BENDITAS SEJAM AS DIFICULDADES

O que seria de nós sem as nossas dificuldades? Afinal, o que nos faz humanos é justamente essa imperfeição, que resulta em erros o qual podemos aprender ou não.

Pedro era o discípulo mais “atirado” de Jesus, no bom sentido do termo. Foi ele quem se dispôs a andar sobre as águas, que recebeu a revelação do Pai de que Jesus era realmente o Filho de Deus e que cortou a orelha do soldado Malco a fim de proteger seu Mestre. Porém, essa característica em Pedro lhe trouxe coisas boas e ruins. Ele andou sobre as águas, mas ele também cometeu erros como o que vamos falar aqui nesse pequeno texto. Todavia, os erros não são motivo de demérito, porque os soldados mais atingidos são justamente aqueles que estão na linha de frente da batalha. Quem não está na linha de frente tem mais chances de ficar ileso, mas jamais viverá as mesmas experiências de quem coloca a cara a tapa.

Quando Cristo revelou que seria traído por um dos seus discípulos e abandonado pelo restante, Pedro logo já procurou tirar o dele da reta: “Ainda que venhas a ser motivo de escândalo para todos, eu jamais te abandonarei!” (Mt 26:33). Entretanto, ele ouviu de Jesus uma resposta inusitada: “Com certeza te asseguro que, ainda nesta noite, antes mesmo que o galo cante, três vezes tu me negarás” (vv. 34).

Sabemos que, como era de se esperar, as palavras de Cristo se cumpriram à risca. De fato, Pedro negou seu Mestre três vezes, antes do galo cantar (Lc 22:54-62). A Bíblia diz que ele chorou amargamente, assim como Judas também ficou amargurado após ter vendido Jesus por trinta moedas de prata. Porém, a diferença de Pedro pra Judas é apenas uma, visto que os dois erraram feio com Jesus: enquanto um se arrependeu, o outro deixou o remorso consumir seu coração. E daqui eu tiro a primeira lição dessa passagem que eu gostaria de transmitir pra você: se por acaso você pecou, errou, caiu, não deixe o remorso te consumir. Antes, arrependa-se verdadeiramente, de todo o seu coração, pois Deus é fiel para te perdoar!

Aquele episódio da negação foi essencial para Pedro se tornar a referência que conhecemos hoje. Parece que o Pedro descrito no livro de Atos é outro, ainda que tenha falhas, como todos nós temos. Pedro deixou de ser um cara empolgado para se tornar alguém conduzido pelo Espírito. Eis a diferença: imagina Pedro sentado na mesa com Jesus e ele ouve seu próprio Mestre dizer que seria traído e abandonado. A reação natural é a que Pedro teve, ou seja, de reafirmar sua parceria, que sempre estaria presente. Porém, como Jesus era movido pelo Espírito, ele já sabia o que iria acontecer. Pedro agiu na emoção, igualzinho quando ele disse pra Jesus sair fora da cruz, e por isso ouviu: “Para trás de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim, e não pensa nas coisas de Deus, mas nas dos homens” (Mt 16:22). Ou seja, o “Wi-Fi celestial” de Pedro estava com má conexão, de forma que ele não estava se ligando nas coisas do Espírito.

Entretanto, depois que Pedro cai, se levanta e aprende a lição, ele começa a agir menos pelo impulso ou pelas emoções e mais pelo Espírito e pela Palavra. Tanto é que ele faz um discurso no Sinédrio estando cheio do Espírito Santo (At 4:8-12). E, no momento de sua morte (a tradição cristã antiga relata repetidas vezes que ele morreu em Roma durante a perseguição encabeçada por Nero, possivelmente em 65 d.C.), o apóstolo pediu para ser crucificado de cabeça pra baixo pois não se considerava digno de morrer da mesma forma que seu Mestre.

Então, que possamos sempre nos lembrar:

1) Devemos agir pelo Espírito e pela Palavra, e não pelos impulsos ou emoções;

2) Quando errarmos, temos duas opções: arrepender e aprender com o erro ou ficar com remorso e amargurado;

3) O filósofo grego Epicuro (341 a.C. - 270 a.C.) dizia: “Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades”. Ou seja, as pedras no caminho servem como auxílio para que nos tornemos aquilo que Deus planejou pra nós desde antes da fundação do mundo. Lembre-se: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8:28).


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