Mas, ainda assim, é diferente dos demais.

 Assim como temos a impressão digital de James Gunn em “Guardiões da Galáxia” (2014) e “Guardiões da Galáxia Vol. 2” (2017), de Taika Waititi em “Thor: Ragnarok” (2017), a diretora Chloé Zhao também deixa sua marca no mais recente longa do Marvel Studios. E aqui não estamos falando de qualquer profissional: Zhao venceu o Oscar de “Melhor Direção” por “Nomadland” (2020).

 “Eternos” é um filme contemplativo, de inserção e alastramento de mitologia. Suas 2h37m de duração são necessárias para introduzir ao grande público personagens não tão conhecidos assim no mainstream da cultura pop, além de costurar a colcha de retalhos (no bom sentido do termo) do MCU. Perguntas óbvias que o espectador faria como “por que os Eternos não ajudaram os Vingadores na batalha contra Thanos?” são devidamente respondidas - e a justificativa é que os Celestiais, que criaram os Eternos, Deviantes e humanos, orientaram os superseres a interferirem somente em contendas envolvendo Deviantes e humanos.

 Vemos que os Eternos são seres parecidos com os humanos, mas dotados de superpoderes variados, além da longevidade que é comum a todos eles, pois conseguem regenerar-se de maneira rápida após uma ferida em batalha, por exemplo. E aqui já cito uma outra pergunta básica que surge: por que os Eternos nunca foram percebidos por Tony Stark, Steve Rogers e cia.? É simples: como eles são idênticos aos humanos, conseguiram camuflar-se em meio à humanidade, vivendo de maneira “comum”.

Contudo, no fim do longa, vemos que os Eternos restantes resolvem revelar-se, sendo que o principal motivo seria alertar outros Eternos sobre os planos maléficos dos Celestiais, que intentam em destruir a Terra - e outros planetas - em nome do nascimento de outros Celestiais.

Como disse, é um filme importante para alargar consideravelmente a mitologia do MCU, mitologia essa que já conta com o âmbito cósmico (graças a filmes como “Capitã Marvel”, de 2019), místico (representados por Doutor Estranho e Feiticeira Escarlate) e, agora, mitológico. E não nos esqueçamos que o âmbito aquático também será inserido graças à participação confirmada de Namor no filme “Black Panther: Wakanda Forever” (Pantera Negra: Wakanda Para Sempre), de 2022.

Um último detalhe, já que estamos falando em enriquecimento da mitologia: na segunda cena pós-créditos, vemos Dane Whitman (interpretado por Kit Harington) tomar a decisão de pegar a espada (que é a Espada de Ébano) pertencente a seu tio, Nathan Garrett. Nas HQ’s, Nathan é o primeiro a dar vida ao personagem Cavaleiro Negro. Sabemos, portanto, que Dane continuará esse legado. Porém, uma voz aparece ao fundo no momento em que ele fita a espada: “Tem certeza que irá fazer isso?”. A própria diretora Chloé Zhao confirmou que trata-se de ninguém menos do que Mahershala Ali dando vida ao personagem Blade, que ganhará filme solo em breve. Ou seja, também veremos nas telonas elementos do âmbito medieval na mitologia do MCU - vale ressaltar que a Excalibur e o Santo Graal são citados e vistos, respectivamente, em “Eternos”.

O filme inspirado nos heróis criados por Jack Kirby em 1976 é a demonstração de que há toda uma jornada pela frente no MCU. A “Saga do Infinito” foi incrível, jamais esqueceremos, tampouco os novos filmes esquecerão, visto que o “blip” é constantemente mencionado. Porém, já estamos em uma nova saga (a “Saga do Multiverso”, talvez?), com vilões tão temíveis como Thanos à espreita (seria Kang, o Conquistador, que já deu as caras na série “Loki”? Ou quem sabe Galactus, cujo conceito esteve presente em “Eternos”?), e principalmente com o estúdio conseguindo ainda gerar expectativas nos fãs, mesmo após mais de uma década de universo compartillhado.


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