DISTRAÇÃO
Nós somos seres facilmente distraíveis.
“Uma das maiores utilidades do Twitter e do Facebook será provar no Último Dia que a falta de oração não era por falta de tempo.”
Desde os primórdios, em diversos aspectos, deixamos de focar no que realmente importa em prol de elementos secundários.
Não sem motivo, Jesus exortou os religiosos (de seu tempo e vale pra nós atualmente):
“Condutores cegos! Coais um mosquito e engolis um camelo.”
(Mateus 23:24)
O fariseu zeloso coava cuidadosamente com um pano a água que ia beber, para ter certeza de não tragar um mosquito, o menor animal impuro cerimonialmente.
Ao mesmo tempo, no sentido figurado, claro, estava disposto a engolir um camelo - um dos maiores animais terrestres, e o maior animal impuro cerimonialmente.
Resumindo: damos atenção demais ao que não requer demasiada atenção, e deixamos passar o que realmente importa.
Citando um exemplo do âmbito político, você já deve ter ouvido a expressão “Pão e Circo”.
A política do Pão e circo(“panem et circenses”, no original em Latim) como ficou conhecida, era o modo com o qual os líderes romanos lidavam com a população em geral, para mantê-la fiel à ordem estabelecida e conquistar o seu apoio. Esta frase tem origem na “Sátira X” do humorista e poeta romano Juvenal (vivo por volta do ano 100 d.C.) e no seu contexto original, criticava a falta de informação do povo romano, que não tinha qualquer interesse em assuntos políticos, e só se preocupava com o alimento e o divertimento.
O povo se distraía com pão e trigo nos espetáculos de lutas dos gladiadores. Enquanto isso, o que realmente importava (a política vigente do Império Romano) passava batido.
O próprio Cristo nos diz que essa questão da distração é um mal que nos aflige, desde os tempos mais remotos:
“Porque nos dias que antecederam ao Dilúvio, o povo levava a vida comendo e bebendo, casando-se e oferecendo-se em matrimônio, até o dia em que Noé entrou na arca, e as pessoas nem notaram, até que chegou o Dilúvio e levou a todos. Assim ocorrerá na vinda do Filho do Homem.”
(Mateus 24:38-39)
Enquanto Noé alertava o povo sobre o dilúvio iminente, ninguém deu bola. Todos simplesmente seguiram com suas rotinas. Até que aconteceu o que Noé disse que iria acontecer, mas já era tarde demais para os que estavam distraídos.
Não foi à toa que Jesus remeteu a esse episódio de Noé. Ele mesmo explicou o motivo da analogia: “Assim ocorrerá na vinda do Filho do Homem”.
Jesus comissionou a Igreja para alertar acerca do Evangelho, da segunda vinda de Cristo. Mas, assim como nos dias de Noé, não poucos dão de ombros, e seguem seu dia a dia normalmente.
Será que muitos cristãos não caem nesse erro também? Será que muitos perderam a noção da magnitude do Evangelho e dos eventos vindouros acerca do Reino pois estão distraídos e ocupados demais com o cotidiano?
O pastor Leonard Ravenhill relatou em seu livro “Por Que Tarda o Pleno Avivamento?”:
“Houve certa vez um criminoso de nome Charlie Peace. Não tinha respeito nem pelas leis de Deus nem pelas dos homens. Mas afinal um dia foi preso e condenado à morte. No dia de sua execução, foi levado ao corredor da morte na penitenciária de Armley, Leeds, na Inglaterra. À sua frente ia o capelão da prisão, lendo versículos da Bíblia em voz monótona e desinteressada. O criminoso tocou-lhe no ombro e indagou o que estava lendo. ‘O Conforto da Religião’, replicou o sacerdote.
Charlie Peace ficou chocado de ver como ele lia aqueles textos acerca do inferno de maneira tão mecânica. Como alguém podia ser tão frio, a ponto de conduzir outro para a forca, sem emoção alguma, lendo-lhe palavras sobre um abismo profundo no qual o condenado estava prestes a tombar? Será que aquele pregador cria de fato que existe o fogo eterno, que arde incessantemente, e nunca consome suas vítimas, já que lia tudo sem ao menos estremecer? Seria humano um indivíduo capaz de dizer a outro friamente: ‘Você estará morrendo eternamente, sem nunca conhecer o alívio que a morte poderia dar-lhe?’ Aquilo foi demais para Peace, e ele se pôs a pregar. Veja só o sermão que pregou no próprio instante em que caminhava para o inferno.
‘Senhor’, disse, dirigindo-se ao capelão, ‘se eu acreditasse nisso em que você e a igreja dizem crer, andaria por toda a Inglaterra, só para salvar uma alma, e, se preciso fosse, iria de joelhos, mesmo que a superfície dela fosse recoberta de cacos de vidro, e acharia que teria valido a pena’.”
Será que estamos a tal ponto distraídos que perdemos o fogo do Espírito Santo? Que entramos na monotonia religiosa, na apostasia, na frieza espiritual?
Ravenhill crava: “Irmão, a igreja perdeu o ‘fogo’ do Espírito Santo e por causa disso a humanidade vai para o fogo do inferno”.
Sabe o que é distração? Distração é tudo aquilo que te desvia do propósito eterno. E tudo o que te desvia do propósito eterno é diabólico, conforme a Bíblia ensina:
“A partir daquele momento Jesus começou a explicar aos seus discípulos que era necessário que Ele fosse para Jerusalém e sofresse muitas injustiças nas mãos dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes e dos escribas, para então ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. Pedro, porém, chamando-o à parte, começou a admoestá-lo, dizendo: ‘Deus seja gracioso contigo, Senhor! De modo algum isso jamais te acontecerá’. E virando-se Jesus repreendeu a Pedro: ‘Para trás de mim, Satanás! Tu és uma pedra de tropeço, uma cilada para mim, pois tua atitude não reflete a Deus, mas, sim, os homens’.”
(Mateus 16:21-23)
Jesus chamou Pedro de “Satanás” e Judas de “amigo” (cf. Mateus 26:50).
Já parou pra pensar nisso?
Vou repetir: um dos discípulos mais íntimos foi chamado de “Satanás”, e o traidor foi chamado de “amigo”.
Explodiu sua mente aí?
Explico: Jesus chamou Pedro de “Satanás” porque naquele momento o discípulo estava afastando Jesus do propósito (ir pra cruz), enquanto Judas foi chamado de “amigo” porque ele contribuiu para o cumprimento do propósito de Jesus.
Para exemplificar ainda mais esse conceito de que distração não é algo específico (A ou B), mas sim aquilo que te desvia do propósito eterno: a internet e as redes sociais podem ser uma bênção ou uma maldição na sua vida. Você é quem irá decidir. Se essas ferramentas servem para te edificar, informar, aproximar, enfim, todos os benefícios que podem ser oriundos da internet e redes sociais, então são uma bênção. Agora, se te leva a consumir conteúdos que não vão te edificar, se te leva ao pecado e, um dos principais fatores, se tiram seu tempo de qualidade com Deus, então são uma maldição.
O pastor John Piper afirma:
Ele citou essas redes sociais, mas obviamente estava falando de um modo geral e, como foi dito, nada disso é maldição por si só, mas depende da forma como você vai utilizar - não apenas as redes sociais, mas tudo na sua vida. Tem um ditado que diz: “A diferença entre o remédio e o veneno é a dose”.
Entretenimento é pecado? Claro que não. Mas se você tem tempo para maratonar durante horas no streaming, então também tem tempo para ler a Bíblia e orar... certo?
Irmãos e irmãs, será que enquanto o mundo se perde cada vez mais, nós estamos nos preocupando com inocuidades? Será que estamos ocupados demais para Deus e com tempo sobrando para outras coisas?
Volto a citar Leonard Ravenhill:
“Cinco minutos dentro da eternidade, eu creio que cada um de nós, desejaríamos ter: sacrificado mais, orado mais, amado mais, suado mais, agoniado mais, chorado mais!”
Nós só temos uma vida pra queimar (como oferta de sacrifício a Deus). Que não percamos tempo, e que aproveitemos cada minuto nessa realidade para cumprir o propósito.
(Referências bibliográficas: https://m.facebook.com/TeologiaECuriosidadesBiblicas/photos/a.3136135926475009/3779113602177235/?type=3&_rdr; https://www.google.com.br/amp/s/www.infoescola.com/historia/politica-do-pao-e-circo/amp/; https://www.google.com.br/amp/s/www.todoestudo.com.br/historia/pao-e-circo/amp; https://tesouroemvasodebarro.files.wordpress.com/2013/12/por-que-tarda-o-pleno-avivamento-leonard-ravenhill.pdf; https://voltemosaoevangelho.com/blog/2017/02/as-redes-sociais-e-falta-de-tempo-para-oracao/)
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