ANÁLISE INICIAL DE “WANDAVISION” (E A CAPACIDADE DA MARVEL DE AINDA SURPREENDER)
[Texto originalmente publicado em 16/01/2021]
Se tem uma coisa que a Marvel foi capaz de fazer nesses mais de dez anos de estúdio é levar milhões de aficionados para a frente das telonas e, agora, das telinhas também.
Em 2019, fui assistir “Vingadores: Ultimato” na
pré-estreia, meia-noite, após um longo dia de trabalho. Valeu a pena cada
segundo. Agora, nesse dia 15 de janeiro, esperei até às cinco da manhã pra
assistir aos dois primeiros episódios disponibilizadas no Disney Plus. Não
saíram nesse horário, e só consegui ver depois de acordar mesmo.
A série é baseada em HQ’s como “Visão”, “Dinastia M” e “Vingadores: Visão e A Feiticeira Escarlate”. As duas primeiras são clássicos dentro da Marvel, sendo que “Visão” de Tom King (que após o clamor do autor finalmente foi referenciada por Kevin Feige como uma das inspirações para a série) já foi até estudada em universidades, devido ao teor da história contada que aborda a tentativa do herói e sua família criada viverem uma vida “normal”. Já “Dinastia M” contém a emblemática frase proferida por Wanda: “No more mutants”, o que resulta na eliminação de 90% dos mutantes, com a Feiticeira vivendo numa realidade alternativa na qual Magneto é o grande manda-chuva.
A série também se baseia em sitcoms que vão de “The Dick Van Dyke Show” a “Três É Demais”, justamente para criar a ambientação do subúrbio norte-americano onde Wanda e Visão tocam suas vidas (e aqui eu senti a mesma homenagem cinéfila à sétima arte que eu vi em “Era Uma Vez em Hollywood”, de 2019). E a atuação caricata nesse cenário me fez lembrar um episódio de “Supernatural” que coloca os protagonistas Dean e Sam Winchester num sitcom clássico de comédia, só que tudo é permeado com uma sátira.
Como todo fã da Marvel já se acostumou, há pelo menos cinco easter eggs (ou referências ao UCM) nesses dois primeiros episódios: o helicóptero colorido (em meio ao universo preto e branco) com o símbolo da S.W.O.R.D. (a “polícia espacial” no Universo Marvel); o rádio chamando pela Wanda; o apicultor saindo do bueiro (dizem que pode ser o demônio Mefisto - que nos quadrinhos faz a Feiticeira Escarlate enlouquecer com a morte dos seus filhos Tommy e Billy e, consequentemente, perder o controle dos seus poderes - devido às moscas e à referência de vir de baixo do solo); e as propagandas que se passam entre as tramas, que para os olhos desatentos podem parecer apenas uma alusão aos comerciais da época, mas na verdade contém dois elementos: na primeira propaganda, a torradeira é da Indústrias Stark, e o barulho do aparelho ao alimento ficar pronto é idêntico ao de uma bomba (sabemos que Wanda e Pietro viram seus pais morrerem com um bomba que continha o símbolo da mesma indústria), e o relógio da segunda propaganda contém o símbolo da HYDRA e o nome “Strucker”, em referência ao Barão von Strucker, responsável pelos experimentos que conferem os poderes aos irmãos gêmeos em “Vingadores: Era de Ultron” (2015).
A Marvel soube executar de maneira genial a ambientação das séries já mencionadas que se passam nos anos 50 e 60, com homenagens para “A Feiticeira” (desde o enredo da dona de casa com poderes místicos e um marido meio “bocó” até a abertura em formato de desenho animado no segundo episódio), mas também imergindo todos os que já conhecem o Universo Cinematográfico, pois com poucos minutos de tela você percebe que se trata de um produto da Casa das Ideias, principalmente pela noção de que a história contada não é um fim naquilo ali mesmo, mas tem algo maior por trás (como foi o Thanos nas fases anteriores). Portanto, ao mesmo tempo em que são dois episódios bem imersos na proposta de fazer um paralelo com as sitcoms, no intuito de estreitar os laços de Wanda e Visão (inclusive com o espectador), há o pano de fundo do “algo maior”.
Por fim, destaco o clima à lá terror psicológico de Jordan Peele: há uma aparente normalidade, com direito a sorrisos e cotidianidade, mas em certos momentos vemos alguém com aquela “lâmpada” acesa em cima da cabeça, como que desconfiando de tudo o que se passa. Em diversos momentos nesse dois episódios dá para perceber isso.
Que venham os próximos!
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