SANTIDADE

A palavra “santidade” no seu contexto original hebraico é “qodesh” ou “qadash”, denota separação, consagração, preparar-se, dedicar, ser consagrado, ser santo no sentido de ser um processo de busca incessante, ser colocado à parte.

Ser santo não é ser superior. Ser santo é ser separado.

O teólogo J.I. Packer (1926-2020) define:


“A santidade é a qualidade de vida que existe naqueles que procuram glorificar a Deus.”


Ou seja, o primeiro ponto é: santidade não é não pecar, pois isso é impossível uma vez que todos somos pecadores.

O apóstolo Paulo afirma:


“Como está escrito: ‘Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer’.”

(Romanos 3:10-12)


Logo, santidade também significa não PERMANECER no pecado.

Declara o salmista:


“Abençoado com felicidade é o homem que não segue o conselho dos ímpios, não se deixa influenciar pela conduta dos pecadores, nem se assenta na reunião dos zombadores.”

(Salmos 1:1)


Um tropeço é um tropeço. É algo esporádico. Agora, você já viu alguém que só anda tropeçando?

Se eu sou santo, sou separado pra Deus; se sou separado pra Deus, sou separado do mundo pra Ele; se sou separado do mundo, não permaneço no pecado; se não permaneço no pecado, tudo o que eu faço é para glorificar o nome dEle.

OBS.: mundo, no contexto teológico, não é sinônimo de planeta Terra, mas sim todo sistema de crenças e valores (político, econômico, cultural, etc) que é divergente da vontade de Deus explícita nas Escrituras.

Vale ressaltar que o processo de santificação dura a vida inteira, enquanto estivermos presos nesta carne (“carne” não é sinônimo de estrutura corporal, mas as vontades, impulsos e pensamentos que são divergentes da Verdade que o Espírito Santo comunica ao nosso espírito).

Disse o reformador Martinho Lutero (1483-1546):


“Pensei que o velho homem tinha morrido nas águas do batismo, mas descobri que o infeliz sabia nadar. Agora tenho que matá-lo todos os dias.”


Ao longo da jornada de santificação, eventualmente ocorrerão tropeços (um sábio certa vez disse que a caminhada rumo à santidade consiste em um passo para a frente e dois passos para trás). Todavia, também é natural que, em dado momento, ocorre a frutificação, que é decorrente da santificação.

Quem é santo dá frutos de santidade porque sua vida é separada para glorificar ao Senhor.


“Nenhuma árvore boa dá fruto ruim, nenhuma árvore ruim dá fruto bom. Toda árvore é reconhecida por seus frutos. Ninguém colhe figos de espinheiros, nem uvas de ervas daninhas. O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração, porque a sua boca fala do que está cheio o coração.”

(Lucas 6:43-45)


É evidente que o Espírito Santo não habita onde há pecado.

Interessante notar que o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma corpórea de pomba (Lucas 3:22). E como alguém consegue fazer uma pomba permanecer em seu ombro? O pastor Gustavo Paiva explica:


“Quando eu sei que uma pessoa está cheia do Espírito Santo? Quando o Espírito vem e pousa.

O Espírito Santo é representado por uma pomba. Então imagina uma pomba vindo sobre você. Agora imagina uma pomba pousando sobre seus ombros. Agora você não quer que essa pomba vá embora, mas você precisa se movimentar.

Como você anda sem que a pomba vá embora? Você anda respeitando a pomba. Você anda em um ritmo em que a pomba não se assuste.

Significa que homens que estão cheios do Espírito Santo não estão mais andando o seu ritmo, eles estão andando pensando na pomba que está sobre os seus ombros. Eles não estão se movendo mais na sua velocidade, fazendo o que quer da sua vida. Não, não, não. Eles estão se movendo pensando: ‘Eu tenho que andar nesse ritmo, senão eu assusto a pomba’. Então, agora, você está pensando no Espírito que está sobre você. Você não está pensando mais na sua vida, você está pensando no Espírito, preservando as coisas do Espírito, você está alimentando o Espírito, você está dizendo ‘isso agrada o Espírito?’.

Eu sei que o Espírito de Deus está sobre alguém quando aquela pessoa está andando no ritmo do Espírito, e não no seu próprio.”


Creio que está bem claro, irmãos e irmãs. Somos pecadores por natureza, e o Espírito Santo nos guia ao caminho da santidade.


“No entanto, quando o Espírito da verdade vier, Ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos revelará tudo o que está por vir.”

(João 16:13)


Somos inclinados para o pecado, mas por pura graça e misericórdia, Jesus nos enviou o Consolador para nos levar a fazer o que é certo, segundo as Escrituras.

A Bíblia nos orienta:


“Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver;

Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.”

(1 Pedro 1:15-16)


Sozinho, não conseguimos ser santos. Mas Deus nunca falou que conseguiríamos sozinhos! Por isso Ele nos enviou o Espírito Santo.

Portanto, se você deseja adentrar nesse caminho de santidade, clame por Ele:


“Espírito Santo, reconheço que preciso do Senhor para que eu seja santo como Jesus é.

Sozinho, eu não consigo. Mas não preciso tentar sozinho, porque o Senhor está aqui para me guiar.

Oro para que eu seja santo a ponto do Senhor pousar sobre mim.

Que sobressaia o espírito em detrimento da carne.

Amém!”

Lembre-se: o mundo virá à Igreja não pela Igreja ser parecida com o mundo, mas sim atraído pela santidade.

Conforme os dizeres do escritor inglês G.K. Chesterton (1874-1936):


“O Santo é um medicamento, porque ele é um antídoto. Certamente é por isso que o santo é muitas vezes um mártir, ele é confundido com um veneno, porque ele é um antídoto. Ele geralmente será procurado para restaurar a sanidade do mundo, exagerando o que o mundo ignora, que nem sempre é o mesmo elemento em todas as idades. No entanto, cada geração procura o seu santo por instinto, e ele não é o que as pessoas querem, mas sim o que o povo precisa. (...) Por isso, é o paradoxo da história, que cada geração é convertida pelo santo que a contradiz mais.”

(CHESTERTON, G.K. Santo Tomás de Aquino: biografia. Tradução de Carlos Ancêde Nougué. São Paulo: Ltr, 2003)


Sejamos santos, como Ele é santo!



(Referências bibliográficas: https://cetemiteologia.com.br/santidade/; https://www.instagram.com/tv/CZgztZ4I7cX/?utm_medium=copy_link)


(Imagem: São Pedro, 1760, de Pompeo Batoni)


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