POLÍTICA “AD AETERNUM” (PARTE III)

Eu estudo política não apenas para compreender a sociedade na qual estou inserido e exercer minha cidadania de maneira mais excelente, mas também porque sei que será um conhecimento válido para a era vindoura.

Afinal, conforme ensina o pastor Ângelo Bazzo:


“O mundo para o qual Jesus está voltando existe. É muito fácil a gente ficar pegando temas escatológicos e tornar espiritualizado, fazer teologia imanentista, tudo no presente, tudo é o ‘já’ e ‘ainda não’ que não significam coisa alguma, e aí tudo é bonito, tudo é chique, tudo fala de um jeito sempre ressignificando tudo... Mas, o fato é: existe um judeu de 33 anos de idade que um dia vai rasgar os céus e vai descer sobre o planeta e vai governar o mundo a partir da cidade de Jerusalém, e isso é um fato, e fatos não são teorias. Fatos geram fatos. O fato da segunda vinda de Cristo deveria gerar um fato de um estilo de vida preparado pra volta de Jesus.”


A palavra “política” é derivada do termo grego “politikos”, que designava os cidadãos que viviam na “polis”. “Polis”, por sua vez, era usada para se referir à cidade e também, em sentido mais abrangente, à sociedade organizada.

Onde quer que haja duas ou mais pessoas, haverá a necessidade de definir regras de convivência, limites de ação e deveres comuns. A política acontece justamente no ato de existir em conjunto.

Dessa forma, a origem da política remonta à participação na comunidade, à vida coletiva. Bem diferente do que se costuma pensar sobre a política como algo limitado aos políticos profissionais e longe do nosso cotidiano.

O filósofo grego Aristóteles definiu o ser humano como um animal político, ou seja, um ser que inconscientemente busca a vida em comunidade, porque suas necessidades materiais e emocionais só podem ser satisfeitas pela convivência com outras pessoas.

Além disso, o animal político se diferencia dos outros bichos pela sua capacidade de se comunicar em nível complexo, diferentemente de outras espécies. Por meio da linguagem, o humano pode trocar ideias, imaginar o futuro e criar regras para compartilhar o mesmo espaço.

A política, para Aristóteles, começa no seio familiar, na convivência entre familiares, e depois se expande para o resto da sociedade. A não ser que você seja um eremita (um indivíduo que foge completamente do convívio social), não conseguirá escapar da política.

Se para Aristóteles o “politiko” era o cidadão que participava da vida pública, essa palavra tem outro sentido hoje em dia.

Diferentemente da Grécia Antiga onde vivia o filósofo, na qual os cidadãos podiam participar diretamente das decisões da cidade, a sociedade atual é composta por um número muito maior de pessoas e, consequentemente, de problemas e necessidades muito mais complexos.

Por isso, ao invés de votar diretamente em cada tema de interesse público, nas democracias modernas, nós votamos em pessoas encarregadas da administração pública. Essas pessoas se dispõem a representar nossas ideias e interesses, de forma que possamos participar indiretamente das decisões coletivas.

A forma mais comum de pensar a política é justamente a atividade da gestão do Estado, do orçamento público e das decisões coletivas. Quando pensamos em políticos, logo imaginamos os prefeitos, governadores, presidentes, deputados, senadores etc.

Jesus Cristo, conforme nos relata as Escrituras, orientou que nos preocupássemos não apenas com aquilo que devemos realizar enquanto cidadãos do Reino, mas também enquanto cidadãos do Estado.


“Dai, a César o que é de César, e a Deus, o que é de Deus.”

(Mateus 22:21)


Acerca dessa passagem, a Bíblia King James disserta:


“Jesus pede uma moeda corrente e lhe entregam um denário (moeda romana de prata cujo valor correspondia a um dia de trabalho de um soldado romano). Jesus chama a atenção da multidão para a figura cunhada na moeda. O retrato com o nome de César identificava o proprietário daquela moeda. Então Jesus, demonstrando a mais ampla e profunda visão sobre a vida e o relacionamento das pessoas com o Criador e com as criaturas, de forma absolutamente didática, ilustra seu ensino. A responsabilidade civil e temporal abrange tudo quanto tenha a imagem do mundo. O Estado com suas leis e regulamentos, por exemplo (Rm 13.1-7). Porém, há um outro lado. A responsabilidade espiritual e eterna que tem a ver com tudo aquilo que envolve a imagem de Deus. A pessoa humana com sua alma, mente e sentimentos (Mt 22.37). A palavra grega original transliterada ‘apodote’ significa literalmente ‘pagar de volta’.”


O que é de Deus? Cabe meditarmos na Bíblia Sagrada para aprendermos. O que é de César, que na fala de Cristo é a personificação do Estado? Cabe nos prepararmos enquanto “politikos” (cidadãos) para aprendermos e bem exercermos.

Na verdade, Jesus não entendia esse assunto como dois conceitos separados. No livro “O Reino de Ponta Cabeça”, o autor Donald B. Kraybill argumenta:


“Não temos dois evangelhos. Não temos um evangelho espiritual ‘e’ um social, um evangelho de salvação ‘e’ um de justiça social. Em vez disso, temos um único e integrado evangelho do reino. ‘Esse’ evangelho funde as realidades social e espiritual em uma só. Jesus une o espiritual em um todo indivisível.

Por um lado, Ele diz que a verdadeira fé está ancorada no coração - não no dízimo, no sacrifício, na purificação ou em outros rituais externos. Nesse sentido, Ele espiritualiza a fé religiosa. Por outro lado, Jesus argumenta que a fé em Deus é sempre expressa em atos tangíveis de amor ao próximo. Ele estava, em resumo, acabando com nossas categorias de espiritual e social. Na visão de Jesus, elas são um tecido sem costura, que não pode ser rasgado ao meio.”


Não há um evangelho para o cristão enquanto cidadão do Reino e outro para o cristão enquanto cidadão do Estado. Um está ligado ao outro, e se o primeiro é bem exercido, logo o segundo também será.

O contexto do fim dos tempos envolve toda uma conjuntura geopolítica, principalmente no que tange à nação de Israel - que, não sem motivo, é chamada de “termômetro do mundo”.

O apóstolo Lamartine Posella explica:


“Só vão saber os crentes (quem é o Anticristo), porque os crentes sabem qual é o sinal: sinal é a assinatura, a assinatura do Tratado de Paz. A implantação da marca da Besta é depois.

Qual vai ser a dica que Deus vai dar pra gente que ele é o cara? Porque ele vai conseguir fazer o que ninguém conseguiu. Quantas pessoas já tentaram fazer esse acordo de paz? Tratado de Oslo I, Tratado de Oslo II, o Bill Clinton junto com Yasser Arafat, junto com Yitzhak Rabin, dois anos seguintes se juntaram e não virou nada. Donald Trump tentou e não conseguiu. Esse camarada vai conseguir. Ele vai fazer o Tratado de Paz que vai permitir que o povo judeu construa um templo lá naquele monte Moriá. Em contrapartida, as barreiras de Israel vão ser quebradas, vão ter estradas, dinheiro, investimento pros palestinos. Ele vai fazer esse acordo de paz. E o mundo vai falar: ‘Uau! Esse é o cara!’.

A palavra ‘Christos’ é a palavra grega pra traduzir a palavra hebraica ‘Messiah’, o Ungido, o rei. Então, o Anticristo ele é antimessias mas, ao mesmo tempo, a palavra ‘anti’ no grego serve tanto pra traduzir ‘contra’ quanto ‘no lugar de’. Então, Anticristo é o antagonista, mas ao mesmo tempo alguém que se coloca sendo o Cristo, o Messias.

E eu creio que o rompimento dele no povo judeu, na metade da grande tribulação, é porque ele vai entrar no Santo dos Santos (lembrando que ele não é um Sumo Sacerdote). Quando 2 Tessalinicenses 2 diz que ele vai ostentar como sendo Deus, eu penso que vai ser uma coisa assim: ‘Olha, estão dizendo por aí que eu sou o Messias, eu sou Deus. Quer saber? Eu sou’. E aí o judeu vai falar: ‘Pera lá! Eu te respeitava como um grande líder, que fez a paz. Mas você não é Sumo Sacerdote e tampouco Deus’. Aí Israel rompe com ele. Nessa hora é que o mundo se volta contra o povo de Israel que vai ter que fugir, e muitos vão morrer e vão ser perseguidos, não só judeus mas todos que se converterem a Cristo.”


Em breve, Cristo voltará para governar a Terra durante mil anos (o milênio - ou Reino Milenar - que a Bíblia menciona em Ap 20:1-6). E esse Reino terá sua sede em Jerusalém, Israel, de onde Jesus estará sentado no trono governando todas as nações.

Há várias profecias sobre isso, mas cito uma em especial:


“Foi isto que Isaías, filho de Amoz, viu a respeito de Judá e de Jerusalém: Nos últimos dias o monte do templo do Senhor será estabelecido como o principal; será elevado acima das colinas, e todas as nações correrão para ele.

Virão muitos povos e dirão: ‘Venham, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacó, para que ele nos ensine os seus caminhos, e assim andemos em suas veredas’.

Pois a lei sairá de Sião, de Jerusalém virá a palavra do Senhor. Ele julgará entre as nações e resolverá contendas de muitos povos.

Eles farão de suas espadas arados, e de suas lanças, foices. Uma nação não mais pegará em armas para atacar outra nação, elas jamais tornarão a preparar-se para a guerra.”

(Isaías 2:1-4)


Percebe como até a escatologia envolve política?

O escritor britânico C.S. Lewis dizia: “Tudo que não é eterno, é eternamente inútil”. E, quando se fala na temática política, certamente trata-se de algo eterno, válido não apenas para essa vida, como também para a vindoura.



(Referências bibliográficas: https://www.youtube.com/watch?v=NNSrAREZ1Nk; https://www.politize.com.br/o-que-e-politica/; https://m.youtube.com/watch?v=ZTPOB8mKnt4)



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