O GOVERNO DO REI SALOMÃO: COMÉRCIO (Parte II)
A atividade comercial era o ponto forte do reinado de Salomão. Ele controlou rotas de comércio e estabeleceu pontos estratégicos de atuação que lhe renderam muita receita, de modo que a prata tornou-se tão comum em seu reino quanto a pedra e o cedro, fazendo com que ele vivesse em meio a um esplendor de riquezas nunca visto antes em Israel. Salomão conseguiu boa receita através das taxas cobradas das caravanas que precisavam cruzar seu território.
O controle de rotas comerciais foi essencial para o êxito de Salomão nesse âmbito. A mais importante das alianças feita por Salomão, foi estabelecida com Tiro (“Quando Hirão, rei de Tiro, soube que Salomão fora ungido rei em lugar de seu pai, enviou-lhe os seus servos, pois Hirão fora sempre amigo de Davi.” - 1 Reis 5:1-12), já efetivada por Davi e agora renovada.
Conforme Jhon Bright afirma: “Tiro, reconstruída pelos fenícios sidônios no século décimo, foi a capital de um Estado que, naquele tempo, controlava todo litoral sul da Fenícia. As expansões marítimas dos fenícios para o oeste estavam em pleno apogeu; pelo final do século, havia colônias em Chipre e na Sardenha, onde exploravam minas de cobre, e provavelmente na Espanha e no Norte da África. A aliança resultou em uma troca de benefícios mútuos, inclusive para seus projetos e novos caminhos de comercio e indústria”.
A atuação comercial que trouxe mais lucro para o rei Salomão foi seu comércio marítimo, onde seus barcos navegavam pelo Mar Vermelho, no Oceano Índico, chegando até Ofir. Tais viagens poderiam durar até três anos.
Sob o domínio de Salomão, Israel não incorporou formalmente, sob jurisdição, as terras que estavam fora de suas fronteiras tradicionais. Salomão herdou de Davi um complexo de províncias constituído em reinos e estado imediatamente contíguo a Israel.
Como províncias, tais áreas não eram consideradas partes integrais da terra, mas, apesar disso, perdiam soberania nacional e ficavam sob o controle de Salomão, por meio de governadores ou outros subordinados. As províncias eram obrigadas a pagar tributos e taxas, e esperava-se delas que defendessem Israel contra hostilidades externas. Em troca, podiam esperar a proteção e os benefícios do governo central.
A terceira esfera de influência política, e a que melhor define o termo “Império”, tornando-o aplicável ao Israel de Salomão, foi o complexo de Estados vassalos mais distantes e menos rígidos. Essas nações clientes, incluindo Zoba, Hamate, Arábia e a Filisteia, foram trazidas para debaixo do domínio de Israel por meio da diplomacia internacional ou mediante a força militar. Contudo, seja por um ou outro meio, tais Estados vassalos possuiam certo grau de autonomia, incluindo governantes nativos e política fiscal interna. Eram obrigados a reconhecer a suserania do rei de Israel, providenciar os pagamentos das taxas de bens e serviços ao rei em datas definidas em um calendário e, acima de tudo, manter a lealdade ao governo central em quaisquer circunstâncias, especialmente em tempos de guerra. Salomão, o grande rei, responsabilizava-se por defender as áreas do seu império e fornecer apoio quando necessitassem.
A política imperial de Salomão também incluía uma rede de tratados de mútuo benefício com potências próximas e mesmo distantes de seu reino, com quem ele se ligaria em termos de amizade e cooperativismo. Esses tratados reconheciam a igualdade das partes contratantes e normalmente continham provisões para mútua defesa, comércio, tráfego livre, extradição ou semelhante. Nenhum dos governantes estava subordinado ao outro, e as provisões acordadas beneficiaram ambas as partes.
Tiro providenciou homens e materiais para os vultosos projetos de construção de Salomão, ao passo que Israel enviou a Hirão navios cheios de alimentos. Mais tarde Salomão cedeu vinte cidades da Galileia a Hirão. Embora Hirão não houvesse ficado satisfeito, pagou ainda assim 120 talentos de ouro por elas (“Tendo-lhe Hirão, rei de Tiro, fornecido madeira de cedro e de cipreste, e também ouro, o quanto ele quis, Salomão deu a Hirão vinte cidades da Galileia.” - 1 Reis 9:10-14).
Os fenícios, sem dúvida como uma expressão da validade de seu tratado, também supriram Israel com marinheiros para a marinha mercante israelita (1 Reis 9:26-28). Eles foram os grandes navegadores da Antiguidade e os criadores do alfabeto. Fenícia corresponde atualmente ao Líbano.
Os fenícios, um povo de origem semita, estabeleceram-se em 3000 a.C., numa área estreita, com aproximadamente 40 km de largura, entre as montanhas do Líbano e o Mar Mediterrâneo.
Dispunham de poucas terras férteis para o desenvolvimento das atividades agrícola ou pastoril, mas contavam com um extenso litoral. Devido a essas características geográficas, que facilitavam mais o contato com o exterior, os fenícios dedicaram-se às atividades marítimas, sendo considerados os maiores navegadores da Antiguidade. Grandes comerciantes comerciavam todos os tipos de mercadorias, inclusive escravos.
Entre os séculos X e VIII a.C., Tiro tornou-se a cidade mais importante pelo sucesso de sua vida comercial e marítima e pelo acúmulo de grandes riquezas, como ouro, marfim, pedras preciosas, perfumes, tapetes, etc. Foi nesse período que a Fenícia viveu seu maior desenvolvimento.
A maior parte dos produtos exportados pelos fenícios era feita nas oficinas dos artesãos, que se dedicavam à: metalurgia (armas de bronze e ferro, joias de ouro e prata, etc.); fabricação de vidros; fabricação de tecidos finos na cor púrpura (tintura obtida com uma substância avermelhada extraída do múrice; molusco do Mediterrâneo).
Os fenícios foram os criadores do alfabeto de 22 consoantes. Este alfabeto foi a base para o alfabeto grego, ao qual foram acrescentadas cinco vogais.
Inspirado pela expansão Marítima dos fenícios e com sua ativa cooperação, Salomão procurou desenvolver atividades similares pelo Mar Vermelho, para o sul, onde obteve ajuda de armadores fenícios. Ele construiu uma frota mercante em Asiongaber e, tripulando-a com marinheiros fenícios, trouxeram para Salomão os produtos ricos e exóticos do sul: ouro e prata, madeiras raras, joias, marfim e, para seu divertimento real, macacos. Essas viagens duravam em torno de um ano.
Salomão também estava interessado no comércio terrestre com o sul, tanto que ocorreu a visita da rainha de Sabá (“A rainha de Sabá, tendo ouvido falar de Salomão e da glória do Senhor, veio prová-lo com enigmas.” - 1 Reis 10:1-10.13), um acontecimento que de nenhum modo pode ser considerado como lendário.
Sua estratégica posição, transversal às rotas das caravanas do nordeste de Hadramaut, em direção à Palestina e a Mesopotâmia, permitiu que dominasse o comércio de especiarias e incenso, pelo qual o sudoeste da Arábia era famoso. Explorando o grande uso de transportes de camelo, estavam começando uma expansão comercial, que em séculos subsequentes, resultariam numas hegemonias comerciais que ia muito além da Arábia.
Por isso a visita da rainha de Sabá, pois Salomão não controlava apenas os terminais do norte das rotas comerciais; suas aventuras marítimas tinham levado a uma competição direta com o incipiente comércio das caravanas, estimulando a rainha de Sabá a agir em seu interesse. Ela trouxe amostras de suas mercadorias como ouro, joias e especiarias, sendo que conseguiu um acordo, no qual as taxas e impostos do comércio da Arábia jorraram no tesouro de Salomão (“Chegou a Jerusalém com uma numerosa comitiva, com camelos carregados de aromas, e uma grande quantidade de ouro e pedras preciosas.” - 1 Reis 10:2).
Grandes partes dos carregamentos dos navios de Salomão consistiam em cobre a sua disposição para a exportação. Isso pode ser deduzido pelo fato desses navios de serem chamados de navios “tarshish” (“O rei tinha no mar navios de Társis, que acompanhavam a frota de Hirão. De três em três anos, a frota de Társis trazia ouro, prata, marfim, macacos e pavões.” - 1 Reis 10:22), que eram grandes veleiros de alto mar, como os construídos pelos fenícios para o transporte de cobre em lingotes das minas e refinarias de Chipre e Sardenha. A fonte de cobre de Salomão até hoje é um mistério.
Suas transações se fazem conhecidas por meio de 1 Reis 10:28: “Vinham do Egito os cavalos de Salomão; uma caravana de mercadores do rei ia comprá-los ali por um preço estabelecido”. Um carro de guerra era comercializado e entregue do Egito por seiscentos siclos de prata, e um cavalo da Cilícia por cento e cinquenta. E, assim, as suas mercadorias (carros e cavalos) eram entregues por meio de sua agência (isto é, dos mercadores de Salomão) a todos os reis dos hititas e de Aram.
Salomão se entranhou nisso durante a formação de seu exército. Grandes quantidades de carros e cavalos eram necessários. Como Israel não possuía recursos para fabricar carros, nem criavam cavalos, importavam ambos.
Desde o início do império, o Egito tinha produzido os melhores carros de guerra, e Cilícia era famosa, desde tempos remotos, como a terra dos melhores cavalos. Percebendo que controlava todas as rotas de comércio entre o Egito e a Síria, Salomão tornou-se o intermediário de um grande e lucrativo comercio cujas condições eram: cavalos cilícios e carros de guerra egípcios só poderiam ser obtidos por meio do comércio de Salomão. Este era um monopólio real, o qual podemos ter certeza de que trouxe a Salomão um lucro considerável.
Sem dúvidas Salomão trouxe muita prosperidade ao povo de Israel e enriqueceu o País. Ele mesmo, enriquecido pelo lucro de seu monopólio comercial e industrial e pelos bens da coroa, tornou-se extremamente rico. O nível de vida do país como um todo também se elevou consideravelmente. Os seus projetos, apesar de monopólios estatais, geraram muitos empregos a milhares e estimulou a outros de empresas privadas, elevando assim a capacidade aquisitiva da nação inteira, trazendo uma prosperidade geral. Jerusalém cresceu além de suas antigas muralhas, e muitas outras foram construídas.

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