NA COVA DOS LEÕES
“Daniel não subiu ao seu quarto para orar porque estava sendo ameaçado, ele foi orar porque era seu costume. Ele não orava três vezes ao mês ou ao ano, mas vemos hoje muitos cristãos que querem orar em sete dias aquilo que não oraram em sete anos quando percebem que o diabo levantou-se contra eles.
Somente teremos uma vida de oração eficaz e viva quando percebermos a aproximação de problemas e perigos terríveis. Mas na história de Daniel não foi assim. Ela nos mostra um homem que orava quando estava tudo bem e quando estava tudo mal: ‘Então aqueles homens foram investigar e encontraram Daniel orando, pedindo ajuda a Deus’ (v.11).
Como as pessoas têm nos encontrado? Somos pessoas de oração ou Deus terá de permitir problemas para que nossa vida de oração seja incrementada? O Senhor me deu uma frase sobre oração que mostra bem essa verdade: Nossas piores orações têm subido diante de Deus nos nossos melhores dias, mas para o Senhor ouvir nossas melhores orações, infelizmente, tem de ser nos nossos piores dias. E como Deus gosta de nos ouvir orando bonito, ele às vezes permite que o sofrimento se prolongue porque sabe que, uma vez resolvido nosso dilema, voltaremos a uma vida de oração medíocre ou inexistente.
(...)
O que tem feito você parar de orar? Quais têm sido as ameaças do diabo para que você pare? O rugido dos leões não fez Daniel parar de orar; na verdade, Deus fechou a boca dos leões na cova porque Daniel abriu a boca no quarto de oração! Muitos deixam para orar somente quando chegam à cova dos leões, mas cova não é lugar de orar, cova é lugar de adorar!
Creio que naquela noite Daniel não orou, simplesmente cantou, agradeceu a Deus e dormiu. Muitos de nós estamos dormindo no quarto de oração e por isso temos que nos desesperar quando chegamos à cova, mas Daniel orou, gemeu e clamou a Deus no quarto de oração, por isso, quando lançado na cova, pôde simplesmente observar o milagre do Senhor. Você não estará produzindo nada relevante na sua caminhada com Deus enquanto não tiver de pagar um preço por sua vida de oração. Como Daniel pagou um alto preço por insistir em orar, isso produziu grandes milagres.
Creio que naquela noite Daniel não orou, simplesmente cantou, agradeceu a Deus e dormiu. Muitos de nós estamos dormindo no quarto de oração e por isso temos que nos desesperar quando chegamos à cova, mas Daniel orou, gemeu e clamou a Deus no quarto de oração, por isso, quando lançado na cova, pôde simplesmente observar o milagre do Senhor. Você não estará produzindo nada relevante na sua caminhada com Deus enquanto não tiver de pagar um preço por sua vida de oração. Como Daniel pagou um alto preço por insistir em orar, isso produziu grandes milagres.
(...)
Há uma música da Banda Resgate que muito me inspira. Ela diz: ‘Se prostrar todo dia e provar ser fiel, se lançado na cova, sai ileso como Daniel!’. Que esse seja o refrão da nossa vida, fazendo da oração nosso mais louco hábito.”
(BARRETO, Lucinho. Loucos por Jesus de Joelhos)
Não quero construir uma teologia sadomasoquista, mas por experiência própria, concordo que nossas melhores orações tem subido nos nossos piores dias. Concordo também que “somente teremos uma vida de oração eficaz e viva quando percebermos a aproximação de problemas e perigos terríveis”. Mas eu concordo também que “na história de Daniel não foi assim”, porque se Daniel conseguiu atingir um nível de fé maior, nós também podemos chegar nesse lugar.
Vamos lá: creio que Deus permite que passemos por determinadas experiências para que tenhamos novas experiências com Ele. Como a cana de açúcar passa na moenda, passamos também pela moenda do Alto para que algo de bom seja extraído.
O pastor Gustavo Paiva escreveu:
“O que é mais valioso: um punhado de uva ou uma garrafa de vinho?
Tem momentos em nossas vidas que o Senhor permite que sejamos esmagados para o que é mais valioso apareça em nós!
O processo é um multiplicador de valor na matéria da vida.”
E isso aqui não é “teologia sadomasoquista”. É Bíblia.
“A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.
Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por causa de Cristo.”
(2 Coríntios 12:9-10)
Deus permite que passemos por momentos de dificuldades para que nós nos tenhamos mais satisfação nEle. Segundo John Piper: “Este é o propósito universal de Deus para todo o sofrimento cristão: mais contentamento nEle e menos satisfação no mundo”.
Porém, irmãos e irmãs, eu creio que há um outro lugar o qual podemos chegar, e me refiro ao nível de fé do profeta Daniel. As Escrituras relatam que o profeta nutria uma vida constante de oração, de maneira diária e plural. Mesmo sob cenários adversos, ele não abriu mão do lugar secreto. Logo, quando foi lançado na cova dos leões, presenciou o livramento de Deus.
Quando eu falo de chegar nesse nível de fé de Daniel, quero dizer: assim como Daniel não começou a orar desesperadamente apenas a partir do momento quando foi lançado na cova dos leões, também devemos aprender a manter uma vida de oração fervorosa quando tudo está bem e normal, e não apenas quando estamos na “cova dos leões” (isto é, com problemas, aflições, etc).
Creio que a permissão de Deus para que passemos por determinadas situações e sejamos esmagados como a uva é que, após o vinho ser extraído, possamos aprender que não é necessário que sejamos esmagados para que o vinho saia de nós, mas assim como Jesus nas bodas de Caná (cf. João 2:1-11), sempre temos o melhor vinho em mãos.
Cito outra frase do pastor Gustavo Paiva:
“Quem vive pelo livramento, perde a missão. Mas quem vive pela missão sempre terá livramento.”
Daniel não abriu mão de sua missão de manter uma vida de oração (não apenas para si, mas para todo um povo) em prol do livramento (não ser condenado por causa do decreto que proibia orar). Por isso é que ele foi livrado da cova dos leões.
Imagina só, Daniel estava tranquilo no meio de uma cova cheia de leões famintos! Como pode?! Ora, da mesma forma que Paulo e Silas adoraram o Senhor mesmo dentro de uma prisão.
Por que isso? O presbítero inglês Charles Spurgeon responde:
“A soberania de Deus é o travesseiro sobre o qual os filhos de Deus repousam a cabeça à noite, dando-lhes paz perfeita.”
Daniel, Paulo e Silas conseguiram dormir tranquilamente e ainda orar e adorar porque sabiam o Deus que cuidava deles. Eles tinham a paz que excede todo o entendimento.
Irmãos e irmãs, falar dessa paz que excede todo o entendimento é magnífico. O fato é que nós, seres humanos, temos dificuldade de crer sem ver. Assim como o povo hebreu construiu um bezerro de ouro (cf. Êxodo 32) para ter uma visualização do Deus adorado, também gostamos de visualizar, tocar, sentir. E aqui não estou me referindo especificamente a uma imagem como no caso do bezerro, que não tinha nada a ver com o Deus de Israel, mas sim por exemplo quando não confiamos na proteção do Senhor porque não estamos vendo Ele em pé do nosso lado como um guarda-costas, e portanto preferimos visualizar a segurança aparente, ao invés de confiar no Seu cuidado.
A paz que excede todo o entendimento não é pra ser entendida, calculada, provada. Qual lógica tinha em Daniel continuar acreditando na proteção de Deus quando ele olhava pro lado e via leões rugindo em sua direção? Qual lógica tinha em Paulo e Silas manterem o alto astral quando estavam algemados? É simples: porque a paz que eles tinham excedia todo o entendimento.
Téo Hayashi, líder do Dunamis Movement, diz:
“Todo mundo quer ter a paz de Deus. Você quer ter a paz de Deus, eu quero ter a paz de Deus. Só que essa paz de Deus que Paulo menciona em Filipenses 4:7 diz que é uma paz que excede todo o entendimento.
Quando você é refém do teu próprio entendimento pra ter tranquilidade na vida, quando você é refém do teu próprio entendimento pra ter paz e alegria, você não está acessando uma paz de Deus, você está acessando uma paz racional, você está acessando uma paz do ser humano!
A paz de Deus excede todo o entendimento. É justamente essa paz que te espera quando você abre mão daquilo que está no teu controle e você é guiado pelo Espírito a lugares onde o teu entendimento não acompanha a tua obediência. Quando você chega naquele lugar, você então tem a paz de Deus.”
Imagina só: se Daniel conseguisse dormir tranquilo na cova apenas quando os leões fossem atingidos com soníferos, de modo a ficarem adormecidos, essa tranquilidade de Deus seria proveniente da paz de Deus ou de uma paz racional pela aparente segurança que ele estava vendo? Se Paulo e Silas adorasse ao Senhor apenas quando a porta da cela estivesse aberta, a paz deles seria proveniente de Deus ou do que eles estavam vendo?
Isso não significa, por exemplo, que devemos atravessar a rua sem olhar ou dirigir sem cinto de segurança porque Deus está cuidando de nós. Não é nada disso. Significa que temos consciência de que só estamos respirando porque Deus cuida de nós, e tivemos livramentos porque a mão dEle estava sobre nossas vidas.
Diz a Palavra:
“Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela.”
(Salmos 127:1)
Ou seja, a Bíblia não condena que a segurança humana/física exista (como os sentinelas que vigiavam a cidade), mas nos ensina que toda a proteção e livramento vem do Senhor.
Confie em Deus, tenha a sua paz no fato de que Ele jamais perde o controle e, se Ele sabe quantos fios de cabelo tem na sua cabeça, quanto mais cuida da sua vida e dos seus passos!
Como o Gustavo Paiva foi bastante citado, finalizo o texto com uma frase de sua autoria:
“Muitos me perguntam: como conviver com tantas críticas? Eu respondo: aprendi a viver na cova dos leões.
Se Deus achar justiça em mim, Ele me livrará. Se Ele não achar, Ele me exortará.
Mas ninguém pode, além de Deus e de sua Palavra, ver a verdade de um coração.”
(Referência bibliográfica: https://www.instagram.com/p/Car-jKVOALh/?igshid=YmMyMTA2M2Y=)
— Se você gosta desse trabalho, CONTRIBUA através do PIX: supercrenteofc@gmail.com

Comentários
Postar um comentário