QUE É A VERDADE?
Vivemos em um mundo com muitas vozes. E a internet potencializou isso num nível estratosférico.
Afinal, se antigamente só quem tinha voz era quem estava na televisão, rádio, entre outros meios e mídias, hoje qualquer pessoa pode ter voz: basta criar uma rede social, gravar um vídeo e “voilà”! O mundo inteiro pode ouvir a sua voz.
Portanto, em uma era de bombardeamento de informações e inúmeras vozes, crises existenciais e enfermidades psicossomáticas (apalavra “psicossomática” une duas palavras gregas: psique [que significa alma] e soma [corpo]) tornam-se cada vez mais evidentes.
O Uol trouxe uma matéria com a seguinte manchete: “Banquete indigesto: o excesso de informações que nos é servido afeta a saúde e gera estresse, ansiedade e até falta de memória”. No conteúdo, é destacado justamente as inúmeras informações a que somos submetidos diariamente, e o impacto disso em nosso organismo.
“O excesso de informações de conteúdo emocional muito impactante gera um estresse e a pessoa tem uma reação em cadeia em resposta a isso. O nível de cortisol é elevado e o corpo responde. Pode ter uma descarga de adrenalina relacionada a isso, mesmo que pequena", explica uma profissional da área.
Em uma entrevista, o sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman citou a frase do biólogo Edward O. Wilson: “Somos inundados de informação e famintos por sabedoria”. Bauman disse que o principal obstáculo que enfrentamos em direção ao conhecimento é o excesso de informações, que não temos a capacidade de assimilar.
Em suma, é difícil digerir tantas vozes (ou informações).
O que fazer?
Destaco uma pequena história no livro “Jesuscopy: a revolução das cópias de Jesus” (pág. 34):
“Sempre corto meu cabelo em um salão perto de onde trabalho. Certa tarde, eu estava na recepção, sentado, aguardando a minha vez de ser atendido. Sem nada para fazer, fiquei observando a cabeleireira secar o cabelo de uma cliente. Antes de terminar o serviço, ela desligou o secador, pois o celular estava tocando. Ela atendeu e ligou novamente o secador. Percebi que ela não estava conseguindo ouvir a pessoa com quem falava ao aparelho e, por isso, gritava: ‘O quê? Não estou ouvindo! Fale mais alto! Como? O quê? Hein? Nossa, a ligação está horrível!’. Na verdade, não era a ligação que estava ruim, nem a pessoa do outro lado que falava baixo; era o barulho do secador, bem ao lado da orelha, que a impedia de ouvir.”
Pegou?
Naturalmente, já vivemos em um mundo com infinitas vozes. E isso se agrava ao extremo quando nós, cristãos, não prezamos por ouvir a voz daquele que realmente importa: nosso Criador.
Há dois agravantes nesse cenário:
1 – Quando não abrimos a Bíblia;
2 – Quando as vozes do mundo são maiores do que a voz de Deus.
Sobre o primeiro ponto: muitos deixam de ler a Palavra por inúmeros fatores (“falta de tempo”, desinteresse, etc) ou condicionam o contato com as Escrituras a mediadores.
Explico. Há uma frase que diz: “Fechada, a Bíblia é apenas um livro. Aberta, ela é boca de Deus”. Será que existe não ter tempo para o próprio Criador? “Ah, mas Deus entende minha rotina”. Será mesmo que ele “entende”?
Leia:
“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas?
E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.”
(Mateus 7:22-23)
Atenção: Jesus não estava falando com incrédulos, mas sim com “religiosos”, isto é, pessoas que faziam obras no nome dEle! Ainda assim, Jesus afirmou que não os conhecia.
Se Ele chamou esses de “iníquos”, será que passaria panos quentes em nossa justificativa de “falta de tempo” (ou qualquer outra justificativa que for)?
Em um sermão, o pastor batista Charles Spurgeon exortou o auditório a ler a Bíblia. De forma solene, ele disse: “Senhoras e senhores, alguns de vocês têm poeira suficiente sobre suas Bíblias que dá para escrever ‘condenação’ com os dedos”.
Perceba que a intenção aqui não é expor o meu achismo, mas apenas expor a Palavra e ainda citar a exortação de um herói da fé da estirpe de Spurgeon.
Não é minha opinião, mas sim o que diz a Bíblia.
Durante certo tempo, eu incorria muito no erro de ter contato mediado com a Palavra de Deus. Não me recordo de um dia sequer não ter tido contato com a Bíblia, mas isso não significa que tenha tido diretamente com o livro: muitas vezes, o contato era mediado por uma pregação no YouTube, uma ministração na igreja, uma aula ou um livro de teologia, etc. Ou seja, eu costumava terceirizar o contato com a Palavra. Isso é um problema.
É benéfico? Claro, é uma forma de aprendizado da Bíblia. Mas nada substitui o contato direto, sem mediação, entre você e a Palavra de Deus. Nada substitui nós deixarmos o Espírito Santo nos guiar às verdades bíblicas.
É evidente que Deus manifesta sua glória na criação (Salmos 104, Romanos 1:20). É evidente que Ele usa pessoas e situações para falar conosco (Romanos 8:28, Tiago 5:16). Mas, novamente, reitero: nada substitui o seu contato direto com a Palavra.
O que dizer de deixarmos para ter contato com as Escrituras em apenas um culto na semana? Será que ter contato com alguém uma vez dentre sete dias é suficiente para ter um relacionamento saudável?
Agora, sobre o segundo aspecto: e quando as vozes do mundo são maiores do que a voz de Deus?
O barulho do vento forte foi maior nos ouvidos de Pedro do que a voz de Jesus e, por isso, ele afundou (Mateus 14:22-36).
Como evitar que as vozes do mundo sejam maiores do que a voz de Deus?
O apóstolo Paulo nos orienta:
“Por último, meus irmãos, encham a mente de vocês com tudo o que é bom e merece elogios, isto é, tudo o que é verdadeiro, digno, correto, puro, agradável e decente.”
(Filipenses 4:8)
A resposta é essa: enchendo a nossa mente com a Palavra, não terá espaço para outras vozes serem superiores.
É intrigante observar que Pôncio Pilatos (governador romano da Judéia) estava com a Verdade bem diante do seu nariz, mas, ainda assim, ele não soube reconhecê-la.
“Então Pilatos questionou a Jesus:
‘Que é a verdade?’”
(João 18:38)
O próprio Jesus já havia declarado, em outra ocasião: “Eu sou a Verdade!” (João 14:6).
Eu amo estudar Filosofia. Amo ter contato com diferentes visões de mundo e linhas de pensamento. Porém, compartilho das mesmas palavras de Agostinho de Hipona (354 d.C. - 430 d.C.):
“Já li, Sócrates, Platão e Aristóteles, mas em nenhum deles li: ‘Vinde a mim, todos os cansados e oprimidos que eu vos aliviarei’.”
Se formos estudar os sofistas, por exemplo, que eram filósofos da Grécia antiga, eles colocaram em dúvida o caráter absoluto do conhecimento. Um dos seus principais ensinamentos era a arte da retórica. Afirmaram que o homem é a medida de todas as coisas. Portanto, teriam sido os criadores do que nós chamamos muito posteriormente a eles de relativismo, ou seja, de que não existe um verdade absoluta, de que tudo é contextual, tudo depende da geografia, da história, isto é, são inúmeras contextos constituindo aquilo que alguém ou um grupo de pessoas poderá ter como a sua verdade, que na realidade não é uma verdade absoluta, mas efêmera, no sentido de ser histórica.
Cada um tem direito de ter sua opinião, sua verdade. Mas, na confissão de fé dos cristãos, só há uma verdade: a Verdade, com “v” maiúsculo, chamada Jesus Cristo.
Portanto, nesse mundo de inúmeras vozes, seja a ovelha que se atém à voz do Bom Pastor.
(Referências bibliográficas: https://www.uol.com.br/vivabem/reportagens-especiais/excesso-de-informacao-afeta-nossa-saude-como-lidar-melhor-com-isso/#page1; https://ultimato.com.br/sites/jovem/2021/04/07/tire-o-po-da-sua-biblia/)
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