ANTES DE ATOS 2 x DEPOIS DE ATOS 2

“Então, ao entardecer daquele dia, o primeiro da semana, os discípulos estavam reunidos a portas trancadas, por medo das autoridades judaicas. Jesus apareceu, pôs-se no meio deles e disse: ‘A paz seja convosco!’

Enquanto falava aos discípulos, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos ficaram muito alegres ao verem o Senhor.”

(João 20:19-20)


Preste atenção nesse contexto. Após a morte do Messias, os discípulos estavam reunidos a portas trancadas. Por que isso? Por que o pastor foi ferido e o rebanho foi dispersado, conforme profetizado pelo próprio Jesus?

Bom, os judeus esperavam, conforme a profecia, que o Messias sentasse no trono de Davi (de quem era descendente) e governaria Israel de maneira triunfante e gloriosa, expulsando os romanos da terra. Agora me diga: Messias morto é Messias? Como, se o Messias seria o rei vitorioso?

Vale ressaltar que eles não esperavam o próprio Filho de Deus. O Messias seria um homem, talvez um anjo, mas não o Verbo encarnado.

Portanto, é justificável a falta de esperança e medo que tomou conta dos discípulos naquele momento. Na cabeça deles, é como se os três anos de caminhada com Cristo tivessem sido um sonho. Bom, mas apenas um sonho. O Messias não estava no trono. Israel continuava a sob o jugo do Império Romano. O peso da religião permanecia nas costas do povo.

Ainda mais que, naquele cenário, os discípulos estavam ameaçados pelas autoridades romanas, pela elite religiosa judaica, pelo povo que gritou “crucifica-o” e por eles mesmos, que deviam estar se achando estúpidos por terem acreditado que o nazareno filho do carpinteiro era o Rei prometido.

Foi nesse cenário que Jesus apareceu, já ressurreto, e declarou: “Paz seja convosco!” Interessante, não? O que menos os discípulos tinham naquele momento era paz! Afinal, nós ligamos muito a nossa paz à fatores palpáveis, como por exemplo: se estou num lugar tranquilo, como numa praia ou granja, estou em paz; se estou com dinheiro no bolso e saúde em dia, estou em paz; se não está tendo guerra, também fico em paz. Todavia, a paz que Jesus dá não é a paz que o mundo dá. Não era a “Pax Romana”, que era a situação de aparente paz decretada pelo imperador. A paz que Jesus dá independe das circunstâncias. Ainda que tudo esteja um caos, a alma está calma. É por isso que Jesus ignorou a total falta de paz dos discípulos e declarou paz sobre eles.

É importante termos em mente que nada na Bíblia é por acaso. Se está lá, é porque há um motivo, há um propósito. Nesse sentido, prestemos atenção no detalhe que a Palavra nos dá: os discípulos estavam trancados a “portas fechadas”. Ou seja, a Palavra faz questão de nos dizer que eles estavam morrendo de medo! Aí chega Jesus e renova as esperanças, e orienta-os:


“E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.”

(Lucas 24:49)


O interessante é que Jerusalém era a capital, o epicentro da nação. Jesus manda os discípulos irem direto pra “boca do lobo”, onde o bicho estava pegando! E não é que eles foram? A promessa se cumpriu, e no livro de Atos vemos uma igreja em pleno crescimento:


“Eles perseveravam no ensino dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. E na alma de cada pessoa havia pleno temor, e muitos feitos extraordinários e sinais maravilhosos eram realizados pelos apóstolos. Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e bens, e dividiam o produto entre todos, segundo a necessidade de cada um. Diariamente, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o pão em suas casas e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração, louvando a Deus por tudo e sendo estimados por todo o povo. E, assim, a cada dia o Senhor juntava à comunidade as pessoas que iam sendo salvas.”

(Atos 2:42-47)


De medrosos, os discípulos tornaram-se mártires. De trancados a porta fechadas, eles saíram e proclamaram o Evangelho para o mundo. De feridos, eles se tornaram canais de cura, tanto para a alma quanto para o corpo, operando milagres.

Qual o segredo? Qual foi o ponto de inflexão? É simples:


“E todas as pessoas ali reunidas ficaram cheias do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, de acordo com o poder que o próprio Espírito lhes concedia que falassem.”

(Atos 2:4)


O segredo está no cumprimento da promessa de Jesus, de que eles seriam cheios do Espírito Santo. Existe um “antes de Atos 2 e um “depois de Atos 2”.

Aqueles homens não se tornaram corajosos do nada, do dia pra noite, ou porque comeram o espinafre do Popeye. Nada disso. O segredo foi que eles tiveram um encontro com Deus, foram revestidos do Seu poder e, portanto, capacitados para fazerem a obra.

Às vezes ficamos nos perguntando por que será que parecemos estagnados, por que nossa alma é paralisada pelo medo, angústia e outros sentimentos ruins, por que não fazemos as mesmas coisas que os heróis da fé fizeram. Ora, é simples novamente: porque não tivemos um encontro com Deus, não tivemos um Atos 2 na nossa vida como os discípulos tiveram na vida deles.

Tudo parecerá sem cor, sem vida e sem sentido enquanto Deus não estiver na equação. A voz do mundo será mais alta que a voz de Deus no nosso coração enquanto nossos olhos e ouvidos espirituais não forem abertos pelo Espírito Santo. Nos contentaremos em viver uma vida religiosa ao invés de entrar de cabeça em todas as maravilhas que a Bíblia diz que podemos viver enquanto não formos batizados com fogo.

Busque esse encontro, busque esse batismo hoje mesmo!


“Pedi, e vos será concedido; buscai, e encontrareis; batei, e a porta será aberta para vós.”

(Mateus 7:7)



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