NADA ALÉM DA PROMESSA (parte II)
Precisamos compreender que Deus é soberano. Ele possui todo o controle da História.
“Toda História está nas mãos do Senhor. Tudo o que acontece neste mundo está sob seu controle, sem exceção.”
(Martyn Lloyd-Jones)
Uma das evidências bíblicas de que Deus está no controle de toda a História está no livro do profeta Daniel, mais especificamente no episódio do sonho de Nabucodonosor.
Certa vez, Nabucodonosor, rei da Babilônia, teve um sonho que ninguém conseguia interpretar. Então o profeta Daniel orou e Deus lhe deu a interpretação. O sonho de Nabucodonosor era sobre uma grande estátua e era uma profecia sobre o futuro (Daniel 2:29-30).
Daniel se apresenta ao rei e interpreta seu sonho. A estátua do sonho de Nabucodonosor representava o futuro de quatro impérios, depois do reinado do Messias. Esses impérios seriam o babilônico, o persa, o grego e o romano. E encerra o sonho imaginando que depois desses quatro impérios (o babilônico, o persa, o grego e o romano) surgiria um reino diferente de todos eles, que encheria a Terra. No seu sonho, Nabucodonosor tinha visto uma grande estátua com:
- A cabeça era de ouro.
- O peito e braços de prata.
- O ventre e quadris de bronze.
- As pernas de ferro e pés de ferro e barro.
- O peito e braços de prata.
- O ventre e quadris de bronze.
- As pernas de ferro e pés de ferro e barro.
Termina o sonho vendo uma pedra que se soltou sem ajuda humana e atingiu os pés da estátua. Toda a estátua foi reduzida a pó, mas a pedra cresceu e se tornou uma montanha que enchia a Terra (Daniel 2:34-35).
Assim fala Daniel ao rei: explicou que a estátua simbolizava quatro reinos poderosos que viriam antes de Deus estabelecer um reino eterno:
O 1º império – está representado na cabeça de ouro:
“Tu, ó rei, és rei de reis: pois o Deus do céu te tem dado o reino, o poder, e a força, e a majestade. E onde quer que habitem filhos de homens, animais do campo, e aves do céu, ele tos entregou na tua mão, e fez que dominasses sobre todos eles; tu és a cabeça de ouro.”
(Daniel 2:37-38)
Deus concedeu a Daniel não apenas a revelação do sonho, mas também a interpretação do seu significado. Segundo Daniel, o rei Nabucodonosor havia fundado o seu império, e se tornando rei de reis porque Deus lhe havia dado o reino, o poder, a força e a majestade para poder fundar o fabuloso Império Babilônico.
Segundo a explicação fornecida por Daniel, Deus havia entregado nas mãos e sob o domínio de Nabucodonosor todos os filhos dos homens, todos os animais do campo e todas as aves do céu. Com isso Nabucodonosor fundou e consolidou o seu império, tornando-se a cabeça desse império. Segunda a profecia de Daniel, a cabeça de ouro da estátua representa o Império Babilônico na pessoa de Nabucodonosor. A História Universal mostra que o Império Babilônico teve sua existência entre os anos de 605-539 a.C.
O 2º império – está representado no peito de prata: Esse império representado pela prata (Daniel 2:39) era o Império Persa. A História Universal mostra que sessenta anos após o sonho de Nabucodonosor, Babilônia caiu em poder do reino da “Medo-Persa” (539-331 a.C.), ainda durante a vida de Daniel. Em 539 a.C. Ciro, eminente general persa, subjugou o poderoso e temível Império Babilônico. Com isso estabeleceu a segunda Potência Universal.
O 3º império – está representado no tronco de bronze: A seguir Daniel informa a Nabucodonosor que o segundo reino também iria cair, e em seu lugar surgiria um terceiro reino, cujo domínio alcançaria uma grande extensão de terra. A História Universal revela que o reino que sucedeu ao Império Medo-Persa foi o reino da Grécia (331-168 a.C.).
Nas batalhas de Grânico em 334 a.C. ou em 333 a.C. e Arbela em 331 a.C., o Império Medo-Persa caiu diante das forças da Grécia comandadas por Alexandre o Grande. Na estátua, o ventre e as coxas de bronze, representam o terceiro reino: o reino da Grécia.
O 4º império – está representado nas pernas de ferro: Daniel esclarece a Nabucodonosor que o terceiro reino também cairá, e em seu lugar surgirá um quarto reino. Esse reino será mais forte e mais violento do que todos os três reinos anteriores, sendo comparado à rigidez do ferro, que a tudo destrói. De forma que esse quarto reino esmiuçará e quebrantará sem misericórdia qualquer nação que se oponha aos seus desígnios.
A História Universal mostra que o reino que sucedeu ao reino da Grécia foi o reino de Roma (168 a.C. a 476 d.C.). Na estátua, as pernas de ferro, simbolizam o quarto reino: o reino de Roma. Na batalha de Pidna, em 168 a.C., Roma dominou o reino da Grécia e se tornou a quarta Potência Mundial.
Complementando, aparece o 5º império – representado por uma pedra: A pedra claramente significa Jesus Cristo e seu reino. O poder de Jesus destrói tudo que vem antes e seu reinado nunca acabará (Daniel 2:44). Na Bíblia, Jesus é chamado de “pedra angular” e “pedra que os construtores rejeitaram” (cf. Atos 4:11).
Ou seja, esse episódio da estátua do sonho do rei Nabucodonosor nos mostra que Deus tem conhecimento e controle sobre todo o desenrolar da História. Afinal, por estar no tempo “Kairós”, Ele pode enxergar o início e o fim de tudo, como uma linha reta - na verdade, Ele mesmo é o Alfa e o Ômega. Nós, homens, vivemos no tempo “Chronos”, e a História pra nós é como uma espiral, isto é, só conseguimos enxergar o momento presente.
Toda a história de Jesus Cristo, por exemplo, desde o Seu nascimento, estava predestinada e sob absoluto controle de Deus. Vejamos o caso do seu nascimento. A profecia dizia que o Messias nasceria na cidade de Belém, sendo chamado de “o governante de Israel” (cf. Miquéias 5:2). Porém, quando Maria estava grávida, ela e José estavam em Nazaré, onde residiam. Mas, por causa de um decreto do imperador César Augusto, que ordenava o recenseamento de todo o Império Romano, José teve que ir para Belém a fim de se alistar (cf. Lucas 2:1-7). Coincidência? Claro que não. Providência!
Não para por aí. Zacarias também profetizou um fato a respeito do Messias:
“Alegre-se muito, cidade de Sião! Exulte, Jerusalém! Eis que o seu rei vem a você, justo e vitorioso, humilde e montado num jumento, um jumentinho, cria de jumenta.
Ele destruirá os carros de guerra de Efraim e os cavalos de Jerusalém, e os arcos de batalha serão quebrados. Ele proclamará paz às nações e dominará de um mar a outro, e do Eufrates até aos confins da terra.”
(Zacarias 9:9-10)
Conforme consta nas Escrituras, Jesus cumpriu essa profecia, e entrou em Jerusalém montado em um jumentinho (cf. Mateus 21:1-11).
Até mesmo a traição de Judas estava prevista para acontecer.
“Naqueles dias, sendo o número de pessoas ali reunidas cerca de cento e vinte, Pedro se levantou no meio dos irmãos e declarou:
‘Irmãos, era necessário que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo predisse por meio da boca de Davi, acerca de Judas, que serviu de guia aos que prenderam Jesus. Ele foi contado como um dos nossos e teve parte neste ministério.’”
(Atos 1:15-17)
Você acha que tinha chance de Jesus ter morrido por causa da ordem de Herodes de matar todas as crianças de até dois anos de idade (cf. Mateus 3:3-18)? Você acha que tinha chance de Davi ter morrido pelas mãos de Golias ou do rei Saul? Nem um, nem outro. Todas as profecias se cumpriram sobre Jesus, pois tudo estava no controle de Deus. E Davi sabia que era protegido para cumprir seu propósito, e por isso declarou essa confiança ao escrever o Salmo 27.
“O Senhor é a minha luz e a minha salvação; de quem terei temor?
O Senhor é o meu forte refúgio; de quem terei medo?
Quando homens maus avançarem contra mim para destruir-me, eles, meus inimigos e meus adversários, é que tropeçarão e cairão.
Ainda que um exército se acampe contra mim, meu coração não temerá; ainda que se declare guerra contra mim, mesmo assim estarei confiante.”
(Salmos 27:1-3)
Para ilustrar ainda mais esse cenário, cito um exemplo da cultura pop: o filme “O Livro de Eli”, de 2010. O protagonista vivido por Denzel Washington é protegido por Deus contra tudo e contra todos. Mesmo lutando sozinho - munido apenas com um facão - contra cinco ou mais adversários, ele vence. Quando atiram contra ele, a bala não o acerta. Ele é guiado pela fé, e não pela visão (pois ele é deficiente visual, inclusive). Até que ele cumpra seu propósito de levar o único exemplar da Bíblia Sagrada naquele mundo pós-apocalíptico para que mais exemplares fossem efetuados na prensa e a população tivesse acesso ao livro. Protegido por causa da promessa, e não morreu até que tudo se cumprisse.
Ainda sobre essa questão da soberania divina, o pastor e teólogo John Piper disserta:
“Há uma grande citação de (Charles) Spurgeon sobre ciscos de poeira. Você pode nem saber o que é um cisco de poeira, mas quando eu me levanto de manhã no meu quarto, tem uma janela ao lado da cama aqui, e um raio de luz estará brilhando por ela, em certas épocas do ano quando me levanto. Agora, quando eu olho através da escuridão, eu não vejo nada, mas quando eu olho através do raio eu vejo a poeira no quarto. (...) E Spurgeon diz que cada uma dessas partículas está mantendo sua posição e movimentando-se pelo ar pela ordenação de Deus.
Agora, a razão porque eu acredito nisso é porque a Bíblia diz: ‘O dado é lançado na mesa, e toda decisão vem do Senhor’ (Provérbios 16:33). (...) Por que ele escolheria ‘o dado (ou a sorte) é lançado na mesa’? É porque ele está tentando pensar na coisa mais aleatória que ele puder. E ele diz aquilo. E tal aleatoriedade não é aleatória para Deus. Deus não paga o mínimo imposto para manter cada partícula subnuclear em seu lugar. (...) Tudo o que há no meio da molécula em movimento - e os elétrons -, Ele os mantém em órbita, assim como Ele mantém os planetas em órbita. Então, o macro-mundo e o micro-mundo são direcionados por Deus.”
O teólogo e reformador francês João Calvino considerava que o mundo era o “teatro da glória de Deus” (“theatrum gloriae Dei”). Afinal, se tudo está no controle de Deus, tanto o microcosmo quanto o macrocosmo (ou seja, desde o canto de um pássaro até um fato registrado na História) servem para glorificar o nome dEle.
Dizem que, no fim de sua vida, o pastor batista e ativista político Martin Luther King Jr. ouviu a voz do Senhor lhe dizendo: “You are not alone” (“Você não está sozinho”).
Nunca estamos. Cada passo que damos é guiado por Ele. E tudo ao nosso redor coopera para o nosso bem - até mesmo aquilo que por ventura classifiquemos como “mal” ou “ruim” (cf. Romanos 8:28).
Há uma bela canção chamada “Não Morrerei”, do Marquinhos Gomes, que diz:
“Se tudo está difícil
A multidão já te cansou
O meu Deus nunca falha e nunca falhou
Se a luta é muito grande
Ela te fez perder a fé
O meu Deus entra na guerra, peleja por você
Levante os teus olhos e veja o sobrenatural
Quem tem promessa de Deus vence o mal
Levante os teus olhos e veja o sobrenatural
Quem tem promessa de Deus vence o mal, vence o mal
Não morrerei
Enquanto a promessa não se cumprir
Quem tem promessa de Deus
Não morre não, não desiste não
E tem a fé, a fé de Abraão.”
Deus tinha feito uma promessa a Abraão: que ele seria pai de multidões (cf. Gênesis 15:5; 17:1-8). Foi com base na confiança nessa promessa que Abraão deixou tudo pra trás a fim de seguir a voz do Senhor (cf. Gênesis 12:1-3).
Deus prometeu a José, através de sonhos, que ele exerceria um grande governo (cf. Gênesis 37:1-9). Anos se passaram, José passou por poucas e boas (foi traído pelos irmãos, vendido como escravo, e preso injustamente). Todavia, a promessa de Deus se cumpriu no tempo certo.
Diz a Palavra do Senhor:
“Bendito seja o Senhor, que deu repouso ao seu povo de Israel, segundo tudo o que prometera; nem uma só palavra falhou de todas as suas boas promessas, feitas por intermédio de Moisés, seu servo.”
(1 Reis 8:56)
Deus não falha. Ele não é homem para mentir. Por isso, cumpre todas as Suas promessas.
E, no dia da angústia, lembrar dessas promessas e ter a convicção que elas vão se cumprir é o que nos dá esperança no amanhã e confiança para prosseguir.
“Lembra-te das promessas que me fizeste porque elas são a minha única esperança.
Têm sido a minha consolação no meio das angústias, porque só a tua palavra pode renovar-me a vida.
Gente orgulhosa zombou de mim; apesar disso nunca me desviei da tua Lei.
Lembro-me do valor eterno dos teus decretos e isso consola-me.”
(Salmos 119:49-52)
Te convido a lembrar das promessas que Deus já fez pra sua vida. Tenha a certeza que cada uma delas irá se cumprir, porque Deus não é pego de surpresa, não cochila em Seu trono e nem nos deixou desamparados depois que terminou a Criação. Pelo contrário, Ele detém controle absoluto sobre cada detalhe da História.
Se as circunstâncias não são favoráveis, nada disso influencia no cumprimento das promessas. José ficou doze anos na prisão. Depois de ser ungido rei pelo profeta Samuel, Davi continuou sua vida de pastor de ovelhas (cf. 1 Samuel 16:1-13). Confie no Senhor, pois tudo se cumprirá no tempo dEle!
“Se a vitória não consegues enxergar
Espera no Senhor e confia
Espera, Ele vem, confia, Ele vem
E faz o milagre
Se é tão impossível, parece que não dá
Espera no Senhor e confia
Espera, Ele vem, confia, Ele vem
E faz o milagre
Oh Deus, eu vim aqui só pra te dizer
Que minha esperança está em ti
Que eu não tenho nada além
Nada além de ti
Mais nada além da promessa
Da sua promessa
Eu não tenho nada”
(Nada Além de Ti - Thalles Roberto)
(Referências bibliográficas: https://www.abiblia.org/ver.php?id=11954; https://www.maisrelevante.com.br/2018/05/a-estatua-do-sonho-de-nabucodonosor.html?m=1; http://www.koinonia.org.br/tpdigital/detalhes.asp?cod_artigo=336&cod_boletim=18)
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