LEMBRAR DA PROMESSA: CARTA NA MANGA PARA O DIA MAU

“Ora, José teve um sonho e o contou a seus irmãos, que passaram a nutrir ainda mais raiva dele.

José lhes havia dito: ‘Ouvi o sonho que tive! Pareceu-me que estávamos atando feixes nos campos, e eis que meu feixe se levantou e ficou em pé, e vossos feixes o rodearam e se prostraram diante do meu feixe’.

Seus irmãos lhe indagaram: ‘Queres acaso governar-nos como rei ou dominar-nos como senhor?’ E eles o odiaram ainda mais, por causa de seus sonhos e de suas intenções.

Depois José teve ainda um outro sonho, e o contou deste modo a seus irmãos: ‘Tive ainda outro sonho, desta vez o sol, a lua e onze estrelas se curvavam diante de mim!’

Assim que narrou o sonho a seu pai e seus irmãos, o pai repreendeu-o com estas palavras: ‘Que sonho foi esse que tiveste? Iríamos todos então, eu, a mãe de teus irmãos e cada um deles, prostrar-nos, rosto em terra, diante da tua presença?’

No mesmo instante, seus irmãos arderam em ciúmes dele; seu pai, contudo, passou a refletir sobre o que ouvira.”

(Gênesis 37:5-11)


Já parou pra pensar que, no dia seguinte que José teve os sonhos, nada mudou na sua vida? Ou melhor, tudo mudou sim... pra pior! O plano original dos irmãos era matar José, mas Rúben teve um pingo de bom senso e sugeriu que ele “apenas” fosse vendido como escravo. E assim foi feito. Trabalhou como escravo no Egito, longe da sua casa e da sua família. Ainda por cima, foi preso por um crime que não cometeu. Na cadeia, ajudou pessoas as quais se esqueceram dele depois. Somente cerca de uma década após os sonhos é que José tornou-se governador do Egito.

A história é conhecida, mas o que podemos aprender hoje? Irmãos e irmãs, temos que ter uma carta na manga pra quando os dias maus chegarem.

Vamos lá: é fato que os dias maus vão acontecer. É fato que passaremos pelo deserto, por provações. É fato que o Diabo vai cirandar a gente (cf. Lucas 22:31-32). Todavia, nestes dias, temos que ter uma carta na manga. José tinha a dele: a promessa de Deus.

Como você acha que José não desistiu de tudo quando se viu traído pelos próprios irmãos? Quando se viu preso injustamente? Quando viu que aquele a quem um dia estendeu a mão lhe virou as costas (o copeiro-mor a quem havia interpretado o sonho na prisão)? Porque José tinha uma carta na manga pra vencer os dias maus: a promessa. Quando o Diabo pensou que seria “Game Over” na vida de José, ele sacou a carta da manga: “Eu tenho promessa de Deus!”

Mas, cuidado! Quando você estiver passando pelos dias maus, nem todos terão palavras de ânimo com base nas promessas que Deus fez pra sua vida. Pelo contrário, há muitos “amigos de Jó” por aí que agem como verdadeiros ladrões da fé.


“Uma coisa que nós vamos precisar vencer para pisar no lugar do nosso destino é não dar ouvidos aos ladrões da fé. Isso é uma coisa tão importante pra nós, porque nós estamos cercados de pessoas e, querendo ou não, nós estamos tendo contatos e conversas constantemente com toda classe de pessoas, com pessoas que andam num nível de fé elevado e pessoas que não andam num nível de fé tão elevado, e nós estamos sendo bombardeados de informações. E esse ponto de não ser levado pelos ladrões da fé é mais ou menos você não ver o mundo pelos olhos dos outros.

Aquele povo que andou no deserto para entrar na terra do seu destino, na Terra Prometida, chegou a hora em que eles estavam naquela linha prontos para pisar, para atravessar o Jordão e chegar no lugar onde Deus tinha prometido. E Moisés mandou 12 espias pra chegar lá e ver a terra, e quando eles chegaram, olharam a terra e voltaram. Eu não sei quanto tempo isso demorou, mas eu acho que deve ter demorado um bocado. Mas, quando eles voltaram, eles chegaram com algumas informações, e 10 chegaram com a informação dizendo assim: ‘Mano, nós tamo lascado, porque o que tá rolando naquela terra é o seguinte: tem uns baita duns gigantes lá, e o bicho pegou pro nosso lado’. E 2 tiveram uma informação diferente: ‘Não, aquela terra é a terra que Deus prometeu, ela mana leite e mel! O que Deus nos prometeu pro nosso destino é verdade’. Mas 10 falaram diferente. 10 falaram que aquela terra era terra de gigantes. E aquelas 10 pessoas conseguiram influenciar três milhões, porque havia mais ou menos três milhões de pessoas peregrinando no deserto, e eles conseguiram influenciar de uma maneira negativa.

É impressionante como quando nós damos ouvidos ou quando nós vemos o mundo pelos olhos dos outros, nós começamos muitas vezes a perder o ‘time’, perder a fé, perder a caminhada.

Tá ligado que Deus te falou coisas muitas vezes peculiares, coisas tão íntimas e tão verdadeiras que pra você é tão simples, mas pra outros é tão complicado. Você tem que entender que você vai ter que conviver com pessoas que vão tentar muitas vezes roubar essa palavra que Deus te deu. Mas presta atenção: você pode escutar todos, mas você tem que dar ouvidos àquilo que é verdade para o seu destino.

Então, não dedique a sua vida a acreditar que essa terra que Deus te prometeu é uma terra de gigantes, mas é uma terra que mana leite e mel. Isso é um foco. Depende de como você olha, depende de onde você olha. Olhe da maneira correta.

Outra coisa que eu tenho entendido é que ficar na terra do apenas o suficiente e não pisar na terra da abundância, você pode até acalmar os seus medos, com a custa de perder a sua coroa. Você tem uma escolha pra sua vida: você viver na média (e viver na média é viver na mediocridade) e não enfrentar medos, ou você tem uma escolha de sair do suficiente e entrar na abundância.

Tem um cara que disse algo muito interessante que ‘o medo é a fé no Deus errado’. Então, quando nós estamos andando pelo campo do medo, isso tem levado a nossa fé a acreditar em coisas que não são legais pro nosso destino.

E nem tudo que aparentemente é ruim, é ruim. E nem tudo que acontece de ruim é tão ruim assim. Depende da ótica que você olha. Você quer ver uma história legal? Jesus está caminhando e de repente chega Pedro e fala assim: ‘Jesus, não vai pra cruz!’ Aí Jesus vira pra Pedro e fala assim: ‘Pra trás de mim, Satanás!’ Sabe, Jesus chamou Pedro de Diabo! Pedro era um cara tão bacana. Tudo que Jesus pedia pra Pedro fazer, Pedro ia lá e fazia. ‘Aí Pedro, tem um peixe ali, vai lá, pega a moeda da boca dele e paga o imposto’. ‘Aí Pedro, cata ali umas garrafa d’água e leva ali’. ‘Aí Pedro, vai pro cenáculo arrumar pra ceia’. Pedro cumpria tudo. Mas, de repente, Jesus vira pra Pedro e fala: ‘Pedro, você tá com o Diabo’. Agora, Jesus está no Getsêmani, chorando e suando sangue, e Ele levanta, e de repente vem Judas, e quando Judas vem, Jesus abre os braços e fala assim: ‘Amigo!’ Sabe, Judas estava vindo trair Jesus e Jesus chama ele de amigo. Por que? Porque o destino de Jesus era morrer numa cruz, e Pedro naquela hora queria tirar Jesus do seu destino, e Jesus chamou ele de Diabo. Mas Judas estava contribuindo pra Jesus chegar no seu destino, e Jesus chamou ele de amigo.

Existe circunstâncias e pessoas que Deus coloca na tua vida que você pensa que são inimigas do teu destino, mas na verdade elas estão te impulsionando pro seu destino. Nem todo vento contrário é inimigo nosso. Os verdadeiros navegadores aprendem a navegar em águas revoltas.

Então, segura firme, olha pra frente, porque os melhores dias da sua vida estão diante de você.”

(Dunamis Frames - Agentes do Destino - Gustavo Paiva)


Cuidado com os ladrões da fé! Talvez, quando José estava na prisão, ele desabafou com alguém: “Cara, Deus me prometeu que eu seria uma grande autoridade nessa Terra, e olha só onde eu estou”. Esse alguém poderia ter rido de sua cara: “Como é que é?! Deus falou que você seria o quê?! kkkkkk”. Mas José estava exatamente onde Deus queria que Ele estivesse. Ou você acha que Deus é pego de surpresa? A Bíblia diz: “Para fazer um sorteio são lançados os dados, mas toda decisão procede do SENHOR” (Provérbios 16:33). Não é sem motivo que a Palavra compara “decisão do Senhor” com a coisa mais aleatória do mundo: a sorte. Afinal, sorte é sorte. Quem ganha a Mega Sena pode ser qualquer um dos milhões de indivíduos que tentaram a sorte na loteria. Quando o árbitro lança a moeda antes do jogo de futebol começar, pode cair na cara ou coroa. Quando os dados são lançados, podem cair em qualquer número entre 1 e 6. Mas, até nas aparentes aleatoriedades, a decisão vem do Senhor - ou seja, pra nós pode parecer aleatório, mas o que aconteceu foi fruto da decisão divina!

Ah, e antes de você me julgar “você tá falando que foi Deus que permitiu que José passasse por aquelas poucas e boas porque não foi com você, sua teologia está equivocada”, deixa eu te dizer que foi o próprio José quem reconheceu que a mão de Deus estava em absolutamente tudo, desde o começo:


“Portanto, não foram vocês que me mandaram para cá, mas foi Deus. Ele me pôs como o mais alto ministro do rei. Eu tomo conta do palácio dele e sou o governador de todo o Egito.”

(Gênesis 45:8)


Ele não disse que foi o Diabo quem enviou ele pro Egito, sendo vendido como escravo. Ele não disse que foi obra do destino, ou que foi uma fatalidade. Não! José reconheceu que foi o próprio Deus!

Talvez não entendemos isso perfeitamente porque estamos acostumados a enxergar Deus apenas naquilo que a cultura a qual estamos inseridos considera como bom: apenas quando temos o carro do ano na garagem, apenas quando nossa conta bancária está com vários zeros, apenas quando nossa saúde está 100%.

Ei, vamos aprender a enxergar Deus no todo, e não apenas naquilo que nós queremos.


“Então o Senhor passou por ali e mandou um vento muito forte, que rachou os morros e quebrou as rochas em pedaços. Mas o Senhor não estava no vento. Quando o vento parou de soprar, veio um terremoto; porém o Senhor não estava no terremoto. Depois do terremoto veio um fogo, mas o Senhor não estava no fogo. E depois do fogo veio um sussurro calmo e suave.”

(1 Reis 19:11-12)


O povo hebreu estava acostumado com a grandiloquência de Deus: assim como relata o livro de Êxodo, eles viram fenômenos naturais, pragas, o mar se abrir, coluna de fogo, pão cair do céu, água sair da rocha. Depois, com Elias, ele viram fogo cair do céu. Porém, daquela vez, Deus não estava na grandiloquência, mas sim na brisa suave.

Continuando a falar de José... no início do texto eu dizia que, no dia seguinte aos sonhos de José, nada começou a acontecer como num passe de mágica. José não recebeu uma proposta pra se filiar no partido político do faraó, os astros não se alinharam ao seu favor, e nem o povo começou a reverenciá-lo. Como eu disse, além de coisas “ruins” acometerem a vida de José (e coloco “ruins” entre muitas aspas porque digo “ruins” na ótica humana, mas foram excelentes pra José porque o aproximaram do seu destino; foi por isso que Jesus chamou Pedro de “Satanás” e Judas de “amigo”, porque enquanto o primeiro queria afastá-lo da cruz - portanto, do seu destino -, o segundo o aproximou), somente cerca de uma década depois dos sonhos que eles se tornaram realidade.

Talvez nossa mente não entenda isso porque estamos acostumados com roteiros hollywoodianos. Pensa comigo: a média de duração dos filmes é de 1h30m. Portanto, não dá pra ficar enrolando muito. Num filme de super-herói, por exemplo, o cara ganha seus poderes (seja picado por um inseto ou numa explosão radioativa), e daqui a pouco ele já está com seu uniforme combatendo o mal. É tudo muito rápido. Talvez, esperávamos o mesmo de José: que logo depois de ele ter os sonhos tudo ia começar a acontecer numa linearidade incrível até ele sentar-se no trono.

Quando eu digo que a carta na manga de José era a promessa de Deus pra sua vida, é porque mesmo sem entender o plano de Deus de forma integral, ele já sabia a promessa, e isso bastava.

Ei, Deus não nos pede para entendermos tudo para depois confiar e caminhar. Ele pede pra nós confiarmos no que Ele já nos entregou e caminhar, porque no caminho vamos descobrindo mais coisas.

Como disse o escritor britânico C.S. Lewis: “O ir faz o caminho”.

E é bíblico:


“Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.”

(Oséias 6:3)


Trata-se de conhecer e prosseguir em conhecer. O conhecimento de Deus é dinâmico, e não estático. Então, da mesma forma, não podemos ficar parados esperando que a revelação será jogada por inteiro sobre nós. É uma jornada, como o peregrino do clássico literário de John Bunyan. É como o oleiro molda o vaso de barro, através do tempo, do processo. É como o homem que se dedica a conhecer a Deus, e leva uma vida inteira examinando as Escrituras, nutrindo uma vida de oração e intimidade com Ele.

Deus já tinha dado a José os sonhos, e aquilo bastava como combustível pra ele partir rumo ao seu destino. Da mesma forma que Deus mostrou pra Abraão as estrelas do céu e disse que sua descendência seria como elas. Deus não deu a José uma visão dele sentado no trono do Egito, e nem deu pra Abraão uma visão de todos os seus filhos e filhas. Não. Deus nos dá o necessário para iniciarmos a caminhada em confiança nEle, até mesmo porque se Ele mostrasse a história toda, talvez não acharíamos que dependemos dEle pra tudo se cumprir, pois já sabemos todo o processo até o final. Porém, como Ele mostra só um aperitivo, temos que caminhar em dependência e confiança, porque há momentos de adversidades, mas ainda assim temos que continuar confiando que tudo coopera para o nosso bem (cf. Romanos 8:28).

Alguns podem indagar: “Mas por que Deus mostrou o sonho a José? Provavelmente, José ficou mais confuso do que tudo, porque nada parecia cooperar para o cumprimento da promessa”. Como eu disse, Deus mostrou a promessa através dos sonhos para que José tivesse a carta na manga nos dias maus. Talvez, em certos momentos José ficou sem entender, mas lá na frente ele entendeu a proteção de Deus. É como Jesus falou pra Pedro: “Agora você não entende o que estou fazendo, porém mais tarde vai entender!” (João 13:7). Pedro não entendeu por que o Mestre estava lavando os pés dos próprios discípulos, um serviço destinado aos escravos da época. Mas, lá na frente, quando Pedro estava ajudando a liderar a Igreja, certamente ele entendeu esse princípio de liderança de Cristo. É por isso que Deus não prepara uma promessa pra nós, mas sim nos prepara para a promessa.

Lembra de José perdoando os irmãos dele? Assim como Jesus chamou Judas de “amigo” por ele aproximá-lo do seu destino (a cruz), José não guardou raiva dos irmãos porque eles o aproximaram do seu destino (ser governador do Egito).

Muitos ficam preocupados em contar os planos pras pessoas erradas e elas atuarem contra. Ei, tem um ditado que diz: “O que é do homem, o bicho não come”. Deus não perde o controle e nem é pego de surpresa. Até mesmo aqueles que parecem ser inimigos do seu destino, na verdade estão te impulsionando pra ele. As pedras lançados contra nossa vida servirão pra construir os degraus nos quais vamos subir para atingir o topo.

Dê ouvidos ao que Deus te falou, porque se Deus falou, já é uma realidade - pode ser que você não esteja enxergando essa realidade porque estamos presos no “chronos” (tempo cronológico), e nesse tempo só conseguimos ver o presente momento; mas Deus vê o “kairós” (tempo oportuno), portanto Ele já te vê lá na frente, vivendo tudo o que Ele planejou pra você.

Nos dias mais, use a carta na manga: lembre da promessa de Deus pra sua vida. Esse escudo da fé (fé que as promessas se cumprirão) te protegerá dos ataques do Inimigo e dos ladrões da fé.



(Referências bibliográficas: https://m.youtube.com/watch?v=pkRnYTR6Two)



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