QUANDO DEUS SE CALA

“Há momentos que Deus se cala

E não ouço a Sua voz

A minh’alma grita forte

E o mal me destrói


Há momentos que Deus se cala

Tenho aprendido assim

Às vezes ando neste vale

Sem saber pra onde ir


Sem saber pra onde ir

Para frente devo andar

No silêncio aprendi

Que Ele está a me moldar


Faz de mim um vaso novo

Pois quebrado eu já fui

Quando está me recompondo

Ouço a voz de Jesus


No silêncio do sepulcro

Foi no inferno pra salvar

Mas o mundo não sabia

Que Ele estava a trabalhar


Quando Deus se cala

Tenha fé, ó meu irmão

Ele tarda mas não falha (não falha)

Ele vem com a solução”

(Quando Deus Se Cala - Voz da Verdade)


Que bela canção, não? Exprime tudo o que sentimos quando Deus se cala - pelo menos na minha opinião.

Quando não ouvimos a voz do Senhor, é natural que nossa alma grite forte, porque ela tem sede de Deus.

Diz o salmista:


“Assim como a corça suspira pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma.

A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo. Quando irei e me apresentarei diante da face de Deus?

As minhas lágrimas têm sido o meu alimento dia e noite, enquanto me dizem continuamente: ‘E o seu Deus, onde está?’

Lembro-me destas coisas — e dentro de mim se derrama a minha alma —, de como eu passava com a multidão de povo e os guiava em procissão à Casa de Deus, entre gritos de alegria e louvor, multidão em festa.

Por que você está abatida, ó minha alma? Por que se perturba dentro de mim? Espere em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu.

Sinto abatida dentro de mim a minha alma; lembro-me, portanto, de ti, nas terras do Jordão, no Hermom, e no monte Mizar.

Um abismo chama outro abismo, ao ruído das tuas cachoeiras; todas as tuas ondas e vagas passaram sobre mim.

Contudo, o SENHOR, durante o dia, me concede a sua misericórdia, e de noite está comigo o seu cântico, uma oração ao Deus da minha vida.

Pergunto a Deus, minha rocha: ‘Por que te esqueceste de mim? Por que hei de andar eu lamentando sob a opressão dos meus inimigos?’

Os meus ossos se esmigalham, quando os meus adversários me insultam, perguntando sem parar: ‘E o seu Deus, onde está?’

Por que você está abatida, ó minha alma? Por que se perturba dentro de mim? Espere em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu.”

(Salmos 42:1-11)


Quando não ouvimos a voz de Deus, nossa alma se abate. Tudo pode estar bem ao redor, mas é uma angústia que vem de dentro pra fora. É o sinal da alma mergulhada em aflição.

Contudo, mesmo em meio ao silêncio de Deus, devemos continuar nos movendo, indo, cumprindo o ide. Por que? Porque, mesmo em meio ao silêncio, Ele está a nos moldar.


“O silêncio daquele sábado de Páscoa misturava com a dor e o medo no coração daqueles que por três anos seguiram Jesus.

É difícil viver na escuridão da dúvida. Jesus disse que esse sábado chegaria em alguma hora, e chegou!

O Filho de Deus foi morto!

Quando duvidamos, Deus parece muito mais distante do que é de verdade.

No sábado do silêncio e do choro, Jesus estava pagando a dívida histórica da humanidade com Deus, Jesus estava vencendo o adversário mais duro da humanidade!

Silêncio na Terra, mas um estrondo se ouviu nas regiões sombrias da morte e uma celebração nas regiões mais altas do Céu.

O Filho de Deus está terminando o que começou.

Apesar do silêncio na Terra, há um estrondo no mundo espiritual, das regiões mais baixas às mais altas Jesus reeditou como a equação da vida e da morte e dos Céus funcionaria a partir daquela hora.

Onde Jesus estava no sábado de Páscoa?

Descendo ao inferno e vencendo as trevas!”

(Gustavo Paiva)


Onde Deus está quando só há silêncio? Trabalhando. Deus está trabalhando!

Ele não deixou de nos ouvir. Só não está respondendo. E por que não está respondendo? Porque Ele está fazendo.

Há uma canção da Sarah Farias que diz:


“Deixa Eu te usar para curar

Deixa Eu te usar para salvar

Enquanto Eu te uso

Eu cuido de tudo que te faz chorar”


Enquanto o Oleiro recompõe o vaso quebrado, ouvimos a voz de Jesus.

Nas noites escuras da alma, que não pensemos que Deus nos abandonou. Ele jamais nos abandonará.


“Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti.

Eis que nas palmas das minhas mãos eu te gravei; os teus muros estão continuamente diante de mim.”

(Isaías 49:15-16)


Por fim, quero destacar o seguinte. Já parou pra pensar que o silêncio de Deus seja também uma provação pra nossa fé? Deus quer ver até onde vai nossa persistência.

Jesus ensinou isso através da Parábola da Viúva Persistente (Lucas 18:1-8). O juiz atendeu ao pedido da mulher graças à persistência dela. O que Cristo queria ensinar através dessa ilustração? Que devemos ser persistentes com Deus. Lembre-se: Ele chamou a atenção dos discípulos no Getsêmani que não aguentaram ficar acordados esperando por Ele em oração (Mateus 26:36-46).

Às vezes parece que Jesus sumiu. Mas, na verdade, é um convite pra uma nova busca, como José e Maria em busca dEle no templo.


“No primeiro dia os pais não deram pela sua falta, porque julgavam que estivesse com amigos ou entre os outros viajantes. Mas quando não apareceu naquela noite, começaram a procurá-lo entre os parentes e amigos.

Não o encontrando, voltaram a Jerusalém, continuando a procurá-lo.

Três dias depois, encontraram-no.”

(Lucas 2:44-46)


Perceberam? Primeiro, não deram falta de Jesus. Depois, não encontrando-o, continuaram a procurar. Três depois depois, o encontraram.

Com a gente também não acontece o mesmo? Talvez, muitos nem sentem falta de Deus. Os compromissos com a agenda já tiraram um horário pro Senhor há muito tempo.

Então, primeiro, não sentem falta. Porém, como foi dito no início desse texto, nossa alma tem sede de Deus, e começa a ficar angustiada sem Ele.

Logo, começa a busca por Deus. Mas não é fácil. As coisas de Deus não são “instantâneas” tais como muitas coisas do mundo globalizado de hoje. Como disse o teólogo norte-americano A.W. Tozer: “Deus não se curvou à nossa pressa nervosa, nem adotou os métodos de nossa era imediatista. O homem que deseja conhecer a Deus precisa dedicar-lhe tempo, muito tempo”.

Depois de um tempo (o tempo de Deus), achamos e nos regozijamos nEle.

Continue a buscá-lo. Não ouviu a sua voz? Entenda que, mesmo no silêncio, Ele está trabalhando. Ele nunca te abandonou!



— Se você gosta desse trabalho, CONTRIBUA através do PIX: supercrenteofc@gmail.com





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

TIRADENTES E O ARQUÉTIPO DE JESUS CRISTO

“O AUTO DA COMPADECIDA” (2000): ANÁLISE TEOLÓGICA

A CRIAÇÃO NOS AGUARDA