QUEM TEM PROMESSA NÃO MORRE

Num contexto no qual o povo hebreu não dispunha dos mesmos recursos dos egípcios para garantir à posteridade o conhecimento ancestral (pergaminhos, sarcófagos e pirâmides, por exemplo), a descendência era um fator míster para que esse intuito fosse cumprido.

Por tal motivo, Abraão recorreu à sua serva Hagar a fim de que sua família não se findasse mediante sua morte. Afinal, sua esposa Sara era estéril. Observa-se, portanto, uma causa não primariamente oriunda do “eros”, mas sim de uma necessidade ou obrigação hebreia que justificou a relação entre Abraão e Hagar.

Todavia, apesar de Abraão requerer de Deus que seu filho Ismael (fruto da relação com Hagar) fosse abençoado e se tornasse seus herdeiro, os planos divinos eram outros: “O que Eu disse foi que Sara, tua esposa, lhe dará um filho. E tu lhe darás o nome de Isaque. Eu manterei a minha Aliança com ele e com todos os seus descendentes, para sempre!” (Gênesis 17:19).

Nesse sentido, Isaque foi o filho prometido pessoalmente pelo próprio Deus a Abraão e Sara (cf. Gênesis 18:9-15), inclusive sendo chamado pelo apóstolo Paulo de “filho da promessa” (Gálatas 4:28).

Mas, de qual promessa Isaque era filho? Aquela que Deus fez a Abraão em Gênesis 15:5: “Então o SENHOR conduziu Abrão para fora da tenda e orientou-o: ‘Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes’. E prometeu: ‘Será assim a tua posteridade!’” Vale ressaltar que, tempos depois, o próprio Deus lembrou a Isaque essa mesma promessa feita a seu pai Abraão: “O SENHOR apareceu a Isaque e orientou-o: ‘Não desças ao Egito; fica na terra que Eu te indicar. Habita nesta terra, Eu estarei contigo e te abençoarei. Porque é a ti e à tua raça que darei todas estas terras e manterei o juramento que fiz a teu pai Abraão. Farei a tua descendência numerosa como as estrelas do céu. Eu lhe darei todas estas terras e por tua posteridade serão abençoadas todas as nações da terra, porque Abraão me obedeceu, guardou minhas ordenanças, meus mandamentos, meus princípios e minhas leis!’” (Gn 26:2-5).

Faz-se necessário rememorar esse cenário para que possamos olhar de forma diferente uma das passagens bíblicas mais conhecidas e representadas: quando Abraão levou seu filho Isaque com intuito de sacrificá-lo no alto do monte Moriá (cf. Gênesis 22). Ora, por que Abraão não hesitou em levar seu próprio filho como oferta ao Senhor? Qual pai em sã consciência agiria de tal maneira? Pois bem, não sem motivo Abraão é chamado de “pai da fé”. Ele sabia bem a promessa que Deus havia lhe feito. E, se o Senhor lhe prometera uma grande descendência, Isaque era parte essencial dessa promessa! Alguns podem argumentar: “Mas se não houvesse Isaque, de qualquer forma Deus daria outro filho para Abraão a fim de que a promessa fosse cumprida”. Entretanto, o próprio Deus havia mencionado a Abraão que a aliança perpétua seria com Isaque e sua descendência. E Deus não é homem pra mentir (cf. Números 23:19).

O que deu ímpeto para que Abraão obedecesse a Deus, mesmo que a solicitação pudesse parecer irracional, foi a promessa. Como declara o salmista, são as promessas que nos dão força para vencer os dias maus (cf. Sl 199:49-50). Sabemos que, no final da história, Abraão não teve que sacrificar seu filho, pois o anjo apareceu naquele monte e impediu a consumação do ato, revelando que o objetivo daquele episódio era provar a sua fé.

Mesmo com essa compreensão clara, o Diabo ainda consegue colocar insegurança em nosso coração. Mesmo sabendo que Deus não falha em Suas promessas, nossa natureza adâmica ainda tende a duvidar. Prova disso é que, mesmo sabendo que a Terra Prometida, como já diz o nome, era um local que o próprio Senhor havia separado para Seu povo, os hebreus temeram os povos inimigos e gigantes que habitavam ali (cf. Nm 13:27-29). Contudo, a Bíblia declara que Calebe não se esquecera da promessa que Deus havia feito, e fez questão de lembrar ao povo: “Subamos animosamente e possuamo-la em herança; porque, certamente, prevaleceremos contra ela” (Nm 13:30). Observe que a certeza de Calebe não era proveniente da confiança na força do exército israelita ou algum outro fator humano, mas sim porque ele sabia que a Terra Prometida era herança do Senhor para aquele povo.

Igualmente, a Bíblia declara que o Cordeiro de Deus foi morto desde antes da fundação do mundo (cf. Apocalipse 13:8). Além disso, sabemos que os profetas veterotestamentários apontaram a vinda do Messias (Isaías 9, Isaías 53, Zacarias 9:9, Miquéias 5:2, etc.). Portanto, a indagação: teria a chance do menino Jesus ter sido morto pelo rei Herodes quando ele “mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo” (Mateus 2:16)? Logicamente não! E por que não havia a mínima chance? Porque o plano de redenção já havia sido elaborado pelo Senhor para a humanidade desde a eternidade, desde antes de Gênesis capítulo 1.

Havia chance de Isaque perecer? Não, porque ele era o filho da promessa, logo, sem ele não haveria cumprimento da promessa. Havia chance do povo hebreu não obter êxito em se estabelecer na Terra Prometida? Não, simplesmente porque a terra fora prometida pelo Senhor para Seu povo. Havia chance de Jesus ter sido morto por Herodes ou pelos religiosos que intentaram em apedrejá-lo? Não, porque o a história já estava escrita pelo dedo de Deus.

Assim como a minha e a sua história estão escritas pelo dedo de Deus. Assim como José não morreria naquele poço em que foi jogado pelos seus irmãos, ou então na prisão, porque sobre ele estava a promessa que culminaria no seu governo sobre o Egito (cf. Gênesis 37:5-9). Assim como Paulo não haveria de ser morto açoitado, por picada de cobra ou num naufrágio, porque o propósito do Senhor pra ele culminaria apenas em Roma (cf. 2 Cor 11:24-28; At 28:3-6; At 27:22-26).

Quando estiver no dia mau, lembre-se: a sua vida não está nas mãos de situações ou de pessoas, mas unicamente nas mãos do Senhor. Sua história já está escrita desde antes de você ser formado no ventre da sua mãe. As promessas de Deus pra sua vida se cumprirão, todas, à risca! Tão somente creia!

Finalizo com a letra da bela canção “Não Morrerei”, de Marquinhos Gomes:


“Se tudo está difícil

A multidão já te cansou

O meu Deus nunca falha e nunca falhou

Se a luta é muito grande

Ela te fez perder a fé

O meu Deus entra na guerra, peleja por você


Levante os teus olhos e veja o sobrenatural

Quem tem promessa de Deus vence o mal

Levante os teus olhos e veja o sobrenatural

Quem tem promessa de Deus vence o mal, vence o mal


Não morrerei

Enquanto a promessa não se cumprir

Quem tem promessa de Deus

Não morre não, não desiste não

E tem a fé, a fé de Abraão”



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