A IMPORTÂNCIA (E NECESSIDADE) DA TEOLOGIA
“De vez em quando leio comentários de cristãos nas mídias sociais dizendo: ‘Eu sou mais a Bíblia, eu só quero Jesus, esse negócio de discussão doutrinária só divide a igreja, é coisa de homem e do diabo’.
É claro que eles estão certos se a discussão doutrinária for movida por interesses mercenários e pela luta pelo poder. Todavia, este tipo de juízo generalizado revela uma falsa piedade enorme e uma ignorância ainda maior.
Se hoje estes queridos têm a Bíblia no Brasil para ler em português e conhecem o Jesus que ela ensina é por que:
- A Igreja reconheceu os 66 livros somente depois de muita polêmica contra Marcião e Montano no séc. II a III; sem isto, nem Bíblia teríamos ou então, uma mutilada;
- Os Reformadores quebraram o pau na Idade Média para dizer que a Bíblia é a revelação final de Deus e com isto conseguir que ela voltasse para as mãos do povo; sem isto, estaríamos escutando celebrações litúrgicas fora da nossa língua materna até hoje e sem uma Bíblia em nossa língua para conferir;
- Comitês de tradução brigam e disputam teologia para saber qual a melhor tradução do grego e hebraico para o português; muitos não lêem nem grego e nem hebraico e portanto dependem do português para ler a Bíblia;
- Teólogos e mestres crentes lutaram e brigaram para que as igrejas ficassem com o Evangelho puro acerca de Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Sem estas disputas teológicas, estaríamos reverenciando um Jesus diferente daquele da Bíblia.
Portanto, acho que estes irmãos estão simplesmente cuspindo no prato em que comem todo dia, ao condenar as disputas teológicas ao mesmo tempo que lêem sua Bíblia em português.”
(Reverendo Augustus Nicodemus Lopes)
Apesar da belíssima e assertiva explanação do Rev. Augustus Nicodemus, vale tecer alguns comentários.
Teologia é formada pelas palavras gregas “theos” (Deus) e “logos” (estudo, tratado ou discurso).
Platão usou esse vocábulo com sentido de história de mitos e lendas dos deuses contadas pelos poetas.
Na Grécia antiga, os poetas foram os primeiros a se intitular “teólogos” por comporem versos em honra aos deuses.
A palavra “teologia” parece ter sido incorporada à linguagem cristã nos séculos IV e V. Referia-se à genuína compreensão das Escrituras.
Portanto, a boa e genuína teologia sempre parte da Bíblia Sagrada.
Karl Barth é um dos mais densos teólogos da história da Igreja cristã. É o mais rico e produtivo desde Lutero, Calvino e Tomás de Aquino. Ao lado de outros grandes teólogos do século XX, buscou compreender a importância da teologia para a Igreja.
Numa conferência em 1934 afirma que é preciso ter consciência de que a Revelação é ato de Deus para a Igreja. Cabe à teologia o papel de vigiar para que a Igreja nunca se esqueça dessa verdade. Sua função é constantemente lembrar que o trabalho do teólogo, ou seja, da própria Igreja, é manter-se sempre atenta a esta revelação.
Na minha faculdade de Teologia (a qual cursei cerca de dois anos), uma das primeiras expressões que eu ouvi foi: “Teologia se faz de joelhos”. Significa que a intelectualidade teológica é indissociável do relacionamento com o Senhor. Em outras palavras: luz na mente, fogo no coração.
Em uma ministração, o pastor Ângelo Bazzo ressaltou:
“Eu não acho que Adão comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal com uma intenção ruim. Pensa: Adão não tinha muito o que fazer na vida, né? Além de fazer o que Deus mandou ele fazer: dominar. O que eu creio que Adão quis fazer quando ele comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal é adquirir a capacidade de dominar sem ter que passar pelo processo constante de comungar. Ou seja, eu recebo a independência do pensamento, da razão, e eu exerço o domínio independente da relação.
O que é muita teologia pra muitas pessoas? Querem conhecer o que Deus pensa, mas elas querem conhecer sem passar pelo processo de relacionar, porque aquilo que eu conheço - em termos intelectuais -, eu domino.”
É comum em muitos estudantes de Teologia (inclusive foi para este que vos escreve) um período de “esfriamento espiritual”. Trata-se de quando a mente acumula uma série de informações a respeito das Escrituras, a ponto de chegar nesse nível que Bazzo relatou: o domínio sem o relacionamento.
“Por vezes, queremos mover o mundo espiritual sem ter relacionamento. Quero oferecer algo para o mundo espiritual se mover, e o mundo espiritual move. Mas e a amizade com Jesus?”, pauta Ângelo Bazzo.
Muito do que desfrutamos enquanto cristãos e Igreja é fruto do labor teológico. Desde a Bíblia conforme a configuração conhecida até os cânticos congregacionais, sangue de mártires e suor de teólogos ajudaram a pavimentar o caminho até aqui.
Nesse sentido, meu irmão e minha irmã, se dedique ao estudo teológico, isto é, na meditação da Palavra de Deus com afinco, a fim de perscrutar o real sentido do que está escrito (aplicando a hermenêutica e exegese em vista de compreender o contexto histórico e cultural - e, para tanto, um bom comentário bíblico seria bem-vindo - e etimologia).
(Imagem:
Da esquerda para a direita: João Calvino, Agostinho de Hipona, Dietrich Bonhoeffer, Jonathan Edwards, R. C. Sproul, A. W. Tozer, C. S. Lewis, Charles Spurgeon, Martinho Lutero e John Piper.
10 grandes expositores da palavra de Deus)
(Referências bibliográficas: https://pt.scribd.com/document/127238913/A-Teologia-de-Karl-Barth; https://m.youtube.com/watch?v=P4Uek5e0UKk)
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