A TEORIA DE EINSTEIN-ROSEN E A REGRESSÃO CRONOLÓGICA BÍBLICA
“Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos. Nos céus ele armou uma tenda para o Sol, que é como um noivo que sai de seu aposento e se lança em sua carreira com a alegria de um herói. Sai de uma extremidade dos céus e faz o seu trajeto até a outra; nada escapa ao seu calor” (Salmo 19:1, 4-6). Quando Deus criou os céus e a terra, ele mesmo estabeleceu todas as leis que regem a existência de todos os elementos constituintes do Universo, bem como a sustentação da vida. Foi ele quem estabeleceu o Universo pelo poder da sua palavra.
Ezequias, rei de Judá, reinou de 729 a 686 a.C., após um período de grande apostasia no reino de Judá executado por seu pai, o rei Acaz. Ezequias assumiu o trono aos 25 anos de idade e “fez ele o que era reto perante o Senhor, segundo tudo o que fizera Davi, seu pai. Confiou no Senhor, Deus de Israel, de maneira que depois dele não houve seu semelhante entre todos os reis de Judá, nem entre os que foram antes dele. Porque se apegou ao Senhor, não deixou de segui-lo e guardou os mandamentos que o Senhor ordenara a Moisés” (2 Reis 18:3, 5, 6). Ezequias empreendeu uma grande reforma espiritual em Judá, levando o povo ao plano inicial que Deus havia traçado para Israel. O reinado de Ezequias foi marcado por muita prosperidade e por milagres impressionantes, incluindo a derrota e morte de Senaqueribe, um dos maiores imperadores da Assíria.
No auge do seu reinado, “Ezequias adoeceu de uma enfermidade mortal. Veio ter com ele o profeta Isaías, filho de Amoz, e lhe disse: Assim diz o Senhor: Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás” (Isaías 38:1). Ninguém está preparado para morrer, e assim o chão saiu dos pés de Ezequias. O relato bíblico diz que Ezequias orou para que Deus se lembrasse de como ele o amou e seguiu os seus mandamentos de todo coração. Rogou por misericórdia “e chorou muitíssimo” (Isaías 38:2-4).
“Então, veio a palavra do Senhor a Isaías, dizendo: Vai e dize a Ezequias: Assim diz o Senhor, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas; acrescentarei, pois, aos teus dias quinze anos” (Isaías 38:5, 6).
Em 2 Reis 20:9 e 10, Ezequias pediu um sinal do favor de Deus, da mesma forma como fez Moisés, em Midiã, Gideão, na presença do Anjo do Senhor, e Eliseu, momentos antes da ascensão de Elias. Muitas vezes nós pedimos um sinal de Deus para então confiar nele. Não era o caso de Ezequias. Ele já havia experimentado o poder de Deus em seu reinado. Ele pediu para confirmar que essa era a vontade de Deus. Se essa não fosse, ele seguiria sem questionar, mesmo em tristeza. Isaías perguntou: “Adiantar-se-á a sombra [do Sol] dez graus ou os retrocederá?” Ezequias pediu o mais difícil, pois confiava que nada era impossível para Deus. “Assim, retrocedeu o Sol os dez graus que já havia declinado” (Isaías 38:8; veja 2 Reis 20:11); e Ezequias foi curado da sua doença.
Vamos fazer alguns cálculos simples. Num dia solar de 24h, a Terra realiza uma rotação de pouco mais de 360º em torno do seu próprio eixo. Sendo assim, cada hora possui aproximadamente 15º de rotação. Se a sombra do Sol retrocedeu dez graus, isso significa que Deus inverteu o sentido de rotação, fazendo um planeta inteiro recuar dez graus! Esse milagre acrescentou pelo menos 39 minutos e 50 segundos àquele dia, sem contarmos o tempo que a Terra demorou para voltar esses dez graus. Pode parecer pouco à primeira vista, mas não se esqueça que estamos falando de um planeta de 12.742 km de diâmetro, com uma superfície de 510 milhões de quilômetros quadrados e uma massa de seis sextilhões de toneladas, que gira a uma velocidade de 1.700 km/h, com oceanos e seres viventes em sua superfície! Quando Deus desacelerou essa Terra, a fez girar no sentido contrário, e a desacelerou novamente para voltar à sua rotação normal, ele precisou segurar os mares, a atmosfera, montanhas, construções e tudo o que se move, sem causar dano a nada! Em suma, Deus realizou um milagre que moveu as forças do Universo para curar o seu servo!
Talvez nem nos atentemos que, quando a Bíblia nos relata que a sombra regressou dez graus, na verdade a Palavra está dizendo que ocorreu uma volta no tempo. Sim! Outrora, a forma para calcular o tempo era através do relógio de sol. Os relógios de sol mais antigos de que se tem noticia em registros arqueológicos são dos obeliscos (construídos em 3500 a.C.) e os relógios de sombra (1500 a.C.), que, respectivamente, eram usados pelos astrônomos antigos do Egito e da Babilônia. Mas é bem provável que os seres humanos estivessem usando o comprimento das sombras para saberem a hora mesmo em tempos mais antigos, apesar dessa hipótese ser de difícil confirmação. Há cerca de 700 a.C, o Velho Testamento descreve um relógio de sol, o “relógio de Ahaz”, que é mencionado em Isaías 38:8 e 2 Reis 20:9. Vitrúvio, o escritor romano, lista uma série de relógios de sol conhecidos naquele tempo. O astrônomo Padovani publicou uma dissertação sobre o relógio de sol em 1570, no qual ele dava instruções para a construção e posicionamento de relógios de sol verticais e horizontais. Em 1620, o astrônomo e matemático Giuseppe Biancani escreveu o seu “Constructio instrumenti ad horologia”, que ensinava as técnicas para a criação de um relógio de sol perfeito.
Entender esse conceito pode explodir a nossa mente: se o tempo é volátil a ponto de poder ocorrer uma regressão, haveria também a possibilidade de ele ser transitável. Em outras palavras, a viagem no tempo seria possível e real.
O tema de viagem no tempo desperta muito interesse. Abordado no filme “De Volta Para o Futuro” (1985), na história em quadrinhos “Flashpoint”, da DC Comics, no longa-metragem “Interestelar” (2014), e também na ciência por gênios como Albert Einstein e Nathan Rosen.
Essa teoria de Einstein-Rosen é conhecida como “buraco de minhoca”. “Buracos de minhoca” é um nome curioso para algo tão exótico. Mas também é bastante ilustrativo.
Imagine uma minhoca em uma maçã que quer chegar o mais rápido possível ao lado oposto de onde se encontra. Em vez de percorrer todo o caminho pela superfície, ela cava um buraco o mais reto possível.
E tal qual no Jardim do Éden ou como fonte de inspiração para Isaac Newton, a maçã nos conduz a um mundo de conhecimentos novos a serem explorados. E neste caso, estamos apenas começando a conhecer melhor esses buracos.
Os buracos de minhoca começaram como uma solução para um problema que afligia os cientistas.
Depois de revelar sua teoria geral da relatividade em 1915, Albert Einstein se ocupou com um grande buraco em seu argumento.
“Ele concebeu uma nova teoria sobre todo o Universo, na qual também dizia que quando as estrelas entram em colapso elas formam buracos negros”, disse à BBC o físico Jim Al-Khalili.
“Nessa época, e por vários outros anos, acreditava-se que não existiam os buracos negros, que eles eram só produtos da matemática. Inclusive Einstein pensava assim. Mas algo lhe incomodava.”
“No centro do buraco negro está a singularidade, um ponto no qual toda a matéria se comprime a um tamanho zero e, portanto, de densidade infinita. Mas Einstein, como um bom físico, não gostava que algo pudesse ter matéria com tamanho zero. É como quando se divide algo por zero em uma calculadora e aparece uma mensagem de erro.”
“Então, junto com o físico americano-israelense Nathan Rosen, ele publicou um artigo no qual sinalizaram que, com algumas pequenas mudanças matemáticas, essa singularidade se converteria em uma ponte que leva do centro do buraco negro a outro lugar, talvez a outro buraco negro ou até mesmo a um buraco branco”, explica Al-Khalili.
“Um buraco negro é algo que absorve tudo totalmente: inclusive a matéria e a luz que caem nele não saem mais dali. Um buraco branco é o oposto. Ele não engole nada e ainda expele tudo. A ideia é que talvez tudo que esteja caindo em um buraco negro esteja sendo expelido pelo outro extremo, que seria um buraco branco.”
“É isso que se chama de ponte Einstein-Rosen.”
É esse o nome oficial dos buracos de minhoca. Este último termo foi introduzido pelo físico americano John Wheeler em 1957.
Quase três décadas depois, o astrônomo, apresentador e ganhador do prêmio Pulitzer Carl Sagan (1934-1996) escreveu o romance “Contato” (publicado em 1985) no qual ele fala sobre um encontro entre humanos e extraterrestres.
Seu plano original era de que a protagonista, Eleanor Arroway, e outros quatro cientistas se jogassem em um buraco negro criado por alienígenas para chegar até o planeta deles, a 26 anos-luz de distância.
Mas a física não estava do seu lado.
O problema é que ao entrar em um buraco negro o mais provável é que eles teriam um final... pouco comum.
Segundo os cientistas, na medida em que eles fossem se aproximando do buraco negro, diferentes partes de seus corpos seriam puxadas por distintas forças de gravidade — com seus corpos sendo esticados e comprimidos até virarem um espaguete (o nome do efeito é “espaguetização”) e logo se chocariam com o núcleo do buraco negro.
Esse detalhe sobre o uso das pontes Einstein-Rosen preocupava Sagan.
Apesar de estar escrevendo ficção, ele era um cientista e não gostou da situação. Ele pediu ajuda a um amigo que era simplesmente um dos maiores especialistas em relatividade no mundo: Kip Thorne.
Quando Thorne começou a mexer nas equações de campo de Einstein, se deu conta de que teoricamente seria possível criar uma espécie completamente nova de “buraco de minhoca transitável”.
E foi assim que a ficção científica gerou uma teoria moderna de buracos de minhoca, mais tarde publicada em uma revista de física que abriu um campo novo de investigação.
Mas se você acha estranha a ideia de pegar um atalho no espaço para chegar a lugares que estão a anos-luz daqui, o que vem a seguir é ainda mais esquisito.
De acordo com a teoria geral da relatividade de Einstein, os buracos de minhoca podem ser usados não só para se viajar através do espaço como também através do tempo.
Como se faz?
Aqui estão, cortesia do astrônomo Andrew Pontzen, as instruções para transformar um buraco de minhoca em uma máquina do tempo.
“Se você é capaz de criar duas extremidades de um buraco de minhoca que entrelaçam dois espaços, e você pega uma dessas extremidades e as manda em uma viagem na velocidade da luz, o que você estaria fazendo é enviá-la para o futuro. Assim, você teria um buraco de minhoca que não só te leva de um lugar para o outro como também de uma época para a outra.”
Assim, seria possível viajar ao futuro, mas não ao passado.
“Você poderia ir visitar o futuro e voltar ao presente. Não poderia ir a um momento anterior ao que você criou o buraco de minhoca, mas poderia voltar a esse momento”, diz Pontzen.
Como você pode imaginar, essa estranha ideia dá origem a uma infinidade de problemas práticos.
Mas nada que tenha impedido a ficção científica de se divertir com essa ideia. Autores encantados com os buracos de minhoca para viajar no tempo transformaram isso em um elemento clássico da literatura, mesmo que nem sempre seguindo a ciência muito estritamente, como Sagan tentou fazer com “Contato”.
Na trilogia “De Volta Para o Futuro”, que foi lançada no mesmo ano em que Sagan publicou seu livro, o protagonista viaja para o passado e ainda tem a possibilidade de alterar eventos já ocorridos.
“A noção de poder mudar o passado é errônea. Há leis da física que te protegem”, diz a escritora Jennifer Oullette.
No fim das contas, os buracos de minhoca podem estar por todas as partes.
Essa é uma ideia muito nova na física, mas poderia proporcionar uma solução a outro pequeno problema sobre o qual Einstein se debruçou.
“Depois de publicar um artigo sobre as pontes Einstein-Rosen, em 1935, Einstein publicou no mesmo ano outro artigo sobre seu desconforto com algo na mecânica quântica: como duas partículas que estão entrelaçadas podem ser separadas e, ainda assim, de alguma forma, se manterem em comunicação?”
“Há sinais de que a resposta é que elas estão unidas por um buraco de minhoca quântico. É uma ideia tão fantástica! Mas por enquanto é só isso: uma ideia, ainda que partindo de físicos muito sérios. Talvez em uma escala quântica os buracos de minhoca existam”, disse Al-Khalili à BBC.
Finalmente, darei a minha tese: eu creio que o tempo e o espaço são transitáveis, sim, não apenas devido aos cálculos presentes na teoria Einstein-Rosen, mas também porque as Escrituras demonstram, de certa forma, que é real. Todavia, isso não significa que o homem poderá alcançar tal êxito. Exemplo: viajar à lua é uma realidade, mas não significa que eu vou. Portanto, apesar do tempo ser transitável (através de um buraco de minhoca, talvez?), não creio que um dia chegaremos ao ponto de experimentar essa realidade. Afinal, Deus criou as leis da física como parte do regimento deste mundo, e somente Ele pode suspendê-las, como no episódio bíblico da regressão do tempo. Nesse sentido, uma transitação no tempo seria possível apenas mediante uma ação primária divina.
(Referências bibliográficas: Resumo feito a partir dos artigos presentes em https://biblia.com.br/perguntas-biblicas/ezequias-e-o-dia-em-que-o-sol-retrocedeu/ e https://www.bbc.com/portuguese/geral-53067626.amp, com breves adições de minha autoria)

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