O GOVERNO DO REI SALOMÃO: DIPLOMACIA (Parte III)
O rei Salomão foi um grande diplomata, e utilizou até mesmo os seus casamentos para conseguir vantajosos acordos internacionais para sua nação, fazendo com que durante todo o seu reinado, raramente Israel precisasse se preocupar com alguma ameaça militar.
O primeiro acordo comercial de Salomão foi com Hirão, rei de Tiro. Nele, Salomão pagava anualmente algo equivalente a 2.000 toneladas de trigo e 400 mil litros de azeite de oliva puro, em troca de madeira e marmoreiros para suas construções.
O rei Salomão também firmou um contrato com comerciantes do Egito para o comércio de cavalos e carros, e, por sua vez, os exportava aos heteus e sírios obtendo bom lucro (1Rs 10:28ss).
Embora seu reino não fosse completamente pacifico, sabemos que Salomão não chegou a comandar sérias operações militares. Sua tarefa não era mais expandir o reino, que havia chegado a dimensão máxima no reinado de Davi, mas de manter relações amigáveis, externamente e com seus próprios vassalos (nações que foram trazidas para debaixo do domínio de Israel por meio de diplomacia ou força militar, a exemplo de Zobá, Hamate, Arábia e Filístia), de modo que Israel pudesse desenvolver suas potencialidades em paz. E ele procurou fazê-lo, por meio de um judicioso programa de alianças.
Uma vez que muitas delas seladas por casamento, numerosas nobres estrangeiras foram trazidas para o harém de Salomão (“A estas nações uniu-se Salomão por seus amores. Teve setecentas esposas de classe principesca e trezentas concubinas. E suas mulheres perverteram-lhe o coração.” - I Reis 11:1-3); o próprio príncipe da coroa foi descente de tal união (“Roboão, filho de Salomão, reinou sobre Judá. Tinha quarenta e um anos quando começou a reinar, e reinou dezessete anos em Jerusalém, a cidade que o Senhor escolheu entre todas as tribos de Israel para ali estabelecer o seu nome. Sua mãe chamava-se Naama, a Amonita.” - 1 Reis 14:21).
A mais notável esposa de Salomão foi a filha de faraó do Egito (provavelmente Siamun, antepenúltima da Vigésima Primeira Dinastia), que como convinha à sua classe, recebeu tratamento privilegiado. Está escrito que Faraó tomou e destruiu a cidade canaanita de Gazer e a entregou a sua filha como dote, dando consequentemente a Salomão um modesto acréscimo a seu território.
Difícil é imaginar Faraó empreendendo tão longa e árdua campanha somente para conquistar uma cidade para um rei israelita. Pode-se dizer que, após a morte de Davi, o faraó tivesse a esperança de restabelecer o domínio egípcio na Palestina e para esses fins tivesse levantado uma campanha contra as cidades dos filisteus (sobre as quais pretendia soberania), mas tendo-se defrontado com as tropas mais fortes do que imaginara, nos moldes do exército de Salomão, foi mais sábio a entregar a concessão territorial e proclamar a paz, pois os faraós do Império não davam suas filhas nem mesmo ao reis da Babilônia ou Mitanni.
Em suma, para o rei Salomão o casamento fazia parte de sua estratégia política, ou seja, ele firmava muitas alianças através de seus casamentos. Foi assim que ele atingiu o impressionante número de 700 esposas além de 300 concubinas.
Entretanto, a mais importante das alianças feita por Salomão foi estabelecida com Tiro (“Quando Hirão, rei de Tiro, soube que Salomão fora ungido rei em lugar de seu pai, enviou-lhe os seus servos, pois Hirão fora sempre amigo de Davi.” - 1 Reis 5:1-12), já efetivada por Davi e agora renovada.
“Tiro, reconstruídas pelos fenícios sidônios no século décimo, foi a capital de um Estado que, naquele tempo, controlava todo litoral sul da Fenícia. As expansões marítimas dos fenícios para o oeste estavam em pleno apogeu; pelo final do século, havia colônias em Chipre e na Sardenha, onde exploravam minas de cobre, e provavelmente na Espanha e no Norte da África. A aliança resultou em uma troca de benefícios mútuos, inclusive para seus projetos e novos caminhos de comercio e indústria”, destaca Jhon Bright.
Apesar de não ser guerreiro, Salomão estava longe de ser um inexperiente em matéria de conhecimento militar. Ao contrário, ele manteve a segurança e desencorajou a agressão, mandando construir um exército ativo, que poucos ousariam desafiar. As principais cidades foram fortificadas e transformadas em bases militares (1 Reis 9:15-19). Essas incluíam, além da própria Jerusalém, uma cadeia de cidades ao longo do perímetro do centro das terras israelitas: Hasor, na Galileia; Meguido; Gazer e Tamar. Disposto nesses pontos, o exército de Salomão podia ser rapidamente reunido para defender-se contra invasões, dominar pequenas revoluções internas ou agir contra vassalos rebeldes.
Além disso, Salomão reforçou seu exército, desenvolvendo o carro de combate em um nível nunca alcançado antes. Até o reinado de Davi, Israel nunca tinha usado o carro de combate, em parte porque era de pouca utilidade em seus territórios irregulares, em parte porque seu uso pressupunha uma aristocracia militar que Israel não possuía. Mas as cidades-estados canaanitas, que foram por essa época absorvidas por Israel, sempre tinham usado carro de combate; evidentemente, Salomão adotou a ideia e explorou-a com entusiasmo. Temos conhecimento que possuía quatro mil estábulos para seus cavalos, mil e quatrocentos carros de combate e doze mil homens para dirigi-los. Dispôs essa força militar nas bases acima mencionadas. Significava que Salomão mantinha um considerável exército permanente. É possível que ele nunca recorresse às tribos para fim de recrutamento.
O fortalecimento da segurança pública é ilustrado pelo abandono da prática de armazenar cereais em cavidades dentro das muralhas da cidade. Porém, o mais notável dos projetos de Salomão estava situado na própria Jerusalém, além de instalações militares e outras obras.
A gloria de Salomão não se constituía só de bens materiais, porque se fez acompanhar por um extraordinário florescimento cultural. Havia também atividade genuinamente literária, em Israel e em outros lugares, provavelmente centrada no templo. Homens naturalmente são impelidos a relatar os acontecimentos do passado, e os israelitas certamente porque sua fé se radicava em eventos históricos, portanto tinham um sentimento peculiar a história. Começaram, então, a produzir, e na mais clara das prosas, uma literatura de caráter histórico, sem par no mundo antigo.
A música e a Salmodia também floresceu, principalmente quando Salomão investiu largamente os recursos do Estado no novo templo, enriquecendo seu culto de várias maneiras (“Com este sândalo fez o rei balaustradas para o templo do Senhor, assim como harpas e flautas para os músicos do palácio real.” - 1 Reis 10:12). A música israelita, sob influência fenícia, provavelmente alcançou logo níveis de excelências iguais aos nossos dias.
A sabedoria também se desenvolveu. A Bíblia descreve Salomão como um homem sábio (“Eu não quis acreditar no que me diziam, antes de vir aqui e ver com os meus próprios olhos. Mas eis que não contavam nem a metade: tua sabedoria e tua opulência são muito maiores do que a fama que havia chegado até mim.” - 1 Reis 3:4-28; 10:7) que também gozava de fama internacional como autor de provérbios. E é razoável afirmar que a tradição de sabedoria de Israel, da qual o Livro dos Provérbios é a essência, começou a florescer nesta época. Pouca razão para duvidar de que a sabedoria tenha florescido em Israel no século décimo, provavelmente por meio de mediação canaanita, e cultivada na corte de Salomão.
Apesar de encerrar sua vida de forma melancólica, deixando um reino desgastado e prestes a ruir, o rei Salomão fez contribuições importantíssimas para Israel, sendo aquele que construiu o Templo, o que colocou Israel no cenário internacional e foi o principal autor da literatura de sabedoria hebraica.
Também é importante mencionar que toda a glória e esplendor do reino de Salomão tipificou o reino eterno do Messias, de forma que o Salmo 72, num frequente uso de linguagem hiperbólica, ao mesmo tempo em que se refere ao rei humano também prenuncia o Cristo.
(Referências bibliográficas: https://www.webartigos.com/artigos/o-governo-do-rei-salomao-o-desenvolvimento-de-israel-as-obras-publicas-e-o-fracasso-do-seu-reinado/101887; https://estiloadoracao.com/quem-foi-o-rei-salomao/)
O primeiro acordo comercial de Salomão foi com Hirão, rei de Tiro. Nele, Salomão pagava anualmente algo equivalente a 2.000 toneladas de trigo e 400 mil litros de azeite de oliva puro, em troca de madeira e marmoreiros para suas construções.
O rei Salomão também firmou um contrato com comerciantes do Egito para o comércio de cavalos e carros, e, por sua vez, os exportava aos heteus e sírios obtendo bom lucro (1Rs 10:28ss).
Embora seu reino não fosse completamente pacifico, sabemos que Salomão não chegou a comandar sérias operações militares. Sua tarefa não era mais expandir o reino, que havia chegado a dimensão máxima no reinado de Davi, mas de manter relações amigáveis, externamente e com seus próprios vassalos (nações que foram trazidas para debaixo do domínio de Israel por meio de diplomacia ou força militar, a exemplo de Zobá, Hamate, Arábia e Filístia), de modo que Israel pudesse desenvolver suas potencialidades em paz. E ele procurou fazê-lo, por meio de um judicioso programa de alianças.
Uma vez que muitas delas seladas por casamento, numerosas nobres estrangeiras foram trazidas para o harém de Salomão (“A estas nações uniu-se Salomão por seus amores. Teve setecentas esposas de classe principesca e trezentas concubinas. E suas mulheres perverteram-lhe o coração.” - I Reis 11:1-3); o próprio príncipe da coroa foi descente de tal união (“Roboão, filho de Salomão, reinou sobre Judá. Tinha quarenta e um anos quando começou a reinar, e reinou dezessete anos em Jerusalém, a cidade que o Senhor escolheu entre todas as tribos de Israel para ali estabelecer o seu nome. Sua mãe chamava-se Naama, a Amonita.” - 1 Reis 14:21).
A mais notável esposa de Salomão foi a filha de faraó do Egito (provavelmente Siamun, antepenúltima da Vigésima Primeira Dinastia), que como convinha à sua classe, recebeu tratamento privilegiado. Está escrito que Faraó tomou e destruiu a cidade canaanita de Gazer e a entregou a sua filha como dote, dando consequentemente a Salomão um modesto acréscimo a seu território.
Difícil é imaginar Faraó empreendendo tão longa e árdua campanha somente para conquistar uma cidade para um rei israelita. Pode-se dizer que, após a morte de Davi, o faraó tivesse a esperança de restabelecer o domínio egípcio na Palestina e para esses fins tivesse levantado uma campanha contra as cidades dos filisteus (sobre as quais pretendia soberania), mas tendo-se defrontado com as tropas mais fortes do que imaginara, nos moldes do exército de Salomão, foi mais sábio a entregar a concessão territorial e proclamar a paz, pois os faraós do Império não davam suas filhas nem mesmo ao reis da Babilônia ou Mitanni.
Em suma, para o rei Salomão o casamento fazia parte de sua estratégia política, ou seja, ele firmava muitas alianças através de seus casamentos. Foi assim que ele atingiu o impressionante número de 700 esposas além de 300 concubinas.
Entretanto, a mais importante das alianças feita por Salomão foi estabelecida com Tiro (“Quando Hirão, rei de Tiro, soube que Salomão fora ungido rei em lugar de seu pai, enviou-lhe os seus servos, pois Hirão fora sempre amigo de Davi.” - 1 Reis 5:1-12), já efetivada por Davi e agora renovada.
“Tiro, reconstruídas pelos fenícios sidônios no século décimo, foi a capital de um Estado que, naquele tempo, controlava todo litoral sul da Fenícia. As expansões marítimas dos fenícios para o oeste estavam em pleno apogeu; pelo final do século, havia colônias em Chipre e na Sardenha, onde exploravam minas de cobre, e provavelmente na Espanha e no Norte da África. A aliança resultou em uma troca de benefícios mútuos, inclusive para seus projetos e novos caminhos de comercio e indústria”, destaca Jhon Bright.
Apesar de não ser guerreiro, Salomão estava longe de ser um inexperiente em matéria de conhecimento militar. Ao contrário, ele manteve a segurança e desencorajou a agressão, mandando construir um exército ativo, que poucos ousariam desafiar. As principais cidades foram fortificadas e transformadas em bases militares (1 Reis 9:15-19). Essas incluíam, além da própria Jerusalém, uma cadeia de cidades ao longo do perímetro do centro das terras israelitas: Hasor, na Galileia; Meguido; Gazer e Tamar. Disposto nesses pontos, o exército de Salomão podia ser rapidamente reunido para defender-se contra invasões, dominar pequenas revoluções internas ou agir contra vassalos rebeldes.
Além disso, Salomão reforçou seu exército, desenvolvendo o carro de combate em um nível nunca alcançado antes. Até o reinado de Davi, Israel nunca tinha usado o carro de combate, em parte porque era de pouca utilidade em seus territórios irregulares, em parte porque seu uso pressupunha uma aristocracia militar que Israel não possuía. Mas as cidades-estados canaanitas, que foram por essa época absorvidas por Israel, sempre tinham usado carro de combate; evidentemente, Salomão adotou a ideia e explorou-a com entusiasmo. Temos conhecimento que possuía quatro mil estábulos para seus cavalos, mil e quatrocentos carros de combate e doze mil homens para dirigi-los. Dispôs essa força militar nas bases acima mencionadas. Significava que Salomão mantinha um considerável exército permanente. É possível que ele nunca recorresse às tribos para fim de recrutamento.
O fortalecimento da segurança pública é ilustrado pelo abandono da prática de armazenar cereais em cavidades dentro das muralhas da cidade. Porém, o mais notável dos projetos de Salomão estava situado na própria Jerusalém, além de instalações militares e outras obras.
A gloria de Salomão não se constituía só de bens materiais, porque se fez acompanhar por um extraordinário florescimento cultural. Havia também atividade genuinamente literária, em Israel e em outros lugares, provavelmente centrada no templo. Homens naturalmente são impelidos a relatar os acontecimentos do passado, e os israelitas certamente porque sua fé se radicava em eventos históricos, portanto tinham um sentimento peculiar a história. Começaram, então, a produzir, e na mais clara das prosas, uma literatura de caráter histórico, sem par no mundo antigo.
A música e a Salmodia também floresceu, principalmente quando Salomão investiu largamente os recursos do Estado no novo templo, enriquecendo seu culto de várias maneiras (“Com este sândalo fez o rei balaustradas para o templo do Senhor, assim como harpas e flautas para os músicos do palácio real.” - 1 Reis 10:12). A música israelita, sob influência fenícia, provavelmente alcançou logo níveis de excelências iguais aos nossos dias.
A sabedoria também se desenvolveu. A Bíblia descreve Salomão como um homem sábio (“Eu não quis acreditar no que me diziam, antes de vir aqui e ver com os meus próprios olhos. Mas eis que não contavam nem a metade: tua sabedoria e tua opulência são muito maiores do que a fama que havia chegado até mim.” - 1 Reis 3:4-28; 10:7) que também gozava de fama internacional como autor de provérbios. E é razoável afirmar que a tradição de sabedoria de Israel, da qual o Livro dos Provérbios é a essência, começou a florescer nesta época. Pouca razão para duvidar de que a sabedoria tenha florescido em Israel no século décimo, provavelmente por meio de mediação canaanita, e cultivada na corte de Salomão.
Apesar de encerrar sua vida de forma melancólica, deixando um reino desgastado e prestes a ruir, o rei Salomão fez contribuições importantíssimas para Israel, sendo aquele que construiu o Templo, o que colocou Israel no cenário internacional e foi o principal autor da literatura de sabedoria hebraica.
Também é importante mencionar que toda a glória e esplendor do reino de Salomão tipificou o reino eterno do Messias, de forma que o Salmo 72, num frequente uso de linguagem hiperbólica, ao mesmo tempo em que se refere ao rei humano também prenuncia o Cristo.
(Referências bibliográficas: https://www.webartigos.com/artigos/o-governo-do-rei-salomao-o-desenvolvimento-de-israel-as-obras-publicas-e-o-fracasso-do-seu-reinado/101887; https://estiloadoracao.com/quem-foi-o-rei-salomao/)
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