A ARTE DE FILOSOFAR
Eu defino a Filosofia como a arte de dissecar tudo.
É o labor de colocar o “cosmos” sob as lentes de um microscópio.
É a impossibilidade de se contentar com o raso. É o ímpeto de escrutinar, mediante a ciência de que há de se cavar para obter os maiores tesouros.
Sob os ombros de gigantes, enxergamos mais longe. Por tal motivo, é impossível filosofar sem passar pelos grandes vultos. Todavia, também é impossível experimentar a integralidade do que a Filosofia oferece sem filosofar por si só, a partir de sua própria perspectiva e vivência.
A Filosofia nada mais é do que a necessidade da busca pela verdade, a fim de simplesmente compreendermos o mundo que nos cerca. Evocando o pensamento do poeta Murilo Mendes, “a poesia não pode ser e nem deve ser um luxo para alguns iniciados: é o pão cotidiano de todos, uma aventura simples e grandiosa do espírito”.
O escritor e teólogo C.S. Lewis afirmava que “Os homens tornaram-se cientistas porque esperavam encontrar lei na natureza, e esperavam encontrar lei na natureza porque criam em um Legislador”. É com esse ímpeto que grandes vultos como Agostinho de Hipona e Tomás de Aquino contribuíram não apenas para a Igreja, mas para a sociedade como um todo, através do seu labor filosófico e teológico (nas palavras do romancista inglês G.K. Chesterton: “Santo Tomás não reconciliou Cristo com Aristóteles; reconciliou Aristóteles com Cristo”).
Neste destaque da pintura “A Escola de Atenas”, cuja autoria é de Raffaelo Sanzio, o filósofo grego Aristóteles gesticula para baixo, mostrando com a mão que o importante é a vida terrena, o que fazemos em vida para nos dedicar a “eudaimonia”, ou a felicidade suprema, que é uma vida que não é sinônimo de vida cheia de prazeres, riquezas ou honras, mas sim uma que a virtude seja a principal característica.
Por este motivo de se ater àquilo que está ao alcance da capacidade cognitiva, Aristóteles foi um profundo pesquisador do reino animal, chegando a estudar, com grande riqueza de detalhes, as estruturas anatômicas de mais de 500 espécies.
Dentre suas contribuições, além de ter sido pioneiro na classificação de diferentes tipos de animais, o filósofo criou eficientes métodos de análises comparativas, adotados até os dias de hoje na biologia, como o conceito de anatomia comparada. Logo, é dele a alcunha de Pai da Zoologia.
O dramaturgo inglês William Shakespeare (1564-1616) disse: “Há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia”. E Aristóteles era um apaixonado e aficionado por colocar esse “cosmos” sob a lupa da erudição (e essa característica está representada na pintura de Sanzio: o filósofo grego aponta para a frente, para aquilo que está em seu redor, assinalando o mundo terrestre e a sua visão empírica acerca do conhecimento. Com a outra mão, ele segura um exemplar da “Ética a Nicômaco”, uma das suas obras fundamentais). Mergulhou de cabeça também na temática Política, que rendeu oito volumes com as mais diversas abordagens.
Que a Filosofia, portanto, seja entendida como uma forma de arte e sobrevivência, mediante a busca pela compreensão deste sistema tomado por uma multiplicidade de mistérios e narrativas.
(Referências bibliográficas: http://redeglobo.globo.com/globociencia/noticia/2011/10/contribuicoes-de-aristoteles-na-zoologia-ainda-permanecem-atuais.html; https://www.google.com.br/amp/s/www.culturagenial.com/a-escola-de-atenas-de-rafael-sanzio/amp/)
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