JOSÉ, PAI DE JESUS
JOSÉ.
Um nome de batismo tão comum.
Igualmente comum é, quando se fala de Cristianismo, talvez o primeiro José que venha à nossa mente seja o do Egito. Ou então o de Arimatéia, que tirou o corpo do Senhor da cruz e depositou-o no sepulcro.
Todavia, há um José na história bíblica que ocupa lugar de singular importância: o pai de Jesus.
Segundo os Evangelhos, ao saber que Maria - moça a qual lhe estava prometida em matrimônio - estava grávida, José optou por deixá-la em segredo a fim de não comprometê-la socialmente, visto que o filho não era seu, e, conforme a Lei mosaica, a pena para adultério era o apedrejamento (cf. Deuteronômio 22:22-24; Mateus 1:18-20).
Contudo, o anjo Gabriel aparece em sonho para aquele simples homem e revela a respeito do Messias - gerado pelo Espírito Santo no ventre mariano. José deposita fé naquelas palavras, assumindo portanto o papel de pai adotivo de Jesus.
José ainda teve outra experiência sobrenatural, fundamental para a segurança do menino Jesus:
“Depois que partiram, eis que um anjo do SENHOR apareceu a José em sonho e lhe disse: ‘Levanta-te, toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito. Permanece lá até que eu te diga, pois Herodes há de procurar o menino para o matar’.
José se levantou, tomou o menino e sua mãe, durante a noite, e partiu para o Egito. E esteve lá até a morte de Herodes. E assim se cumpriu o que o SENHOR tinha dito através do profeta: ‘Do Egito chamei o meu filho’.”
(Mateus 2:13-15)
Destaca-se a fé de José e a atitude proveniente dessa fé. Ora, ele podia imaginar que estava sendo afligido por distúrbios psicológicos. Ademais, lembremos que nunca havia ocorrido uma obra divina semelhante à geração de Cristo sem conjunção carnal. Todavia, José trilhou o caminho da fé, e mediante o aviso do ser celestial, rapidamente tomou a decisão de obedecer e seguir para o Egito juntamente com sua família. Conforme Tiago ensinou, “a fé sem obras é morta” (Tg 2:26). Se a fé de José não fosse acompanhada por uma atitude, tudo seria em vão.
Segundo José Luís Lira, fundador da Academia Brasileira de Hagiologia e professor da Universidade Estadual Vale do Aracaú, do Ceará, “José viveu em Nazaré, na Galileia. Os evangelhos se referem a ele aclamando-o como ‘homem justo’ escolhido por Deus para ser o pai amoroso de seu filho Jesus, ao casar-se com Maria”.
Há um texto chamado “História de José, o Carpinteiro”, possivelmente escrito entre os séculos VI e VII, que faz parte dos chamados textos apócrifos, isto é, relatos sobre o período de Jesus que foram redigidos nos primeiros séculos da era comum e acabaram não sendo reconhecidos como basilares do cristianismo. Entretanto, trata-se de um material importante, devido à escassez de informações a respeito de José nos textos canônicos (pois, nas Escrituras, a última aparição de José ocorre no encontro com Jesus no templo, quando Ele tinha 12 anos de idade. A partir do ministério público de Cristo, não se fala mais de Seu pai). Os evangelhos, aliados com os apócrifos e a tradição constituem-se em essenciais fontes históricas de pesquisa nesse sentido.
Segundo matéria da BBC, o texto relata que “esse trabalhador nazareno é apresentado como uma figura mais velha, um homem viúvo já pai de algumas crianças. Maria, ainda menina, é encarregada de ajudá-lo a cuidar dos filhos. Nesse sentido, quando ela atingisse a idade de 14 anos e meio, eles deveriam se casar. E é nesse contexto que Maria engravida de Jesus e toda a narrativa cristã se principia. Um dos aspectos mais curiosos desse texto é que, nele, a morte de José é descrita — quando ele tinha impressionantes 111 anos. Sobre a morte, aliás, o relato apócrifo recupera essa ideia de um homem que era sempre avisado e orientado pela voz divina”. Segundo o relato, ele teria sido avisado por um anjo da morte.
Doutor pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o estudioso de narrativas e documentos sobre santos Thiago Maerki pontua: “O texto ressalta que ele tinha uma ótima saúde, com todos os dentes intactos e tendo trabalhado até seu último dia de vida, o que mostra certo vigor apesar da idade avançada”.
Na visão de Lira, “a fonte mais segura” sobre a biografia de José é o pouco que está escrito nos evangelhos.
“Existem outras fontes como os apócrifos, com destaque para a ‘História de José, o Carpinteiro’, escrito em copta entre os séculos VI e VII”, lembra.
O pesquisador, contudo, acredita que o documento seja um relato de “duvidosa veracidade”, enfatizando que a “própria língua copta surgiu no Egito no século III, muito depois, portanto, da passagem de José na Terra”.
“Eu diria que [o livro apócrifo] é um romance. Muitos foram os escritos de santos, teólogos, historiadores, mas nenhuma fonte é mais segura do que os evangelhos”, analisa.
Em suma, percebe-se que a figura de José é discreta na narrativa da Bíblia em comparação com outros personagens. Mas esse fato, de maneira alguma, é sinônimo de menor importância.
O pastor Felippe Valadão afirma:
“Deus entregou a José do Egito uma nação. Deus entregou a Davi um reino. Mas Deus entregou a José (o pai de Jesus) o destino de toda a humanidade! Ser fundamental é mais importante do que estar em evidência!”
O simples depósito de fé e a ação proveniente dessa fé por parte de José foram a semente que germinaria anos depois no ministério de Jesus.
E, em tempos de extrema exposição social devido à globalização, nos quais ser visto importa cada vez mais na lógica de mercado e construção imagética, José nos ensina que o importante é fazer o que deve ser feito, ainda que os holofotes não estejam sobre nós.
Para o teólogo Leonardo Boff, “José é o santo dos anônimos, dos trabalhadores que falam com as mãos, do silêncio operoso e da discrição”. E ainda completa: “Na vida, no trabalho, na família, nos momentos de alegria e tristeza, São José procurou e amou constantemente o Senhor, merecendo o elogio das Escrituras como um homem justo e sábio”.
Portanto, que nesse Dia dos Pais, possamos meditar acerca da figura de José para que o imitemos, pois como disse o apóstolo Paulo: “Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo!” (1 Coríntios 11:1).
(Referências bibliográficas: https://www.bbc.com/portuguese/geral-59781385; https://www.ihu.unisinos.br/categorias/159-entrevistas/605810-jose-e-a-presenca-silenciosa-daquele-que-se-fez-pai-do-deus-humano-entrevista-especial-com-leonardo-boff)
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