MARCADOS PELA GRAÇA
Há dois episódios bíblicos que possuem ligação entre si: a ferida na coxa de Jacó e o espinho na carne de Paulo.
“E Jacó ficou sozinho. Então veio um homem que se pôs a lutar com ele até o amanhecer. Quando o homem viu que não poderia dominá-lo, tocou na articulação da coxa de Jacó, de forma que lhe deslocou a coxa, enquanto lutavam.”
(Gênesis 32:24-25)
“E, para que me não exaltasse pelas excelências das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de não me exaltar. Acerca do qual três vezes orei ao Senhor, para que se desviasse de mim. E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando estou fraco, então, sou forte.”
(2 Coríntios 12:7-10)
(Gênesis 32:24-25)
“E, para que me não exaltasse pelas excelências das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de não me exaltar. Acerca do qual três vezes orei ao Senhor, para que se desviasse de mim. E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando estou fraco, então, sou forte.”
(2 Coríntios 12:7-10)
No primeiro episódio, temos a ratificação bíblica de que Jacó foi acometido no aspecto físico, isto é, na articulação de sua coxa. Já no caso do apóstolo, há a suposição de que o “espinho na carne” seja uma enfermidade decorrente de alguma viagem missionária. Porém, não há uma conclusão acerca dessa questão, conforme ensina o Rev. Hernandes Dias Lopes:
“Muita discussão tem sido travada para definir o que era o espinho na carne de Paulo (2Co 12.7). Conforme Gálatas 4.14,15, Paulo diz que pregou o evangelho pela primeira vez na Galácia por causa de uma enfermidade física. Essa enfermidade, possivelmente, foi contraída na região pantanosa de Perge da Panfília, onde havia uma alta incidência de malária, o que lhe provocava uma dor de cabeça alucinante, afetando inclusive sua visão. Isso está alinhado com alguns fatos, como: 1) Os crentes da Galácia estavam dispostos a dar seus olhos para Paulo (Gl 4.15); 2) Paulo termina a cartas aos Gálatas dizendo: ‘Vede com que grandes letras vos escrevo’; 3) Paulo usava secretários para ditar suas cartas, algumas vezes tomava a pena apenas para fazer a conclusão; 4) Paulo chamou o sumo sacerdote de ‘parede branqueada’ (At 23.3-5). Todos esses indícios nos levam a uma pista: o espinho na carne de Paulo pode ter afetado sua visão. O assunto está em aberto.”
Todavia, a despeito do que o texto não exprime com total exatidão, algo que podemos inferir é que um episódio tem relação com o outro quando se faz uma Teologia Sistemática a respeito de uma temática singular na fé cristã: a graça.
Se a literatura veterotestamentária expõe elementos que serviram de sinais para a plenitude a ser encontrada em Cristo (“sombras do que haveria de vir”, nas palavras paulinas), então não é de se espantar que o conceito da graça esteja presente desde o primeiro livro da Bíblia.
Tanto o toque na articulação da coxa de Jacó quanto o espinho na carne de Paulo servem para demonstrar uma condição que aqueles dois homens carregavam consigo, condição essa imputada a partir de uma ação do Alto (mesmo no caso do apóstolo, a quem foi enviado um “mensageiro de Satanás”, pois tudo ocorreu sob a permissão divina), a fim de lembrar-lhes de sua natureza adâmica/humana e ressaltar a dependência de Deus.
A graça é um lembrete permanente de que o homem não pode salvar a si mesmo, e uma vez salvo, não possui mérito algum nisso.
Séculos atrás, um dominicano fez um poema que considera “feliz” a culpa de Adão e Eva, expulsos do Paraíso terrestre por um pecado que se tornou “original”. O poema de Tomás de Aquino faz parte da liturgia canônica. E, ao longo do tempo, é uma das leituras de determinadas celebrações religiosas, musicada por compositores clássicos: “O felix culpa, quae talem ac tantum habere meruit Redemptorem” (Oh, feliz culpa que mereceu tal e tão grande redentor).
O frade considerava a culpa “feliz” porque essa apontava diretamente para a redenção encontrada em Cristo.
Da mesma forma, Jacó e Paulo carregavam consigo a “marca da graça”, tal como Caim possuía sua própria marca (no sentido inverso, ou seja, da incredulidade), tal como os remidos pelo sangue do Cordeiro são “selados pelo Espírito Santo” (Efésios 1:13).
Se a literatura veterotestamentária expõe elementos que serviram de sinais para a plenitude a ser encontrada em Cristo (“sombras do que haveria de vir”, nas palavras paulinas), então não é de se espantar que o conceito da graça esteja presente desde o primeiro livro da Bíblia.
Tanto o toque na articulação da coxa de Jacó quanto o espinho na carne de Paulo servem para demonstrar uma condição que aqueles dois homens carregavam consigo, condição essa imputada a partir de uma ação do Alto (mesmo no caso do apóstolo, a quem foi enviado um “mensageiro de Satanás”, pois tudo ocorreu sob a permissão divina), a fim de lembrar-lhes de sua natureza adâmica/humana e ressaltar a dependência de Deus.
A graça é um lembrete permanente de que o homem não pode salvar a si mesmo, e uma vez salvo, não possui mérito algum nisso.
Séculos atrás, um dominicano fez um poema que considera “feliz” a culpa de Adão e Eva, expulsos do Paraíso terrestre por um pecado que se tornou “original”. O poema de Tomás de Aquino faz parte da liturgia canônica. E, ao longo do tempo, é uma das leituras de determinadas celebrações religiosas, musicada por compositores clássicos: “O felix culpa, quae talem ac tantum habere meruit Redemptorem” (Oh, feliz culpa que mereceu tal e tão grande redentor).
O frade considerava a culpa “feliz” porque essa apontava diretamente para a redenção encontrada em Cristo.
Da mesma forma, Jacó e Paulo carregavam consigo a “marca da graça”, tal como Caim possuía sua própria marca (no sentido inverso, ou seja, da incredulidade), tal como os remidos pelo sangue do Cordeiro são “selados pelo Espírito Santo” (Efésios 1:13).
Comentários
Postar um comentário