O PODER DA ORAÇÃO
Em uma ministração, o pastor Ângelo Bazzo ressaltou:
“Eu não acho que Adão comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal com uma intenção ruim. Pensa: Adão não tinha muito o que fazer na vida, né? Além de fazer o que Deus mandou ele fazer: dominar. O que eu creio que Adão quis fazer quando ele comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal é adquirir a capacidade de dominar sem ter que passar pelo processo constante de comungar. Ou seja, eu recebo a independência do pensamento, da razão, e eu exerço o domínio independente da relação.
O que é muita teologia pra muitas pessoas? Querem conhecer o que Deus pensa, mas elas querem conhecer sem passar pelo processo de relacionar, porque aquilo que eu conheço - em termos intelectuais -, eu domino.”
Talvez perdemos de vista a necessidade do lugar secreto. Talvez não mensuramos o tamanho do poder da oração. Talvez adquirimos uma mentalidade a qual o mundo espiritual e todas as suas implicações se tornaram meros contos de fadas.
Se eu fosse o próprio Satanás, sabe qual seria meu objetivo primário? Afastar os crentes do lugar de oração. Pior ainda: os motivos para tal afastamento não seriam aparentemente ruins, mas “plausíveis”.
Lembro-me do testemunho de um pastor que afirmou que, sempre que ia orar, acontecia uma série incrível de “coincidências”: a campainha tocava, seu filho chorava, o cachorro começava a latir, o telefone não parava de chamar...
O Diabo não mede esforços para nos arrancar do lugar de oração. Sabe por que? O pastor Leonard Ravenhill opinou:
“Um homem pecador para de orar, um homem de oração para de pecar.”
Simplesmente por isso. O Diabo sabe o poder que reside na oração de um justo, e por isso faz de tudo para impedi-la. E aqui abro parênteses: as ações diabólicas não são desculpas para pararmos de orar. Muitos dizem: “O Diabo é sujo! Me tira do lugar de oração”. Opa! Estamos deixando de orar porque o Diabo está sendo Diabo?! É isso que ele vai tentar fazer mesmo: impedir-nos de orar.
E, se não oramos, algo está errado. Muito errado! A oração pro cristão é como a respiração, nas palavras de Jonathan Edwards. O indivíduo que parou de respirar, é porque está morto. Assim como o cristão que parou de orar.
E o Diabo, que não é bobo nem nada, nos distrai com coisas aparentemente inofensivas, para que “pequemos com a consciência tranquila”.
Preste atenção nesta parábola contada por Jesus:
“Certo homem estava preparando um notável banquete e convidou muitas pessoas. Próximo à hora do início da ceia, enviou seu servo para anunciar aos que haviam sido convidados: ‘Vinde! Eis que tudo está preparado para vós’. Contudo, um por um, começaram a declinar com desculpas. O primeiro alegou: ‘Acabei de adquirir uma grande propriedade, e preciso ir vê-la. Por favor, queiras desculpar-me!’. Outro conviva explicou-se: ‘Acabei de comprar cinco juntas de bois e preciso ir experimentá-las. Rogo-te que me tenhas por perdoado!’. E outro ainda argumentou: ‘Acabo de me casar, e por esse motivo, não posso ir’. Diante disso, voltou o servo e tudo relatou ao seu senhor. Então, o dono da casa irou-se sobremaneira e ordenou ao seu servo: ‘Sai agora mesmo para as ruas e becos da cidade e traze para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos’. Mais tarde lhe relatou o servo: ‘Tudo o que o senhor mandou está feito conforme a tua vontade, mas ainda há lugar!’. Então ordenou o senhor ao seu servo: ‘Ide por vários caminhos e atalhos e os que encontrar obriga-os a entrar, para que a minha casa fique repleta. Porquanto vos asseguro que nenhum daqueles que previamente foram convidados provará da minha ceia’.”
(Lucas 14:16-24)
Você entendeu? Perceba que as justificativas dos convidados para as recusas do convite feito pelo senhor (dono do banquete) não eram coisas esdrúxulas: um tinha adquirido uma propriedade, o outro tinha comprado bois, e o terceiro tinha se casado. Nada de errado! Mas é aí que entra a sagacidade do Inimigo. É justamente isso que ele faz. Os motivos para não orarmos (ou seja, recusarmos estar com o Senhor) são, em sua maioria, plausíveis: ou estamos cansados demais após um dia de trabalho, ou precisamos estudar pra prova da faculdade, ou então devemos nos dedicar aos afazeres domésticos.
Irmãos e irmãs, isso não é novidade. O pastor John Piper já nos alertou há alguns anos atrás. Ele explica: “Isso porque não fizemos um plano (para orar)”. Ele fala de suas próprias experiências. “Se não planejarmos, acredite em mim, eu tenho estado nisso há muito tempo. O diabo odeia a mim e a minha vida de oração. Você nem imaginaria quantas coisas boas me impedem de orar”, ressaltou.
Ele então explica que, na verdade, não são os desejos pecaminosos que o fazem esquecer da oração. “Pecado não. O pecado não me impede de orar. A retidão me impede de orar. Respondendo ‘e-mails santos’ e outras ‘coisas santas’. Lendo somente mais uma notícia relevante para orar a respeito, seja lá qual for o site que você navega”, colocou.
“Não é o mal que nos faz deixar de orar. São as coisas boas e ele (o diabo) é muito astuto. Então, escolha um lugar e um horário e apareça”, salientou o pastor.
Esse é o primeiro aspecto pelo qual deixamos de orar: por cedermos às tentações diabólicas ou, em outras palavras, estarmos “ocupados demais” pra orar.
Mas há ainda outros aspectos, como por exemplo o fato de perdermos a noção do poder da oração e do mundo espiritual.
Eu seu livro “Por Que Tarda o Pleno Avivamento?”, o pastor Leonard Ravenhill ressalta:
“Quem sabe calcular a dimensão do poder de Deus? O homem é capaz de calcular o peso do mundo; sabe dizer o tamanho da Cidade celestial, contar quantas estrelas há no céu, medir a velocidade da luz, informar a hora exata do nascer e do pôr-do-sol — mas não sabe avaliar o poder da oração.
A oração tem o tamanho de Deus, pois é ele quem nos dá a garantia dela. Ela tem as dimensões do próprio poder de Deus, pois ele já se comprometeu a atendê-la. Que Deus se compadeça de nós por gaguejarmos tanto ao praticar essa que é a atividade mais nobre que a língua e o espírito humanos podem exercitar. Se Deus não nos iluminar no aposento da oração, caminharemos em trevas. O momento de maior constrangimento para o crente no dia do juízo será aquele em que tiver de encarar sua falta de oração.
Eis um trecho majestoso do admirável São Crisóstomo: ‘O poder da oração subjugou a força do fogo, domou a ira de leões, silenciou revoltosos, pôs fim a guerras, acalmou a natureza descontrolada, expulsou demônios, rompeu as cadeias da morte, escancarou os portões do céu, minorou enfermidades, repeliu mentiras, resgatou cidades da destruição, deteve o curso do sol e o avanço do relâmpago. A oração é uma poderosa armadura, um tesouro infinito, uma mina que nunca se esgota, um céu jamais obscurecido por nuvens nem turbado por tempestades. Ela é a raiz, a fonte, a mãe de mil bênçãos.’
Será que essas palavras de Crisóstomo são simples retórica visando a fazer com que algo comum pareça extraordinário? A Bíblia desconhece tais artifícios.”
Orar não é um mero ato religioso. Orar significa ser co-participante com Deus dos eventos que ocorrem no universo.
Sim, é isso mesmo que você leu! E o pastor John Piper também compreende dessa forma:
“É simplesmente incrível que o Deus de toda soberania, o regente do universo, ordenaria que orações causassem coisas. Elas fazem. Orações faz com que as coisas aconteçam, o que não aconteceria se você não orasse.
Por isso que orar é um tremendo privilégio. Se você não tira proveito desse privilégio, de participar com Deus para mudar as coisas em sua volta, que não vão acontecer se você não orar, então você está agindo como um tolo.”
É isso mesmo: a oração faz as coisas acontecerem. Tiago relata: “Elias era uma pessoa frágil como nós. Ele orou fervorosamente, rogando para que não chovesse, e não choveu sobre a terra durante três anos e meio” (5:17). O profeta orou para não chover (ação no mundo espiritual) e realmente não choveu (consequência no mundo físico). É por causa desse poder da oração que a História registra que Maria Stuart, rainha da Escócia, temia mais as orações de John Knox do que todos os exércitos da Inglaterra.
E.M. Bounds, um herói da fé que entendeu como poucos a magnitude da oração, afirma:
“Deus molda o mundo pela oração. Quanto mais oração houver no mundo, melhor será o mundo e mais poderosas serão as forças contra o mal em todo lugar. Uma das fases de operação da oração é desinfetante e preventiva. Ela purifica o ar; impede a propagação do mal.
A oração não é algo espasmódico e efêmero. Não é uma voz que clama sem ser ouvida ou é ignorada em silêncio. É, sim, uma voz que chega aos ouvidos de Deus e que age enquanto o ouvido de Deus estiver aberto a súplicas santas, enquanto o coração de Deus estiver atuante para o que é santo.
Deus molda o mundo pela oração. As orações não morrem. As orações se perpetuam para além daqueles que as pronunciam; elas sobrevivem a uma geração, a uma época, a um mundo.”
Incrível!
Além disso, quando oramos estamos alinhando o Céu com a Terra. Como dizia C.S. Lewis: “Há um céu aberto dentro de um quarto fechado quando começo a orar”. Afinal, o tempo de Deus é diferente do tempos do homens. O tempo de Deus é o “Kairós”, isto é, o tempo que não pode ser mensurado, que não pode ser medido através de números, o tempo que é como uma linha reta, pois Deus vê o passado, presente e futuro como um único momento; as coisas que acontecem sem hora marcada, as surpresas do dia a dia. Já o tempo dos homens é o “Chronos”, o tempo que se calcula através das horas, minutos e segundos, anos, meses, dias e semanas; o tempo que é como uma espiral, pois só conseguimos viver o presente, pois o passado e o futuro não podem ser mais vislumbrados.
Para explicar melhor essa verdade bíblica, cito uma frase do pastor Felippe Valadão:
“Davi está no pasto mas no Céu já é rei. Davi está ralando no campo mas no Céu já governa. Davi não tem lugar na mesa mas no Céu já tem um trono. Pegou? O lugar que você está hoje não define quem você é, a unção que você carrega sim.”
Então, vamos lá: Deus, que vislumbra o Kairós, já via Davi sentado no trono como rei de Israel, mesmo enquanto Davi, por estar “preso” no Chronos, era apenas um pastor de ovelhas e não fazia ideia do seu futuro como rei.
Todavia, quando Samuel chega para ungir Davi (1 Sm 16), há ali um alinhamento entre Céu e Terra. A partir daquele momento, Davi começa a ter uma centelha de consciência do que Deus havia escrito pra sua história. Nas palavras do pastor Felippe Valadão: “Golias ofendeu Davi, humilhou, menosprezou, e disse que o mataria. Deus não disse o que aconteceria com Golias, foi Davi quem disse. ‘Hoje mesmo eu o matarei e arrancarei sua cabeça’. Pegou? É a convicção da tua identidade que te faz ter a imagem correta do teu destino”. Ou seja, Davi não sabia quando e como seria rei, mas ele sabia quem era, e por isso não teve medo de enfrentar o gigante.
Quando estamos no lugar de oração, estamos mais próximos do nosso propósito. É como se estivéssemos entrando na baleia que levou o profeta Jonas exatamente para o lugar onde ele deveria estar.
Talvez a nossa mentalidade ocidental perdeu de vista a realidade do mundo espiritual. Entretanto, o povo judeu e a Igreja Primitiva tinha total noção do que era o mundo espiritual.
O site Portal Tabloide disserta:
“Os povos orientais são mais meditativos e costumam ter a consciência do despertar de dentro para fora, para o oriental o homem sempre é visto de forma integral (energia, campo emocional e físico), enquanto o ocidental tem o costume de buscar Deus de forma inversa, sem se ligar muito na integração do homem, ou seja, o oriental tem uma visão mais espiritualista da vida e o ocidental a visão mais materialista.”
Precisamos resgatar a mentalidade bíblica acerca da oração, do sobrenatural, do mundo espiritual.
Te convido a agora mesmo dobrar seus joelhos diante de Deus e orar. É a ação mais sublime que você pode realizar! Os benefícios são inúmeros: desfrutar da presença de Deus, ser co-participante com o Senhor da regência do universo, alinhar sua vida com o propósito dos Céus e tomar posse da história que foi escrita sobre você desde antes de você ser formado no ventre de sua mãe, e tantos outros fatores.
Nunca deixe de orar! Desfrute desse privilégio!
(Referências bibliográficas: https://m.youtube.com/watch?v=P4Uek5e0UKk; http://www.celebrandodeus.com.br/artigo/uma-oracao-com-a-dimensao-de-deus/; https://guiame.com.br/gospel/pregacoes/nao-e-o-mal-que-nos-impede-de-orar-sao-coisas-boas-alerta-john-piper.html; https://www.ibccoaching.com.br/portal/entenda-o-tempo-de-chronos-e-kairos/)
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