MULHERES: RESPEITO, INSPIRAÇÃO E REFLEXÃO
Uma das coisas que eu sempre ouvi, desde o início da minha conversão, é que os mais belos comentários acerca de Maria foram feitos justamente por Martinho Lutero, o cabeça da Reforma Protestante.
E é verdade.
Em 1521, Lutero conclui sua análise e interpretação do Magnificat de Maria (Lc 1,46b – 55). O comentário do Magnificat foi motivado por um pedido do Príncipe João Frederico, duque da Saxônia. O Cântico de Maria – Magnificat – serviu também de consolo para o ex-monge agostiniano e foi-lhe conforto quando, com seus direitos políticos cassados, esteve exilado no Castelo de Wartburg.
O estudo ao cântico de Maria é um dos grandes legados (dentre muitos outros) deixados por Martinho Lutero, em que ele comenta sobre a natureza de Maria. Consolidando sua ideia da primazia de Cristo no plano da redenção, Lutero observa que:
“Maria notou a grande obra de Deus nela, mas ela não se considerou maior do que a pessoa mais humilde da terra. […] teve apenas este pensamento: se outra jovem tivesse sido beneficiada por Deus, ela também desejaria alegrar-se e querer tudo de bom para essa jovem. Até desejaria julgar-se a única indigna dessa honra e todas as demais, dignas. Maria também teria se conformado se Deus lhe tivesse tirado esses benefícios e dado a uma outra jovem diante de seus olhos. Ela não se atribui absolutamente nada de tudo isso. Não foi mais do que um alegre albergue e uma serviçal anfitriã desse hóspede.”
Aquela adolescente da pobre região de Nazaré fora escolhida por Deus para desempenhar singular papel na história da redenção - que constitui também na história da Cristandade.
O próprio Cristo tratava sua mãe com honra e respeito:
“‘Mulher, em que essa tua preocupação tem a ver comigo? Ainda não é chegada a minha hora.’”
(João 2:4)
A passagem acima, que muitos utilizam para afirmar que Jesus não se dirigia à sua mãe com a devida reverência, na verdade demonstra justamente o contrário. “Mulher” era um termo respeitoso em aramaico.
Maria nos ensina o abrir-se para Deus, pois, mesmo sem entender de maneira integral o plano divino, respondeu para o anjo Gabriel: “Sou serva do Senhor; que aconteça comigo conforme a tua palavra” (Lucas 1:38).
Todavia, há diversos outros exemplos bíblicos e históricos de mulheres que, assim como declarou o apóstolo Paulo, devem ser imitadas pois, por sua vez, são imitadoras de Cristo.
“Pela fé, Sara, mulher de Abraão, pôde ter um filho, apesar da sua idade avançada, pois teve por digno de fé aquele que o tinha prometido. E foi assim que uma nação inteira veio de Abraão, velho demais para ter filhos. E o facto é que dele descenderam tantos milhões quantas as estrelas do firmamento, ou os grãos de areia à beira mar!”
(Hebreus 11:11-12)
Sara nos ensina a viver pela fé, e a nos abrirmos para sermos participantes - junto com outros - da obra de Deus.
Já Ester nos ensina a preocupar-se com o clamor do povo, sentir suas mazelas e interceder por ele. Ainda que isso custe a própria vida.
“Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais nem bebais por três dias, nem de dia nem de noite, e eu e as minhas servas também assim jejuaremos. E assim irei ter com o rei, ainda que não seja segundo a lei; e se perecer, pereci.”
(Ester 4:16)
Tal ponto nos leva a uma reflexão: será que nós, como Igreja, temos respondido as questões que são levantadas pelo mundo? Será que nossa Teologia Pública tem sido eficaz? Será que nossa fé ainda tem relevância ou tornou-se obsoleta?
Ester nos ensina que a Palavra de Deus tem peso social, e que nossa vida deve ser consagrada a servir.
A Rainha nos ensina que um bom governo é feito “a favor de”, e não “sobre”.
Na história do Cristianismo, não nos faltam exemplos de mulheres virtuosas que muito contribuíram para o operar divino. Susanna Wesley é uma delas. Para falar dela, talvez seja mais fácil mencionar o nome de dois de seus filhos. Assim, poderemos entender um pouco do quão importante foi essa mulher na história: John e Charles Wesley, este último também lembrado pelas muitas canções que compôs.
Seus filhos foram os líderes do movimento metodista, homens importantes quando falamos em vidas dedicadas ao evangelho. Com efeito, ela é chamada carinhosamente de Mãe do Metodismo no mundo.
Ademais, Susanna Wesley tinha um tempo todos os dias dedicado ao Senhor, educou seus filhos na Palavra e os alfabetizou usando partes da bíblia. Além disso, ela também dedicava um tempo para cada um dos seus filhos individualmente.
Inegavelmente, quando olhamos para o legado de John e Charles Wesley, iremos encontrar em suas histórias o nome de sua mãe. Porque na maioria das vezes essa mulher soube ser uma mãe que ensinou seus filhos e filhas a ser tementes a Deus.
Se voltarmos um pouco mais no tempo, veremos a história de Blandina (162 d.C. - 177 d.C.). Com apenas 15 anos de idade, foi capturada na perseguição aos cristãos na época do imperador Marco Aurélio. Foi exposta como espetáculo, no anfiteatro em Lyon, sul da França. Foi torturada de diversas maneiras, lançada ao ar três vezes por um touro, e depois morta pela espada.
Blandina é exemplo de resiliência e da força da mulher, mas seu caso também é um exemplo de algo que jamais deve ter espaço: a intolerância. Em nome da fé, sua vida foi ceifada. Porém, por causa de sua fé, tornou-se evidência de que todos devem ter seus direitos civis preservados e respeitados.
No Dia das Mulheres, para muitas, rosas são bem-vindas. Mas, em prol de todas, cabe a reflexão.
(Referências bibliográficas: https://teologiabrasileira.com.br/lutero-e-calvino-diante-de-maria-mae-de-deus/; https://fhop.com/susanna-wesley-uma-mulher-de-oracao/; “A História Ilustrada do Cristianismo”, de Justo L. González)
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