O GOVERNO DO REI SALOMÃO: GRANDES OBRAS (Parte IV)

Davi, antes de falecer, entregou a Salomão o desenho (planta) do Templo, juntamente com os pesos e medidas de cada objeto que iria ser utilizado. Também deixou especificadas instruções sobre o trabalho dos sacerdotes e dos levitas (encarregados do louvor), e tudo isso foi feito seguindo à risca todas as instruções que Deus havia deixado. O rei Davi também deu conselhos para que Salomão fosse forte e guardasse os mandamentos de Deus.

O Templo seria o local que guardaria a Arca da Aliança e os objetos sagrados. Também era importante no âmbito político, pois simbolizava a unidade nacional, sendo que o povo hebreu precisava estar unido e a melhor forma de uni-lo era através da religião. O Templo congregaria pessoas de várias partes e simbolizaria a presença do Deus de Israel no meio do seu povo. O povo de Israel ficaria ao redor do Templo adorando, bendizendo, fazendo petições e holocaustos a Deus.

O Templo seria edificado em Jerusalém no monte Moriá. A construção foi iniciada no segundo dia do segundo mês do quarto ano do reinado de Salomão (2 Crônicas 4:2). Salomão obtinha um firme controle do reino, e voltou-se para o extenso programa de construção do templo. Hirão passou a fornecer madeiras para a construção, conforme havia prometido, e Salomão enviou-lhe gêneros alimentícios acordados e outros bens como forma de pagamento. Foram também convocados trinta mil cortadores de lenha para que, mensalmente, em turnos de dez mil homens, fossem auxiliar os trabalhadores de Hirão no Líbano. Setenta mil carregadores foram destacados para o serviço, mais oito mil cortadores de pedras, todos supervisionados por três mil e trezentos homens que respondiam diretamente a Adonirão, o oficial encarregado dos trabalhadores forçados.

Segundo a Bíblia, “O rei Salomão escolheu trinta mil operários em todo o Israel” (1 Reis 5:13-18).

O estilo da construção do Templo se assemelha ao tabernáculo construído por Moises e aos antigos templos do Oriente Médio em geral. O Templo era, sem dúvida, esplendoroso, um monumento impositivo da majestade e glória de Deus. Sua construção durou sete anos e certamente uma construção sem igual no mundo antigo do Oriente Médio.

O Templo ficava localizado na eira de Orna (Araúna), o jebuseu, situada nos limites entre o território de Judá e Benjamim, formando uma ligação entre as tribos do norte ao sul, quase no centro de Israel. Basicamente o Templo media 60 côvados de comprimento e vinte côvados de altura (1 Reis 6:3).

Segundo a Bíblia Sagrada, “O pórtico, à entrada do templo, tinha vinte côvados de comprimento, o que igualava a largura do templo, e dez côvados de largura na frente do edifício, era dividido em dois locais, respectivamente chamados o Lugar Santo e Oráculo ou Lugar Santíssimo” (1 Reis 6:3-5).

Segundo a Bíblia, “Construiu, encostados às paredes do edifício, andares que rodeavam o templo e o santuário. Cercou assim o edifício de quartos laterais”.

Ambos os lugares eram divididos por folhas duplas articuláveis feitas de madeira cipreste e ornamentadas com desenhos de querubins, palmeiras e flores abertas entalhadas, e estavam presas em dobradiças de ouro (“Pôs à porta do santuário vigas de pau de oliveira; o seu enquadramento com as ombreiras ocupava a quinta parte da parede. Nos dois batentes de pau de oliveira mandou esculpir querubins, palmas e flores desabrochadas, e cobriu-as de ouro; cobriu de ouro tanto os querubins como as palmas.” - 1 Reis 6:31,32), nas portas havia um véu associado a elas. A entrada do Lugar Santo também possuía portas flexíveis feitas de madeira de cipreste e vergas (vigas) de madeira de oliveira e ornamentadas de maneira semelhante as portas do lugar santíssimo (1 Reis 6:33-35). O Lugar Santíssimo era de formato cúbico, com 20 côvados em cada lado, e os 10 côvados acima dele, na altura, na altura do restante do templo era usado como um lugar do tesouro, formando o cenáculo (câmaras ou andares superiores). No Lugar Santo tinha 40 côvados de cumprimento, 20 côvados de largura e 30 côvados de altura (“Os quarenta côvados restantes constituíam a parte anterior do templo.” – 1 Reis 6:17). As paredes do interior do templo eram formadas com pedras revestidas de madeira de cedro; e o assoalho, com madeira de cipreste (“Forrou o interior das paredes do edifício com placas de cedro, desde o pavimento até o teto; revestiu assim de madeira todo o interior e cobriu o pavimento com tábuas de cipreste.” – 1 Reis 6:15-16), as paredes laterais eram cobertas com entalhes de querubins, palmeiras e flores abertas (“Mandou esculpir em relevo em todas as paredes da casa, ao redor, no santuário como no templo, querubins, palmas e flores abertas.” – 1 Reis 6:29). No alto das paredes havia janelas com grades estreitas provavelmente para ventilação, iluminação e a fim de permitir a saída da fumaça do incenso e das lâmpadas (1 Reis 6:4).

Tudo no Templo era recoberto com finas placas de ouro, o piso, o teto e as paredes eram todos revestidos com ouro (1 Reis 6:20-22). Diante do Templo e unido ao mesmo, havia um pórtico com 20 côvados de largura, 10 côvados de profundidade e 30 côvados de altura como a altura do próprio templo. Em frente do pórtico havia também duas grandes colunas de bronze, chamadas “Jaquim e Boaz”, ricamente ornamentadas, que permaneciam ali como monumentos, e não para apoio (“Hirão levantou as colunas no pórtico do templo; a coluna direita, que chamou Jaquim, e a esquerda, que chamou Boaz.” – 1 Reis 7:21). Junto às paredes laterais e de fundo, no Templo, foi construída uma estrutura de três andares contendo salas para sacerdotes. Essas eram usadas como câmaras sacerdotais, locais do Templo usados para armazenagem dos moveis e utensílios para o serviço do Templo.

Essa construção de três andares não fazia parte do Templo, mas ficava apoiada em suas paredes e cada andar tinha 5 côvados, 6 côvados e 7 côvados respectivamente, e os seus acessos (câmaras) eram através de uma entrada e de uma escada espiral (1 Reis 6:8).

Ao redor do Santuário havia dois grandes pátios, chamados “Pátio Interno” e “Grande Pátio”. O Pátio Interno era formado por uma parede composta de três camadas de paredes lavradas e uma camada de vigas de cedro aparentemente apoiadas no topo das pedras para a proteção e embelezamento (“Construiu, ao redor do átrio interior, um muro de três ordens de pedras talhadas e uma fileira de traves de cedro.” – ‘ Reis 6:36).


O Palácio Real

Após a construção do Templo, Salomão passou a construir o seu próprio palácio, um empreendimento que levou treze aos para ser concluído. Os dois projetos foram realizados em sequência, e não simultaneamente, pois embora 1 Reis 3:1 registre que Salomão construiu seu palácio e o Templo do Senhor, a história indica que foi preciso sete anos para um total de vinte anos (“Quando, passados vinte anos, Salomão acabou de construir os dois edifícios, o templo do Senhor e o palácio real.” – 1 Reis 9:10). O Templo foi terminado em cerca de 959 a.C, e o palácio depois de 946.

A residência real era mais larga do que o Templo, consistindo aparentemente de um edifico central maior, o palácio da floresta do Líbano, com alas ou estruturas geminadas, tais como a Sala da Justiça e as dependências privadas de Salomão.

A moradia de Salomão ficava atrás da Sala do Trono, onde julgava. Para a filha de faraó fez uma casa igual a sua, coberta de cedro, desde o piso até o teto. Todas as construções eram de pedra de valor, pedras lavradas e cortadas por medida, serradas do lado de dentro e do lado de fora. Os fundamentos eram grandes pedras de dez côvados cada uma, e por cima desta era assentada a pedra das faces das paredes, serrada.

A casa da floresta do Líbano pensa-se que seria um grande salão, uma espécie de tribunal ou cenáculo, onde havia reuniões publicas. Neste Salão se encontrava a Sala do trono, onde ali recebia pessoas para o juízo, não havia um sistema judicial, assim os casos mais complicados eram levados ao rei para julgamento. Havia levitas e sacerdotes espalhados por todo o Israel, em servia de juizados, mais ainda sim existiam casos difíceis ao qual somente o julgador principal, que era o papel do rei, poderia julgar.


Resumo

De todas as construções realizadas durante o reinado do rei Salomão, certamente o Templo em Jerusalém é a mais importante delas. Conforme a promessa do próprio Deus, o rei Salomão executou o projeto de seu pai de construir um Templo para abrigar a Arca da Aliança.

Para obter a mão de obra necessária, o rei Salomão recorria ao trabalho forçado. Ele fez colocou os cananeus na condição de escravos do estado de Israel (1Rs 9:20,21). Todavia, o número de trabalhadores cananeus era insuficiente para suprir seus planos, então ele recrutou israelitas para tal tarefa, obrigando-os também a um tipo de trabalho forçado.

Essa medida foi bastante impopular, fato que ficou evidenciado no episódio do assassinato de Adonirão, o superintendente dos grupos de trabalhadores (1Rs 4:6; 5:13-18; 2Cr 2:17,18).

O Templo construído por Salomão ficava localizado no Monte Moriá, o lugar onde o rei Davi havia edificado um altar ao Senhor (2Sm 24:16-25; 1Cr 21:15-25) e provavelmente onde Abraão teria subido com Isaque para sacrificá-lo.

Apesar de Davi ter coletado materiais para a construção do Templo (1Cr 22:2-4), foi no quarto ano do reinado de Salomão que ele começou a ser construído. Mesmo parecendo uma construção com uma dimensão modesta na atualidade, o edifício do Templo representava uma construção grande na época, medindo: 30 metros de comprimento, 10 de largura e 15 metros de altura. Sua construção levou um período de sete anos.

Quando concluiu a construção do Templo no décimo primeiro ano de seu reinado, o rei Salomão planejou uma grande celebração, onde muitos sacrifícios foram oferecidos na dedicação do edifício (1Rs 8-9; 2Cr 5-7).

Dentre os outros edifícios construídos pelo rei Salomão em Israel, podemos destacar:
A casa do bosque do Líbano que tinha 50 metros de comprimento, 25 de largura e 15 metros de altura.

- Um pórtico de colunas medindo 25 por 15 metros.
- Uma sala para seu trono, onde ele realizava os julgamentos.
- Uma casa para a filha de Faraó, uma de suas esposas, cujo local possuía a imponência digna de uma filha de um monarca egípcio.

A própria residência de Salomão foi um uma construção considerável, onde acomodava 700 esposas e 300 concubinas, além dos servos necessários (1Rs 11:3). Salomão também edificou Milo, uma enorme fortaleza para proteger o Templo (1Rs 9:24).



(Referências bibliográficas: https://www.webartigos.com/artigos/o-governo-do-rei-salomao-o-desenvolvimento-de-israel-as-obras-publicas-e-o-fracasso-do-seu-reinado/101887; https://estiloadoracao.com/quem-foi-o-rei-salomao/)




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