PAZ DO SENHOR

Vivemos em um mundo com muitas vozes a serem ouvidas, e as redes sociais potencializaram isso a um nível estratosférico.

Basta abrirmos o celular e veremos notícias da nossa cidade, do nosso estado, do nosso país, e do mundo inteiro.

O cérebro não dá conta de processar tanta informação! São muitas vozes a serem ouvidas!

Mas a pergunta é: qual voz deve ser realmente ouvida?

A Bíblia relata:


“Logo em seguida, Jesus insistiu com os discípulos para que entrassem no barco e fossem adiante dele para o outro lado, enquanto ele despedia a multidão.

Tendo despedido a multidão, subiu sozinho a um monte para orar. Ao anoitecer, ele estava ali sozinho, mas o barco já estava a considerável distância da terra, fustigado pelas ondas, porque o vento soprava contra ele.

Alta madrugada, Jesus dirigiu-se a eles, andando sobre o mar. Quando o viram andando sobre o mar, ficaram aterrorizados e disseram: ‘É um fantasma!’ E gritaram de medo.

Mas Jesus imediatamente lhes disse: ‘Coragem! Sou eu. Não tenham medo!’

‘Senhor’, disse Pedro, ‘se és tu, manda-me ir ao teu encontro por sobre as águas’.

‘Venha’, respondeu ele.

Então Pedro saiu do barco, andou sobre as águas e foi na direção de Jesus. Mas, quando reparou no vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: ‘Senhor, salva-me!’

Imediatamente Jesus estendeu a mão e o segurou. E disse: ‘Homem de pequena fé, por que você duvidou?’”

(Mateus 14:22-31)


Pedro estava indo bem. Em primeiro lugar, ele teve atitude de fé pra viver uma experiência marcante com Jesus. Quantos se contentam em viver apenas a rotina religiosa e jamais desfrutam do que é de fato ser um ramo da Videira e ter a mesma seiva da Videira correndo dentro de si?

Pedro saiu do barco (zona de conforto) e foi para o mar (zona de instabilidade).

Porém, a Bíblia diz que quando ele reparou no vento, teve medo e começou a afundar. Atenção pra esse detalhe: “Mas, quando reparou no vento, ficou com medo” (versículo 30). Meu irmão, minha irmã... o vento sempre esteve lá! Mas, enquanto Pedro estava com os olhos fixos em Jesus, nem reparou no vento. Só foi ele dar uma bobeira que aí se deu conta do vento e, consequentemente, começou a afundar.

Moral da história: Pedro ouviu a voz errada. Ao invés de continuar a ser a ovelha guiada pela voz do Bom Pastor, ele deu ouvidos à “voz” do sopro do vento e, por esse motivo, afundou.

Nós também vivemos em uma zona de instabilidade, como era o mar para Pedro. Aliás, os judeus tinham um medo natural do mar, e esse medo perdurou pela humanidade durante séculos, até o período das Grandes Navegações (lembra de como eram os mapas da época? Achavam que a Terra era quadrada e, quem chegasse numa extremidade, cairia de barco num precipício; e também desenhavam grandes monstros marinhos por não conhecerem os mistérios da imensidão dos oceanos). Vivemos em uma zona de instabilidade pois basta abrirmos o celular e veremos rumores de guerras pelo mundo, tragédias em nosso município, estado ou nação, enfim... tudo parece como aquela bomba de desenho animado (“TNT”) com a faísca consumindo o pavio aos poucos.

Mas, dentro desse cenário, volta a pergunta: qual voz devemos ouvir?

Pedro estava na zona de instabilidade (mar), e afundou por não manter os olhos fixos no Mestre. Também cometeremos o mesmo erro?

Irmãos, não podemos esquecer de um detalhe: Jesus estava nas águas junto com Pedro, assim como Ele está junto conosco hoje! Ele não subiu aos Céus e deixou a gente na mão. Ele não disse na hora da ascensão: “Pessoal, se vira aí! Até a minha segunda vinda!” Não! Pelo contrário, Ele prometeu que estaria conosco:


“E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos.”

(Mateus 28:20)


Você prestou atenção nesse detalhe? Assim como Jesus estava nas águas com Pedro - Jesus não ficou no barco enquanto Pedro passava aperto no mar, mas estava lá junto com o apóstolo -, Ele está conosco hoje, nessa mesma zona de instabilidade, nos ajudando a vencer!

Ele afirma:


“Não oro para que os tires do mundo, mas sim, para que os protejas do príncipe deste mundo.”

(João 17:15)


Jesus sabe que estamos em uma zona de instabilidade, mas intercede junto ao Pai para que sejamos conservados, ou seja, que não perecemos, que não afundemos.

E como derrubar esses gigantes do cotidiano? Tendo a paz de Cristo em nosso coração.


“Deixo a paz a vocês; a minha paz dou a vocês. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o seu coração, nem tenham medo.”

(João 14:27)


A paz que Jesus dá não é a paz que o mundo dá.

O mundo tem dois tipos de paz: a paz de cemitério ou a paz que é antônima de guerra.

A paz de cemitério é aquela paz proveniente de um lugar calmo, tranquilo, silencioso.

A paz que é antônima de guerra é aquela paz quando está tudo aparentemente bem, sem guerras, sem conflitos.

Sabe a semelhança desses dois tipos de paz? É simples: ambas são circunstanciais.

A paz de cemitério (ou seja, a paz da quietude de um lugar) pode acabar com a introdução de barulhos, bagunça.

A paz que é antônima de guerra pode acabar assim que um novo conflito se inicia.

E a paz que Jesus dá? Ah meu amigo, minha amiga... a paz que Jesus dá não depende de nenhuma circunstância!

Dê uma olhada aqui:


“Naquela noite, encontravam-se os discípulos reunidos à porta fechada, com medo dos judeus, quando Jesus surgiu no meio deles, saudando-os: ‘A paz seja convosco!’”

(João 20:19)


Sério, dá até vontade de rir imaginando essa cena... os discípulos estavam lá, morrendo de medo da perseguição dos religiosos, desmoralizados (afinal, o suposto Messias, a quem eles tinham dedicadas três longos anos de suas vidas, estava morto), arrasados emocionalmente pela forma como perderam o amigo e Mestre... e aí chega Jesus, já ressurreto, e solta um: “A paz esteja convosco”.

Meu Deus! Você entendeu?! Jesus chega num cenário de caos, e declara paz. Sabe por que? Porque Jesus não depende de um ambiente de paz para que Ele tenha e dê a paz, porque a paz dEle é incircunstancial!

Você pode ter a paz que é consequência de andar num carro blindado, ter um cão bravo e câmeras de segurança em casa - e não há pecado em nada disso. Mas essa paz depende desses fatores. Longe deles, não há paz.

Você pode ter a paz proveniente de estar numa praia, relaxando, tomando água de coco. Mas e quando voltar pra metrópole? Pra selva de pedra? Pra rotina? Ou seja, é outra paz que depende de algo (nesse caso, do lugar).

Agora, a paz que Jesus dá nos acompanha onde quer que estejamos, independente do cenário/ambiente/circunstância.


“Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, do que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus reina!”

(Isaías 52:7)


E como obter essa paz? Buscando o dono dela: Jesus.

Se Pedro tivesse mantido os olhos fixos em Jesus, ele jamais teria afundado. E ele afundou porque teve medo. E teve medo porque não tinha paz no coração. E não tinha paz no coração porque tirou os olhos de Cristo.

Nesse mundo cheio de vozes, que possamos escolher a voz daquele que é nosso Senhor. Nesse mundo cheio de aflições, que possamos prevalecer com a paz no coração que só Ele nos dá, e que possamos manter os olhos firmados nEle para que não afundemos nos problemas.


Se você deseja essa paz, ore comigo:

“Senhor, eu desejo a paz que só o Senhor pode dar.

Eu desejo a paz que não depende de absolutamente nenhuma circunstância.

Eu desejo a paz que, ainda que tudo esteja um caos, meu coração está tranquilo.

Por isso, eu oro para que o Espírito Santo me auxilie a manter os olhos firmados em Jesus, porque eu sei que minha carne deseja o pecado, que meu coração não é como de criança e tem dificuldade em confiar no Pai, portanto apenas com minha boa vontade não conseguirei permanecer. Mas com seu auxílio eu posso, porque tudo posso naquele que me fortalece!

Abra os meus ouvidos para que eu possa ouvir sua voz. Tire as escamas dos meus olhos para que eu possa vê-lo. Acrescente fé no meu coração para que eu possa andar sobre as águas.

Amém!”



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