VENOM: TEMPO DE CARNIFICINA

[Este texto contém spoilers do filme "Venom: Tempo de Carnificina"]

O segundo filme de um dos mais icônicos vilões (ou seria um anti-herói?) do Homem-Aranha está entre nós. “Venom: Let There Be Carnage” já está quebrando recordes de bilheteria a cada semana.

Não é a primeira vez que Eddie Brock e o simbionte dão as caras nas telonas. Em 2007, no terceiro filme da trilogia de Sam Raimi, lá estava ele ao lado de Homem-Areia e Duende Verde para derrotar o Teioso vivido por Tobey Maguire.

Eu, particularmente, adorei o filme. Uma criança de 10 anos vendo seu maior herói na tela cinema não vai ter o pensamento crítico de um adulto, mas irá apenas se deliciar com o que está assistindo.

Porém, como dizia Logan: “O mundo não é mais o mesmo, Charles”. A Marvel Studios chegou com tudo na sétima arte e estabeleceu uma régua qualitativa para filmes do gênero de super-herói. Comédia e drama, fantasia e pés no chão, ação grandiosa como nos quadrinhos, e histórias que, costuradas, formam uma “big picture”. Essa é a fórmula Marvel, de forma resumida. E o segundo filme de “Venom” segue a mesma veia cômica do primeiro, além de dar vida a um herói que eu sonhava que aparecesse num possível quarto filme do Homem-Aranha de Sam Raimi: o Carnificina.

Entretanto, sem dúvida o que provocou gritos e histerias nas salas de cinema foi a cena pós-créditos. Eddie Brock e Venom estão conversando em um quarto de hotel, assistindo novela mexicana (!!!), quando de repente o ambiente se transforma. Na TV, vemos J.J. Jameson de J.K. Simmons bradar contra o Cabeça de Teia, e aparece no noticiário ninguém menos do que o próprio Aranha de Tom Holland. Venom, com sua língua à la banda Kiss, dá uma bela lambida na tela.

Senhoras e senhores, o multiverso está aí. Há um tempo atrás eu escrevi um texto sobre a animação “Homem-Aranha no Aranhaverso”, da Sony, e palpitei que a empresa estava fazendo uma experimentação sobre o multiverso. Como seria a recepção do grande público? Iria ficar confuso? Que nada... essa realidade antiga dos quadrinhos está sendo muito bem difundida e aceita.

Não só Marvel e DC estão abordando o conceito de diversos universos, mas há também o universo compartillhado de “Invocação do Mal”, o Monsterverse (liderado por Godzilla e King Kong), e vimos no “Space Jam: a New Legacy” o “serververse” da Warner Bros. Ou seja, o multiverso é a nova vibe do momento.

Lembro que, quando pequeno, eu li uma HQ em que o Homem-Aranha não era o Peter Parker, mas sim um cara chamado Ben Reilly. Achei totalmente estranho, pois estava acostumado com Parker vestindo o uniforme do Amigão da Vizinhança, principalmente por causa dos filmes. Naquele momento, eu estava aprendendo o que era o multiverso e nem sabia...

Creio que o receio dos estúdios fosse essa possibilidade de confusão na cabeça das pessoas. “Ué, mas o Capitão América não era o Steve Rogers? Agora é Capitã Britânia?” Quem assistiu “What If...?” entendeu a referência!

Estou me sentindo como criança diante de tudo o que está acontecendo. Pra mim, somente a aparição de Stan Lee no “Venom” de 2018 já foi algo incrível e um gostinho da possibilidade de conexão dos universos - afinal, Lee apareceu em todos os filmes da Casa das Ideias até “Vingadores: Ultimato” (2019). Podemos voltar ainda mais no tempo e pensar: será que a Marvel escalou J.K. Simmons, o cara que interpretou um Jameson que pareceu ter saído diretamente das páginas dos quadrinhos, à toa? Não creio que Kevin Feige, que possui tudo sob seu guarda-chuva de fã, teria feito isso em vão. Nada na Marvel é em vão. Basta lembrarmos de Wakanda aparecendo no mapa em uma cena de “Homem de Ferro 2” (2010) seis anos antes do Pantera Negra estrear no cinema.

“Homem-Aranha: No Way Home” está chegando, e sinto que será algo histórico.


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