WRITTEN AND DIRECTED BY QUENTIN TARANTINO
Até certa idade, eu só assistia o filme pelo filme, em si. Não ligava para quem era o diretor, produtor, roteirista... Na minha opinião de leigo, isso não fazia diferença. Eu achava isso até conhecer um cara chamado Quentin Tarantino.
O diretor norte-americano foi o primeiro que me fez pensar o seguinte: “O filme é desse diretor? Então deve ser bom”. E ele ficou tão célebre que virou até camisa com a estampa “Written and directed by Quentin Tarantino”.
O primeiro longa-metragem que eu assisti de Tarantino foi “Bastardos Inglórios” (2009), e ali já percebi seu estilo marcante: violência extrema, diálogos profundos, e reviravoltas surpreendentes. Vamos dissecar esses pontos: a violência está presente em todos os seus longas, desde Pulp Fiction (1994) a Kill Bill (2003) e Os Oito Odiados (2015). Com direito a cabeças explodindo e torturas “à torto e à direito”. Os diálogos profundos, pra mim, são os elementos mais interessantes do trabalho do diretor. Peguemos, por exemplo, o Cães de Aluguel (1992). Além da maior parte da história se passar dentro de um galpão/armazém, temos os primeiros minutos do filme em uma mesa de lanchonete com a gangue discutindo a letra da música Like a Virgin, da cantora pop Madonna. Em Bastardos Inglórios, os primeiros minutos também são marcantes, na cena em que um coronel nazista vai à case de uma família judia, e a tensão no ambiente é quase tangível. Por fim, destaco os também primeiros momentos de Os Oito Odiados, com a discussão entre o personagem de Samuel L. Jackson e Kurt Russell fora e dentro da carruagem. Tarantino tem essa capacidade de puxar nossa atenção para uma cena que, talvez nas mãos de outro profissional, ficaria chata.
Falando em Samuel L. Jackson, o diretor tem a característica de trabalhar de forma recorrente com os mesmos nomes. Além do já citado ator, também destacam-se Tim Roth, Michael Madsen e Brad Pitt. Sem contar as pontas, no melhor estilo Alfred Hitchcock, que Tarantino realiza em seus filmes, como um nazista escalpelado em Bastardos, a voz da secretária eletrônica em Jackie Brown (1997), um dono de bar em À Prova de Morte (2007), entre outras.
Um outro elemento muito interessante é o chamado Tarantinoverso, ou "universo do Tarantino". A marca de cigarros Red Apple pode ser vista nos filmes Pulp Fiction, Kill Bill, Um Drink no Inferno, Grand Hotel e Era Uma Vez em Hollywood; o personagem Aldo Raine, interpretado por Brad Pitt em Bastardos Inglórios, é avô de Floyd (também encarnado por Pitt), de Amor à Queima Roupa (1993). E essa não é a única conexão entre os dois filmes: o sargento antinazista Donny Donowitz (Eli Roth) é pai de Lee Donowitz (Saul Rubineck); entre outras curiosidades.
Por fim, destaco a capacidade de Tarantino em unir dois elementos aparentemente inconciliáveis: a densidade dos diálogos no estilo Orson Welles, diretor de Cidadão Kane (1941); juntamente com a ação extrema à la Michael Bay, que dirigiu os primeiros cinco filmes de Transformers.
Se o filme é dirigido por Tarantino, pode assistir que é garantia de entretenimento!
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