2 ANOS DO “THE SEND”: REFLEXÃO

Em português, o nome do evento The Send significa “O Envio”. Trata-se de um movimento religioso, sem fins lucrativos, fundado pelo pastor e líder Téo Hayashi, em parceria com outros movimentos cristãos, entre eles, Dunamis Movement, Circuit Riders, Christ For All Nations (CFAN), Youth With A Mission (YWAM), Lifestyle Christianity e Jesus Image.

“A proposta do The Send é gerar um estímulo para que uma geração saia da inércia e viva a igreja fora das 4 paredes. É de realmente fazermos da Grande Comissão o tema central da nossa geração cristã, não é só um evento e não é um show gospel. É uma assembleia solene!”, explicou Téo Hayashi em seu perfil do Instagram.

O primeiro The Send foi realizado em 2019 em um estádio de futebol da Flórida, “Camping World Stadium”, em Orlando (EUA), reunindo mais de 58 mil fiéis.

A segunda edição ocorreu no ano de 2020, no Brasil, dia 8 de fevereiro, em três estádios ao mesmo tempo. Reunindo cerca de 150 mil fiéis ao todo, o festival contou também com 150 pregadores e cantores famosos convidados, como Todd White, Silas Malafaia, Priscila Alcântara, Gabriela Rocha, entre outros. Na cidade de São Paulo, o evento aconteceu no estádio do Morumbi e no estádio do Allianz Parque, já no Distrito Federal ocorreu no estádio Nacional de Brasília - SRPN.

Dois anos após o The Send, o que pode-se inferir?

Em primeiro lugar, é motivo de júbilo o fato de centenas de milhares de pessoas estarem reunidas para louvarem o nome do Senhor e serem ministradas pelas Escrituras.

Em segundo lugar: o próprio Jesus compara Sua Palavra com uma semente, e nos chama (os pregadores) de semeadores.

Confira:


“Naquele mesmo dia Jesus saiu de casa e se sentou à beira do lago. Uma grande multidão se juntou ao seu redor. Havia tanta gente que Jesus entrou num barco e se sentou; e toda a multidão permanecia de pé na praia. Jesus lhes ensinou muitas coisas por meio de parábolas.

Ele dizia: Certo homem saiu para semear. Enquanto semeava, uma parte das sementes caiu à beira do caminho e os pássaros vieram e as comeram. Outra parte caiu no meio de pedras, onde havia pouca terra. Essas sementes brotaram depressa pois a terra não era funda, mas, quando o sol apareceu, elas secaram, pois não tinham raízes. Outra parte das sementes caiu no meio de espinhos, os quais cresceram e as sufocaram. Uma outra parte ainda caiu em terra boa e deu frutos, produzindo trinta, sessenta e até mesmo cem vezes mais do que tinha sido plantado.

Quem pode ouvir, ouça.”

(Mateus 13:1-9)


Ou seja, foi-nos incumbido o papel de semear. Agora, é papel do Espírito Santo convencer o mundo do “pecado, da justiça e do juízo” (João 16:8).

Quem convence não é o homem, mas o próprio Deus.

A semeadura foi realizada no The Send. Disso não há dúvida.

Outro ponto: é impossível mensurar a vastidão dos frutos provenientes do evento. Só de testemunhos de curas (físicas e da alma) e pessoas dando o passo de aceitar Jesus como único e suficiente Salvador, há milhares. Imagina então os frutos não aparentes, isto é, aqueles que não foram relatados mas permanecem com a casa firmada na Rocha?

Jesus falou acerca desse ponto em outra parábola:


“O Reino de Deus é como um homem que joga a semente na terra. Quer ele esteja acordado, quer esteja dormindo, ela brota e cresce, sem ele saber como isso acontece. É a própria terra que dá o seu fruto: primeiro aparece a planta, depois a espiga, e, mais tarde, os grãos que enchem a espiga. Quando as espigas ficam maduras, o homem começa a cortá-las com a foice, pois chegou o tempo da colheita.”

(Marcos 4:26-29)


“Ela (a semente) brota e cresce, sem ele (o semeador) saber como isso acontece”.

Pegou?

Um claro exemplo disso é o avivamento da Rua Azusa. Segundo o livro “Fire on the Earth”, escrito por Eddie Hyatt, o avivamento da Rua Azusa, na cidade de Los Angeles – EUA, tem marcado profundamente o Cristianismo dos últimos cem anos. Hoje, dos 660 milhões de cristãos protestantes e evangélicos no mundo, 600 milhões pertençam a igrejas que foram diretamente influenciadas pelo avivamento da Rua Azusa (Pentecostais, Carismáticos, Terceira-Onda etc).

Estes são os frutos mensuráveis/contabilizados. Imagina a totalidade deles?

Na época de Cristo, as pessoas se aglomeravam no templo, no monte ou nos campos para ouvir as palavras do Mestre. O evangelista Billy Graham conseguiu arrebanhar milhões de pessoas nos estádios ao redor do mundo, para ouvirem a Palavra. Portanto, lidar com quantidade nunca foi um problema para o Reino - aliás, é um ponto benéfico.

Digo isso porque muitos dizem: “É melhor ter qualidade do que quantidade”. Eu, particularmente, prefiro unir os dois aspectos. Dá pra ter quantidade sem abrir mão da qualidade. Ainda mais quando se fala do Reino: quanto maior a quantidade, mais corações receberão a semente da Palavra. Se a semente germinará e dará frutos ou não, aí é com o Espírito Santo.

Ademais, o próprio nome do evento denota a intenção do envio, do cumprimento do “ide”, da Grande Comissão.

Irmãos e irmãs, é natural que queiramos permanecer na presença de Deus.

Davi escreveu:


“Uma coisa peço ao SENHOR, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do SENHOR e meditar no seu templo.”

(Salmos 27:4)


O que dizer de Pedro, que queria construir tendas no Monte da Transfiguração (Mateus 17:1-13)?

Quem está com Jesus, não quer mais sair de perto dEle. É natural. O Céu só é o Céu porque Jesus está lá.

É por isso que o reformador alemão Martinho Lutero (1483-1546) escreveu:


“Uma masmorra com Cristo é um trono, e um trono sem Cristo é um inferno.”


Porém, também é natural que, conforme as palavras do clérigo J.C. Ryle (1816-1900), “um salvo não deseja ir para o Céu sozinho”. Quem conhece a Cristo deseja logo ir compartilhar com os demais acerca dessa maravilhosa descoberta, assim como fizera a mulher samaritana (João 4:1-42).

E o fato do evento incentivar esse “passar pra frente” o que aconteceu é louvável. Não fizeram um clube, uma área VIP. Pelo contrário, parafraseando: “Falem pra todo mundo sobre esse Deus que derramou de Sua gloriosa presença sobre vocês aqui”.

Em suma, além dos milhares que foram ministrados nos estádios, quantos outros milhares não foram atingidos pelo testemunho dos que estavam lá?

Por fim, destaco o seguinte fato: muitos se reservam no direito de não gostarem de eventos grandiosos. Ok, gosto é gosto. Mas a interrogação fica quando há o argumento: “Deus pode falar comigo em qualquer lugar, não apenas em um estádio lotado”.

Sim, isto é uma verdade. A Bíblia relata: “A palavra do SENHOR, que veio a Jeremias, dizendo: Levanta-te, e desce à casa do oleiro, e lá te farei ouvir as minhas palavras” (Jeremias 18:1-2). A casa do oleiro era um lugar comum da época, onde se faziam vasos de barro. Era comum como é um mercado, farmácia ou padaria nos dias de hoje. Portanto, Deus orientou o profeta a ir num lugar corriqueiro, que lá Ele falaria.

Ademais, o próprio Cristo nos orienta a entrarmos em nosso quarto, fechar a porta e orar, porque o Pai ouviria nossas orações (Mateus 6:6).

Contudo, afirmar esse ponto não é excludente do fato de que Deus também fala nos estádios lotados, em grandes conferências e eventos. Fora que, ali naqueles estádios, a Igreja estava reunida - sim, o que faz a Igreja ser Igreja não é a estrutura de cimento e concreto, mas as pessoas reunidas, isto é, os membros do Corpo.

Se você acha que o Senhor fala apenas em um grande evento, isso é um problema. Mas se você acha que o Senhor não fala em um grande evento, isso também é um problema.

Nesse sentido, louvo ao Senhor pela realização de um evento de tamanha magnitude como o The Send. Eu não estive lá presencialmente, mas, como membro do Corpo de Cristo, permaneci em espírito de oração a todo tempo.

Que possamos almejar que bilhões de pessoas tenham a oportunidade de ouvir o Evangelho, e que nos coloquemos à disposição do Senhor para esse envio.



(Referências bibliográficas: https://labdicasjornalismo.com/noticia/2892/the-send-brasil-realizara-edicao-online-por-conta-da-quarentena; https://www.avivamentoja.com/william-seymour-e-a-rua-azusa/)


— Se você gosta desse trabalho, CONTRIBUA através do PIX: supercrenteofc@gmail.com





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

TIRADENTES E O ARQUÉTIPO DE JESUS CRISTO

“O AUTO DA COMPADECIDA” (2000): ANÁLISE TEOLÓGICA

A CRIAÇÃO NOS AGUARDA