UMA PERSPECTIVA DO CÉU PRA TERRA

“A Bíblia diz que nós estamos assentados com Cristo Jesus nas regiões celestiais. Essas regiões celestiais são chamadas de terceiro Céu. É onde o trono de Deus está. Então, se existe terceiro Céu, existe um segundo, existe um primeiro.

Então, o que seria o primeiro Céu? Seria esse Céu das estrelas, das nuvens, aonde nós vivemos muitas vezes angústia, tribulação, guerras, problemas relacionais.

O segundo Céu é o Céu das guerras, das batalhas espirituais. Sabe quando o príncipe da Pérsia segurou a oração para que não chegasse até Daniel, e Deus manda Miguel e travam aquela batalha e as palavras cheguem até Daniel? Esse é o segundo Céu.

Mas existe o terceiro Céu chamado ‘Céu dos Céus’, é onde está o trono de Deus. E a Bíblia diz que nós estamos aí, assentados com Jesus neste lugar.

Então pensa comigo: se você está vivendo da Terra pro Céu, angústia, depressão, medo, vergonha, tudo está acima de você.

Se você está vivendo da Terra pro Céu, principados, potestades, dominadores, está acima de você.

Mas se você entender que você está assentado com Cristo Jesus nas regiões celestiais, tudo isso está abaixo de você.

Então a grande verdade é que quando começamos a viver uma perspectiva do Céu pra Terra, nós estamos influenciando o mundo que está abaixo de nós com a visão de Cristo.”

(PAIVA, Gustavo)


Qual tem sido a nossa perspectiva? Do Céu pra Terra ou da Terra pro Céu?

É muito fácil nossa visão ser formada a partir de uma perspectiva da Terra pro Céu. Por que? Porque é o mundo que nós mais visualizamos, talvez. É onde acontece nossa rotina de trabalho, estudos, família, igreja, lazer. E, em meio a isso tudo, às vezes estamos ocupados demais pra orar e ler a Bíblia. Então, como diz aquela velha história, há dentro de nós dois lobos, e prevalece aquele que é mais alimentado.

Perceba que eu utilizei as palavras “talvez” e “às vezes”, porque nada disso se trata de uma regra. O certo é vivermos nesse mundo físico, mas com a perspectiva totalmente formada pelo mundo espiritual, conforme a orientação do apóstolo Paulo: “Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas” (Colossenses 3:2). O certo é termos nossa rotina diária como uma forma de adoração a Deus, e não como algo que ocupa o nosso tempo e nos impede de ter comunhão com ele.

Aliás, o mundo que mais se faz real em nossa vida depende de nós mesmos. Muitos dizem “mundo real” para se referir ao mundo físico/terreno. Ora, isso significa que o mundo espiritual é um conto de fadas? É de mentirinha? Não caiamos nessa abstração platônica. Na verdade, o mundo espiritual é mais real do que o mundo físico/terreno. Pensa comigo: uma cadeira, um carro, um prédio, tem prazo de validade? Sim. A cada segundo eles estão se deteriorando. O próprio universo caminha para o fim, segundo a ciência. E o Reino? É eterno. Logo, qual é mais real?

Portanto, não é porque vivemos debaixo do primeiro Céu que necessariamente nossa perspectiva precisa ser formada pelo primeiro Céu (ou seja, da Terra pro Céu). Vejo o exemplo de Paulo. Ele escreveu:


“Deus nos ressuscitou com Cristo, e com Ele nos entronizou nos lugares celestiais em Cristo Jesus.”

(Efésios 2:6)


Mas, espera aí... Paulo disse que estamos assentados com Cristo nas regiões celestiais? É isso mesmo? Mas como pode?! Nós não estamos lá na eternidade com Jesus, mas aqui nessa Terra, presos nessa vida, nos nossos problemas! Paulo enlouqueceu?!

Vamos lá: Paulo vivia debaixo do primeiro Céu, mas sua perspectiva/mentalidade/cosmovisão estava totalmente formada a partir do terceiro Céu, que é onde Cristo está assentado. Por isso ele podia bater no peito e dizer: “Eu estou assentado com Cristo nas regiões celestiais”.

Isso muda tudo. Muda nosso lifestyle. Afinal, se nossa perspectiva é formada a partir do primeiro Céu (Terra pro Céu), viveremos a partir dos noticiários que vemos na TV, que geralmente não são bons: economia em baixa, violência imperando, valores contrários à Palavra de Deus sendo disseminados nas programações, tragédias naturais, corrupção em parte da política, etc. Se nossa perspectiva é formada a partir desses fatos, facilmente cairemos em um desânimo, falta de esperança, conformismo. Igualmente, se nossa perspectiva é formada a partir do segundo Céu (que inclui o primeiro), seremos oprimidos pelos principados e potestades malignos, ao invés de exercermos sobre eles a autoridade que nos foi outorgada por Cristo.

Isaías era uma pessoa que, até então, tinha uma perspectiva formada da Terra pro Céu. Até que, um dia, tudo mudou.


“No ano em que o rei Uzias morreu, eu vi o Senhor assentado num trono alto e exaltado, e a aba de sua veste enchia o templo.

Acima dele estavam serafins; cada um deles tinha seis asas: com duas cobriam o rosto, com duas cobriam os pés, e com duas voavam.

E proclamavam uns aos outros: ‘Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos, a terra inteira está cheia da sua glória’.

Ao som das suas vozes os batentes das portas tremeram, e o templo ficou cheio de fumaça.

Então gritei: ‘Ai de mim! Estou perdido! Pois sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros; e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!’

Então um dos serafins voou até mim trazendo uma brasa viva, que havia tirado do altar com uma tenaz.

Com ela tocou a minha boca e disse: ‘Veja, isto tocou os seus lábios; por isso, a sua culpa será removida, e o seu pecado será perdoado’.

Então ouvi a voz do Senhor, conclamando: ‘Quem enviarei? Quem irá por nós?’ E eu respondi: ‘Eis-me aqui. Envia-me!’”

(Isaías 6:1-8)


Incrível! Vamos dissecar essa passagem:


1 – “No ano em que o rei Uzias morreu, eu vi o Senhor”: o que precisa morrer na sua vida pra você conseguir ver o Senhor? Seu ego? Suas prioridades que estão na frente da maior prioridade (Deus)? Sua impureza de coração? Sua incredulidade?

2 – “E proclamavam uns aos outros: ‘Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos, a terra inteira está cheia da sua glória’”: os serafins não vivem no primeiro Céu, apesar de poderem se manifestar nele. Eles vivem no terceiro, apesar de também poderem se manifestar no segundo (nas batalhas espirituais). Portanto, não é nenhuma surpresa que, ao invés de proclamarem “a Terra está cheia de problemas, pecado, sujeira”, numa típica mentalidade do primeiro ou segundo Céu, eles proclamam uns aos outros que “a Terra está cheia da glória do Senhor”, conforme a perspectiva do Céu pra Terra (terceiro Céu).

3 – “Pois sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros”: enquanto isso, o profeta ainda tinha sua perspectiva formada a partir do primeiro Céu, e falava o oposto dos anjos: “Vivo em meio a um povo de lábios impuros”. Ou seja, Isaías não estava enxergando a glória do Senhor, mas sim os problemas que atingiam tudo debaixo do primeiro Céu.

4 – “Então um dos serafins voou até mim trazendo uma brasa viva, que havia tirado do altar com uma tenaz”: a única coisa que pode mudar nossa vida (e, consequentemente, nossa perspectiva) é uma atitude do próprio Céu pra nossa vida. Palavras de convencimento humano não mudam a vida de ninguém. Uma motivação dá o gás na hora e amanhã termina. Somente o fogo de Deus pode nos avivar. Por isso é que o anjo pegou a brasa para colocar na boca do profeta.

5 – “Então ouvi a voz do Senhor, conclamando: ‘Quem enviarei? Quem irá por nós?’ E eu respondi: ‘Eis-me aqui. Envia-me!’”: de murmurador, Isaías virou um missionário. De alguém sem esperança, ele se tornou uma mensageiro da esperança. De um homem que enxergava apenas os problemas da Terra, ele se tornou alguém disposto a influenciar a partir da perspectiva do Céu pra Terra. Mas não sem antes ver o Senhor, não sem antes ter o fogo de Deus dentro de si.


Irmãos e irmãs, o que Deus mais faz na Bíblia é contrariar a perspectiva da Terra pro Céu pra então manifestar o Céu na Terra. Exemplos não faltam: é o Deus que teria supostamente pedido para Abraão, como pai, sacrificar o que havia de mais precioso em sua vida, seu filho Isaque (sendo que sabemos que na verdade era apenas para o próprio Abraão ver até onde ia sua fé, pois Isaque não foi e não seria sacrificado, mas sim o cordeiro); é o Deus que faz a estéril Sara ter filhos; que faz um menino pastor de ovelhas e entregador de queijos derrubar um gigante filisteu e se tornar rei de uma nação; que pede para pescadores lançarem as redes no mar novamente logo após uma noite de pesca frustrada; que faz o cego ver, o coxo andar; e transforma pecadores em apóstolos.

Imagine José. Ele havia sonhado que os feixes de seus irmãos haviam se prostrado diante de seu feixe, e que o Sol, a lua e onze estrelas haviam se curvado diante dele (cf. Gênesis 37:6-9), numa clara referência ao fato de que no futuro ele exerceria um papel de autoridade. Porém, quem pensa que no dia seguinte a esses sonhos tudo começou a “dar certo” num passe de mágica, está enganado. José foi odiado, traído e vendido como escravo pelos próprios irmãos (sendo que, na verdade, o plano original era matá-lo; mas um dos irmãos teve bom senso e revogou essa ideia). No Egito, estava longe de casa, da família e ainda trabalhando como escravo. Logo, passou anos apodrecendo na prisão por um crime que não cometeu. Depois, aqueles a quem ele estendeu a mão se esquecerem dele. Só depois, cerca de uma década após os sonhos, que José tornou-se governador do Egito, a maior potência geopolítica do planeta.

Se coloque na pele de José: se fosse você, o que você pensaria quando estivesse trabalhando como escravo? O que você pensaria quando estivesse na prisão? O que você pensaria quando fosse esquecido por aqueles que um dia ajudou? Acho que a resposta é simples: pensaria que Deus se esqueceu de você e das promessas.

Isso pode até ter passado pela cabeça de José em algum momento (pois todos somos pecadores), mas lá na frente ele afirmou:


“Portanto, não foram vocês que me mandaram para cá, mas foi Deus. Ele me pôs como o mais alto ministro do rei. Eu tomo conta do palácio dele e sou o governador de todo o Egito.”

(Gênesis 45:8)


Vi um texto belíssimo da Rapha Gonçalves, ministra do Dunamis, sobre essa passagem:


“Você já pensou que para chegar onde Deus te chamou você precisaria conhecer O pastor tal ou chamar atenção da pessoa X?

É certo que conexões nos levaram mais perto do nosso destino mas é mais certo ainda que Deus é a nossa maior e melhor conexão, e se você tiver favor com Ele não precisará de mais nada. Enquanto lia sobre a história de José me deparei com uma fala dele que me fez pensar nisso.

Em Gênesis 45:5-8 José fala para seus irmãos, que o tinham vendido como escravo a muitos anos atrás e no momento estavam precisando da sua ajuda, que não ficassem triste por terem feito mal a ele porque não foram eles que o enviaram para lá mas sim DEUS. Por mais que ele tivesse passado por muitos momentos difíceis durante sua caminhada até aquele momento, por conta de seus irmãos, ele os perdoou e continuou olhando para o Senhor. Ele não deixou de buscar a Deus e por que tinha favor com o Pai teve favor com o rei.

A verdade é que não importa quantas pessoas te fizeram mal ou até tentaram parar você de viver sua promessa, quem faz tudo é Ele. Ninguém pode te tirar ou colocar em um lugar que Deus não deixe, Ele abre e fecha as portas. Ele sabe o que é melhor para você. Não tenha medo de não viver algo porque outros lhe causaram mal, assim como José, saiba que Deus pode transformar algo que foi maldição na sua vida em uma grande benção que mudará a história.”


Inclusive, creio que se José tivesse na frente dele dois botões - “Pular o processo” e “Viver o processo” -, certamente ele apertaria o primeiro. Você acha que, ao invés de pular pra parte em que ele era o político mais poderoso e importante do mundo, ele escolheria passar por poucas e boas como passou? José era homem de carne e osso, como eu e você! Contudo, além de não ser possível, pular o processo iria fazer mal a José, porque é no processo que somos moldados por Deus, assim como o oleiro molda o vaso de barro.

Vejamos agora o exemplo de Davi. Davi foi ungido rei pelo profeta Samuel (cf. 1 Sm 16:13). O que aconteceu depois da unção? Davi foi logo se assentar no trono de Israel? Nada disso. Ele continuou cuidando das ovelhas no pasto e entregando queijo. Ainda por cima, foi perseguido pelo rei Saul.

Agora imagina: e se Davi tivesse olhado da perspectiva da Terra pro Céu? “Poxa, Senhor! Eu fui ungido rei, e nada mudou na minha vida!” Pode ser que nada aparente/visual tenha sido modificado, mas a mudança já tinha ocorrido sim no mundo espiritual. Tanto é que, tempos depois, Davi tornou-se o maior rei da nação de Israel.

Agora, reflita: José e Davi receberam promessas, mas ambos passaram por severas adversidades. O que será que fez com que eles não perdessem a fé e a esperança?

A resposta está na Bíblia, nas palavras do próprio Davi:


“Lembra-te das promessas que me fizeste porque elas são a minha única esperança.

Têm sido a minha consolação no meio das angústias, porque só a tua palavra pode renovar-me a vida.

Gente orgulhosa zombou de mim; apesar disso nunca me desviei da tua Lei.

Lembro-me do valor eterno dos teus decretos e isso consola-me.

Fico revoltadíssimo, quando vejo gente pecadora desprezando a tua Lei.

Os teus estatutos têm sido a fonte dos meus cânticos, durante os anos da minha peregrinação terrena.”

(Salmos 119:49-54)


Ele escreveu com todas as letras: as promessas são a minha esperança. Não é que as promessas vão tomar o lugar do autor delas, mas sim que o fato de sabermos que Deus é fiel e cumpre à risca tudo o que prometeu nos dá esperança para continuar caminhando, mesmo que o ambiente ainda não aponte para o cumprimento das promessas, naquele momento.

Ao se lembrarem das promessas, José e Davi optaram por olhar a partir da perspectiva do Céu pra Terra. José estava na prisão, mas ele não se abalou pois sua perspectiva era do Céu pra Terra. Davi continuou no pasto, mas ele não desanimou porque sua perspectiva era do Céu pra Terra.

E como eles poderiam ter tanta certeza que as promessas se cumpririam? A Bíblia também responde:


“Deus não é homem para que minta, nem filho de homem para que se arrependa. Acaso ele fala e deixa de agir? Acaso promete e deixa de cumprir?”

(Números 23:19)


“Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos.”

(Hebreus 11:1)


A certeza do cumprimento das promessas estava baseada no caráter do próprio Deus, que jamais mente ou deixa de cumprir o que prometeu. Isso dava a certeza de coisas que, mesmo ainda não sendo vistas, um dia seriam vistas por todos, tanto pelo alvo das promessas quanto pelas pessoas ao redor (como o caso de José, que era conhecido como governador por toda a população).

E quanto a nós? Será que desanimamos ou desistimos quando nos deparamos com adversidades ou enfrentamos todas elas com alegria no coração pois sabemos que, no tempo certo, as promessas se cumprirão?

Finalizo com essa bela canção:


“Se tentam destruir-me

Zombando da minha fé e até

Tramam contra mim

Querem entulhar meus poços

Querem frustrar meus sonhos

E me fazer desistir


Mas quem vai apagar o selo que há em mim

A marca da promessa que Ele me fez

E quem vai me impedir

Se decidido estou

Pois quem me prometeu

É fiel pra cumprir


O meu Deus nunca falhará

Eu sei que chegará minha vez

Minha sorte Ele mudará

Diante dos meus olhos”


(Marca da Promessa - Davi Sacer)



(Referências bibliográficas: https://m.youtube.com/watch?v=zQf0SMsrkco; https://www.instagram.com/p/CZh0mqHJj3N/?igshid=YmMyMTA2M2Y=)



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