CRER SEM VER
“O maior desafio da espiritualidade é você continuar crendo, sem sentir, sem ver, sem experimentar e ainda dando tudo errado.”
(Augustus Nicodemus)
Não é fácil crer sem ver. Somente o Espírito Santo em nós pode nos guiar por esse caminho.
A natureza adâmica em nós faz-nos almejar garantias, segurança palpável.
O povo hebreu no Egito reclamou quando não viu saída:
“E os filhos de Israel reclamaram com Moisés e Arão: ‘Antes fôssemos mortos pela mão de Yahwehna terra do Egito, quando estávamos sentados próximos às panelas de carne e podíamos comer pão com fartura! Evidentemente nos trouxeste a este deserto para fazer toda esta multidão morrer de fome!’”
(Êxodo 16:3)
Pedro pensou na segurança imediata e visível quando sugeriu a Jesus que Ele não fosse para a cruz. “Deus seja gracioso contigo, Senhor!” (Mt 16:22), disse o apóstolo.
Contudo, Deus nos chama para a maturidade espiritual no sentido de crer sem ver.
“Bem-aventurados os que não viram e creram.”
(João 20:29)
E “ver” não se restringe à visão, mas sentimento, toque, experiência.
Um grande exemplo de quem manteve sua fé no Senhor mesmo sem contemplar um cenário favorável foi Jó. Aquele servo bom e fiel perdeu tudo o que tinha. Não obstante, sua própria esposa e seus amigos declararam em uníssono que Deus o havia abandonado.
Mesmo assim - mesmo sem ver, sem sentir, sem receber palavras de incentivo -, Jó se manteve fiel.
“Então sua mulher lhe disse: Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus, e morre.
Porém ele lhe disse: Como fala qualquer doida, falas tu; receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios.”
(Jó 2:9-10)
Acerca desse episódio, o pastor Tim Keller resume de maneira emblemática:
“Jó nunca viu a razão do seu sofrimento. Ele viu Deus e isso bastou.”
Se eu preciso ver para crer, minha fé está vacilante. Afinal, e se eu não ver mais? Agora, quando eu creio mesmo sem ver, nada pode abalar a minha fé.
É nesse ponto que Deus quer que cheguemos - e Ele não apenas quer, mas nos guia até lá.
“Deus quer que você entenda o amor não por sentimento, mas por caráter.
Não simplesmente por aquilo que você sente, mas por quem Ele realmente é.”
(Gustavo Paiva)
Imagine Abraão. Ele estava em segurança, na sua tenda, em uma terra o qual já estava habituado, e Deus manda ele largar tudo para trás, com uma única garantia: a promessa.
“Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.
Eu farei de ti uma grande nação; abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu, sê uma bênção.
Abençoarei aos que te abençoarem, e amaldiçoarei àquele que te amaldiçoar; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.”
(Gênesis 12:1-3)
Por isso que é dito: no Reino de Deus, mais importa a audição do que a visão.
Abraão ouviu de Deus o que Ele faria, mas não viu nada instantaneamente (o máximo que Deus deu para Abraão foi uma “palhinha” da promessa: “Então o SENHOR conduziu Abrão para fora da tenda e orientou-o: ‘Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes’. E prometeu: ‘Será assim a tua posteridade!’” - Gn 15:5).
Paulo declara:
“A fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.”
(Romanos 10:17)
Importa quem está falando, com quem a caminhada será realizada, e não necessariamente ver o caminho.
Olhar pra Jesus é a nossa segurança. Mesmo em meio às tempestades da vida, sem ver terra firme, Ele é a nossa firmeza.
Que possamos crer mesmo sem ver, pois, assim, o veremos.
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