ALIANÇA COM DEUS

O ser humano almeja aprovação. O motivo, segundo a Bíblia, é o pecado. Uma vez que Adão (personagem bíblico) desobedeceu a Deus, comendo o fruto do conhecimento do bem e do mal, o próprio Deus deixou de ser suficiente para o homem (a tipologia adâmica), e este começou a buscar nos ídolos, nas concupiscências carnais e nós próprios homens elementos que somente o Criador podia dar: completude, propósito, paz, abundância. Nas palavras do apóstolo Paulo: “E, proclamando-se a si mesmos como sábios, perderam completamente o bom senso e trocaram a glória do Deus imortal por imagens confeccionadas conforme a semelhança do ser humano mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis” (Romanos 1:22-23). Segundo Charles Darwin (1809-1882) e sua teoria da seleção natural - que atua no processo de constante luta pela sobrevivência das espécies -, essa necessidade de aprovação seria oriunda do ímpeto de prevalecimento social. Agora, de acordo com a filosofia de Arthur Schopenhauer (1788-1860) e Friedrich Nietzsche (1844-1900), o homem age mediante impulsos pré-racionais, que visam estabelecer domínio sobre o meio - e a aprovação social seria uma ferramenta para atingir esse objetivo.

Portanto, não importa a corrente de pensamento: a questão da busca pela aprovação é unanimidade nas diversas ciências.

Um evidente exemplo nas Escrituras é quando o povo israelita pediu por um rei, como outras nações possuíam, rejeitando portanto a suficiência e soberania divina.


“Então todos os líderes de Israel se reuniram e foram falar com Samuel, em Ramá. Eles disseram:

— Olhe! Você já está ficando velho, e os seus filhos não seguem o seu exemplo. Por isso, queremos que nos arranje um rei para nos governar, como acontece em outros países.

Samuel não gostou do pedido deles. Então orou a Deus, o Senhor, e ele respondeu assim:

— Atenda o pedido do povo. Não é só você que eles rejeitaram; eles rejeitaram a mim como Rei. Desde que eu os trouxe do Egito, eles sempre me têm abandonado e têm adorado outros deuses. Agora estão fazendo com você o que sempre fizeram comigo. Portanto, atenda o pedido deles. Mas avise essa gente, explicando com toda a clareza como o rei vai tratá-los.”

(1 Samuel 8:4-9)


Todavia, apesar daqueles que não compreendiam que o Altíssimo era a plena suficiência, a Bíblia também nos relata que muitos entenderem que Deus era sim a única fonte de águas vivas que poderia saciar nossa sede existencial, e a aliança com Ele era mais do que o necessário para se ter uma vida plena. Quando Davi foi enfrentar Golias, ele não deu nenhum tipo de “carteirada” do tipo “eu vim aqui batalhar com você porque eu sou amigo do ‘fulano de tal’”. Nada disso. Ele era amigo sim, mas de Deus! E isso bastava.


“Você vem contra mim com espada, com lança e com dardos, mas eu vou contra você em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem você desafiou. Hoje mesmo o Senhor o entregará nas minhas mãos, eu o matarei e cortarei a sua cabeça. Hoje mesmo darei os cadáveres do exército filisteu às aves do céu e aos animais selvagens, e toda a terra saberá que há Deus em Israel. Todos os que estão aqui saberão que não é por espada ou por lança que o Senhor concede vitória; pois a batalha é do Senhor, e ele entregará todos vocês em nossas mãos.”

(1 Samuel 17:45-47)


Ele deixou bem claro para o gigante que estava ali “em nome do Senhor dos Exércitos”. Por isso, não importava se ele era o rejeitado da família, tampouco se estava em desvantagem física e militar em relação ao filisteu. Ele tinha a unção, e, por isso, tinha tudo.

Outro que não deu nenhum tipo de “carteirada” foi o próprio Jesus. Ele não disse que veio realizar Sua missão em nome de Moisés, Elias ou do Império Romano, mas sim do Pai. E acrescentou: “Eu vim em Nome de meu Pai, e vós não me recebeis. Se outro vier em seu próprio nome, declaro-vos que o recebereis” (João 5:43). Se Jesus tivesse invocado o nome mosaico ou de algum grande profeta, provavelmente ganharia moral entre os religiosos. Porém, como “só” veio em nome do Pai, foi rejeitado por muitos.

Paulo não precisou da aprovação de Pedro ou de nenhum outro apóstolo para também ser chamado de apóstolo. Ele fora chamado pelo próprio Jesus, e isso bastava (cf. Atos 9). Por isso, não tinha medo de declarar:


“Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, por vontade de Deus, enviado para anunciar a vida que Deus promete através da fé em Cristo Jesus.”

(2 Timóteo 1:1)


Ele era apóstolo e ponto final. Em nome de quem? Em nome de Cristo.

“Existem projetos divinos que Deus já te aprovou e que você só não está vivendo ainda porque está esperando aprovação na Terra”, diz o pastor Felippe Valadão. Imagina se Paulo ficasse à mercê da aprovação dos outros 11 apóstolos? Imagina se ele se sentisse inseguro em se denominar apóstolo “apenas” mediante aquela experiência sobrenatural com Jesus, ou seja, sentisse a necessidade de alguém vir e lhe impor as mãos “oficialmente”? Não que esse ato não seja importante para a liturgia, mas as mãos do Crucificado furadas pelos pregos já haviam sido impostas sobre ele, e isso bastava.

Muitas vezes ficamos reféns da aprovação alheia, como se as promessas de Deus dependessem de alguém para serem realizadas. Não que o Senhor não possa usar pessoas para nos auxiliarem no propósito, mas Deus não tem plano B: quem Ele quer que seja usado, será e ponto final. Não precisa da gente perder o sono ou fazer de tudo pra agradar fulano ou ciclano. Um episódio nas Escrituras que ratifica esse afirmação foi quando Deus endureceu o coração do Faraó para que a glória dEle fosse demonstrada através de Seu povo no Egito:


“Eu vou endurecer o coração de Faraó, para que os persiga, e serei glorificado em Faraó e em todo o seu exército. E os egípcios saberão que eu sou o SENHOR. Eles assim o fizeram.”

(Êxodo 14:4)


A Rapha Gonçalves, do Dunamis Movement, faz uma bela reflexão acerca dessa temática:


“Você já pensou que para chegar onde Deus te chamou você precisaria conhecer O pastor tal ou chamar atenção da pessoa X?

É certo que conexões nos levaram mais perto do nosso destino mas é mais certo ainda que Deus é a nossa maior e melhor conexão, e se você tiver favor com Ele não precisará de mais nada. Enquanto lia sobre a história de José me deparei com uma fala dele que me fez pensar nisso.

Em Gênesis 45:5-8 José fala para seus irmãos, que o tinham vendido como escravo a muitos anos atrás e no momento estavam precisando da sua ajuda, que não ficassem triste por terem feito mal a ele porque não foram eles que o enviaram para lá mas sim DEUS. Por mais que ele tivesse passado por muitos momentos difíceis durante sua caminhada até aquele momento, por conta de seus irmãos, ele os perdoou e continuou olhando para o Senhor. Ele não deixou de buscar a Deus e por que tinha favor com o Pai teve favor com o rei.

A verdade é que não importa quantas pessoas te fizeram mal ou até tentaram parar você de viver sua promessa, quem faz tudo é Ele. Ninguém pode te tirar ou colocar em um lugar que Deus não deixe, Ele abre e fecha as portas. Ele sabe o que é melhor para você. Não tenha medo de não viver algo porque outros lhe causaram mal, assim como José, saiba que Deus pode transformar algo que foi maldição na sua vida em uma grande benção que mudará a história.”


As promessas de Deus pra José se cumpriram exatamente como ele havia sonhado - e que já estavam estabelecidas desde a eternidade. Os irmãos de José se levantaram contra ele para assassiná-lo a sangue frio, depois lhe venderam como escravo; logo, José foi preso injustamente; esquecido pelo amigo a quem ajudou; depois de mais de uma década, enfim ele sentou-se no trono de governador do Egito. Nenhum obstáculo foi capaz de impedir a realização das promessas de Deus na vida de José. Pelo contrário, Deus usou cada uma delas pra servir de combustível naquela trajetória.

Se achamos que as promessas são condicionadas à boa vontade das pessoas para conosco, creio que não entendemos muito bem o que é o evangelho da graça.

Em seu livro “O Evangelho Maltrapilho”, Brennan Manning explana maravilhosamente esse ponto:


“O evangelho da graça nulifica a nossa adulação aos televangelistas, superastros carismáticos e heróis da igreja local. Ele oblitera a teoria de duas classes de cidadania que opera em muitas igrejas americanas. Pois a graça proclama a assombrosa verdade de que tudo é de presente. Tudo de bom é nosso não por direito, mas meramente pela liberdade de um Deus gracioso. Embora haja muito que podemos ter feito por merecer - nosso diploma e nosso salário, nossa casa e nosso jardim, uma garrafa de boa cerveja e uma noite de sono caprichada - tudo é possível apenas porque nos foi dado tanto: a própria vida, olhos para ver e mãos para tocar, mente para formar ideias e coração para bater com amor. A nós foram-nos dados Deus em nossa alma e Cristo na nossa carne. Temos o poder de crer quando outros negam; de ter esperança quanto outros desesperam; de amar quando outros ferem. Isso e muito mais é pura e simplesmente de presente; não é recompensa a nossa fidelidade, a nossa disposição generosa, a nossa vida heróica de oração. Até mesmo nossa fidelidade é um presente. ‘Se nos voltamos para Deus’, disse Agostinho, ‘até mesmo isso é um presente de Deus’.”


Com quem é sua aliança? Com Deus ou com os homens?

Em quem está a confiança de sua vida, dos seus sonhos, das promessas que você recebeu? Em Deus ou nos homens?

Me chamou atenção uma resposta que o empresário e teólogo Pablo Marçal deu pra um seguidor que lhe afirmou: “Estão te chamando de Elon Musk brasileiro”. Marçal replicou: “Já me chamaram de Tony Robbins, Fidel Castro capitalista, Elon Musk, Tony Stark. Nenhum desses senhores estão à altura do que eu fui chamado pra fazer. Meu nome é Marçal e não preciso ser comparado a ninguém. Só se comparam uns aos outros quem não tem identidade própria”.

A identidade nos é revelada e dela tomamos posse quando passamos a conhecer quem nos criou. E, quando passamos a conhecer quem nos criou, também descobrimos nosso propósito nessa Terra.

Descubra Deus. Acesse sua aliança com Ele. Conhecendo-o, você também conhecerá você mesmo como nunca antes.

Com quem é sua aliança? Com Deus ou com os homens?



(Referências bibliográficas: https://mundoeducacao.uol.com.br/amp/biologia/selecao-natural.htm; https://www.instagram.com/p/CZh0mqHJj3N/?igshid=YmMyMTA2M2Y=; https://www.instagram.com/p/Cg_1qNZA9WI/?igshid=YmMyMTA2M2Y=)



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