PROMESSA: CARTA NA MANGA PARA OS DIAS MAUS (Parte 2)
A Bíblia diz a respeito de Noé:
“Noé era homem justo, íntegro entre o povo da sua época; ele andava com Deus.
Noé gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé.”
(Gênesis 6:9-10)
Noé mantinha-se justo, mesmo vivendo em um mundo corrompido pelo pecado. Tamanho era o mal que o Senhor decidiu colocar um ponto final naquela história. A Noé e sua família, porém, Deus decidiu poupar.
“Darei fim a todos os seres humanos, porque a terra encheu-se de violência por causa deles. Eu os destruirei com a terra. Você, porém, fará uma arca de madeira de cipreste; divida-a em compartimentos e revista-a de piche por dentro e por fora. Faça-a com cento e trinta e cinco metros de comprimento, vinte e dois metros e meio de largura e treze metros e meio de altura. Faça-lhe um teto com um vão de quarenta e cinco centímetros entre o teto e o corpo da arca. Coloque uma porta lateral na arca e faça um andar superior, um médio e um inferior.”
(Gênesis 6:13-16)
O detalhe é que, até então, nunca havia caído um pingo de chuva sobre a Terra. De fato, a primeira menção bíblica que temos de chuva caindo sobre a terra está em Gênesis 7:12, que diz: “e houve copiosa chuva sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites”. Deus, entretanto, prometeu: “Eis que vou trazer águas sobre a terra, o Dilúvio, para destruir debaixo do céu toda criatura que tem fôlego de vida. Tudo o que há na terra perecerá” (vv. 17).
Eis que Noé iniciou a construção da arca. Agora, faça comigo um exercício de imaginação: se nunca havia chovido sobre a Terra, imagina a reação das pessoas ao ver Noé construindo um projeto do tamanho de uma arca com a justificativa de que cairia um dilúvio? Com certeza, chamá-lo de “louco” deve ter sido o mais leve dos adjetivos. E detalhe: Noé demorou cerca de 100 anos para construir a arca. Quando é mencionado pela primeira vez em Gênesis 5:32, Noé tem 500 anos de idade. Quando entra na arca, ele tem 600 anos de idade, no 17º dia do segundo mês (Gênesis 7:11-13). Então, meus amigos, foram 100 longos anos sob olhares de zombaria, desconfiança e descrença.
Mas a pergunta de um milhão de dólares é: o que motivou Noé a continuar, mesmo sob uma “chuva” de críticas (perdão pelo trocadilho)? Eu respondo, com base na Palavra: a promessa de Deus.
“Mas com você estabelecerei a minha aliança, e você entrará na arca com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos.”
(Gênesis 6:18)
Noé estava debaixo de uma promessa. A promessa era a carta na manga nos dias maus, que devem ter sido muitos!
O projeto de Noé era grandioso, do tamanho de uma arca.
Assim como o de José também era. Olha o sonho que Deus concedeu a ele:
“‘Ouçam o sonho que tive’, disse-lhes.
‘Estávamos amarrando os feixes de trigo no campo, quando o meu feixe se levantou e ficou em pé, e os seus feixes se ajuntaram ao redor do meu e se curvaram diante dele.’
Seus irmãos lhe disseram: ‘Então você vai reinar sobre nós? Quer dizer que você vai nos governar?’ E o odiaram ainda mais, por causa do sonho e do que tinha dito.
Depois teve outro sonho e o contou aos seus irmãos: ‘Tive outro sonho, e desta vez o sol, a lua e onze estrelas se curvavam diante de mim’.”
(Gênesis 37:6-9)
Sabe o que aconteceu depois disso? Acha que tudo começou a “dar certo” magicamente na vida de José? Todas as portas se abriram? Foi “só vitória”? Nada disso. Os irmãos de José planejaram matá-lo, mas, no fim, mudaram de ideia e, após jogarem-no no fundo do poço, venderam-no como escravo para o Egito. Chegando lá, depois de conseguir certo alívio em suas aflições por prestar um bom serviço a Potifar, oficial e comandante da guarda de faraó, a felicidade durou pouco: a mulher de Potifar acusou-o, após vários assédios, de ele ter assediado-a. Foi preso injustamente. Na cadeia, também ganhou certa moral pela sua conduta, ajudou pessoas, mas, na hora H, foi esquecido por quem um dia estendeu a mão. Até que, cerca de uma década depois do sonho, José chegou ao cargo de governador do Egito, nação que era a maior potência do planeta na época.
Imagina quantas vezes José não pensou em desistir? Seja quando estava no fundo do poço, ou nas noites frias na prisão. O que será que mantinha ele de pé, com esperança no amanhã? A resposta é simples e bíblica: a promessa.
O que dizer de Davi? Esquecido pela própria família quando o profeta Samuel foi à sua casa (cf. 1 Samuel 16:1-13). Ele era pastor de ovelhas. Entregador de queijos. Menino ruivo, sem o porte físico de seus irmãos soldados. Foi alvo de desconfiança quando se dirigiu até o campo de batalha para guerrear contra o gigante Golias. O que lhe deu confiança e, posteriormente, garantiu-lhe a vitória? A promessa. O que permitiu que Davi sacodisse a poeira e levantasse pela manhã, mesmo após ter cometido falhas severas (as quais ele se arrependeu posteriormente), e ter vários inimigos na sua cola? A promessa.
Voltando um pouco na narrativa bíblica. O que possibilitou a Abraão sair de sua tenda e partir rumo a uma terra desconhecida (cf. Gênesis 12:1-3)? A promessa. O que fez com que Abraão confiasse em Deus e levasse seu filho Isaque para ser sacrificado no alto do monte Moriá (cf. Gn 22:1–9)? A promessa. Afinal, se Isaque era “o filho da promessa”, não tinha como a promessa ser revogada. Vamos lembrar, está há um capítulo anterior a este do sacrifício:
“Abraão ficou bastante contrariado porque, apesar de tudo, Ismael também era seu filho. Mas Deus disse-lhe: ‘Não fiques contrariado quanto ao filho da criada da tua mulher. Faz como Sara te disse. Porque realmente só através de Isaque é que a minha promessa terá cumprimento. Contudo, sem dúvida que os descendentes do filho da criada formarão também uma grande nação, pois é igualmente teu filho’.”
(Gênesis 21:11-13)
Deus falou com todas as letras: “Porque realmente só através de Isaque é que a minha promessa terá cumprimento”. E, no capítulo seguinte, Ele colocou a fé de Abraão à prova. Mas o “Pai da Fé” sabia que era impossível o Senhor voltar atrás em uma promessa, porque “Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa” (Números 23:19).
Mas, não se engane. Há muitos ladrões da fé por aí. O episódio dos 12 espias na Terra Prometida atesta isso. Eles espiaram a terra por 40 dias. Viram que lá havia muita coisa boa: cachos de uvas, romãs, figos, leite e mel! Entretanto, a maioria preferiu enaltecer a adversidade e comentar: “As cidades são fortificadas e mui grandes; e também ali vimos os filhos de Anaque (gigantes)” (conforme Números 13:28).
Cara, isso é incrível de se pensar. Os tais espias tinham duas opções: observar as uvas ou os gigantes. Eles preferiram ver pelo lado “ruim”. Ainda bem que existia um líder como Calebe, que tomou a frente e falou: “Certamente subiremos e a possuiremos em herança; porque seguramente prevaleceremos contra ela” (Números 13:30). Sabe por que Calebe foi tão obstinado assim, e contrariou as visões negativas? Por causa da promessa. Vamos lembrar o que Deus falou pra Moisés:
“Leva este povo, que trouxeste do Egito, para a terra que prometi a Abraão, a Isaque e a Jacob, porque lhes prometi: Darei esta terra aos vossos descendentes.
Mandarei um anjo na vossa frente para expulsar de lá os cananeus, os amorreus, os hititas, os perizeus, os heveus e os jebuseus. É uma terra onde jorra leite e mel.”
(Êxodo 33:1-3)
O nome já dizia: Terra PROMETIDA. A promessa era a carta na manga de Calebe pra contrariar aquela tentativa dos espias de jogar um balde de água fria na esperança do povo.
Como eu disse: projetos grandiosos também tem grandes oposições/opositores. O povo dava de ombros para a arca que Noé estava construindo. Presta atenção nisso aqui: Noé estava construindo uma ARCA pois esperava um DILÚVIO, sendo que NUNCA havia chovido sobre a face da Terra. Comparo essa cena com a do profeta Ezequiel, que profetizou VIDA sobre um vale de OSSOS SECOS (cf. Ezequiel 37). É porque não tinha mais ninguém lá, mas se tivesse, com certeza o chamariam de “louco”. Vida em um vale de morte?! Como assim?!
Mas Noé seguiu firme, martelando pregos todo dia, mesmo sendo alvo de zombaria generalizada, por causa da PROMESSA. E isso garantiu-lhe uma vaga na galeria dos heróis da fé:
“Pela fé Noé, quando avisado a respeito de coisas que ainda não se viam, movido por santo temor, construiu uma arca para salvar sua família. Por meio da fé ele condenou o mundo e tornou-se herdeiro da justiça que é segundo a fé.”
(Hebreus 11:7)
Imagina José, na prisão. Se por ventura ele contou pra alguém sobre seu sonho, devem ter rido na hora. “Você?! Vai ter autoridade?! Meu amigo, você está preso! Você foi traído pelos seus próprios irmãos! Já era! Game over! Fim da linha!”. O que não fazia José desistir? A PROMESSA.
Imagina os vizinhos de Abraão vendo ele pegar o filho em vista de sacrificá-lo. Sabe por que Abraão não deu meia volta e falou “Deus, desculpa aí, mas pedir meu filho é demais”? A PROMESSA.
Sabe por que Davi não caiu em tristeza profunda, mesmo que seus irmãos o vissem como um “Zé Ninguém”, mesmo que o rei Saul procurasse tirar sua vida? A PROMESSA.
A promessa é a carta na manga para os dias maus.
Finalizo com a canção “Turbilhão”, do Thalles Roberto, que fala justamente sobre acreditarmos nas promessas mesmo em meio às tempestades da vida:
“Dias de ventos contrários
A vida num turbilhão
Deus me estende a mão
Não tenho mais a quem recorrer
Mas Deus a minha fé se recusa a desistir
A vida num turbilhão
Deus me estende a mão
Não tenho mais a quem recorrer
Mas Deus a minha fé se recusa a desistir
Enquanto o senhor for Deus
Eu continuo a sonhar
A minha esperança não morre
Pois sei que tu és Deus e pra sempre serás
Eu continuo a sonhar
A minha esperança não morre
Pois sei que tu és Deus e pra sempre serás
O Deus que faz o cego ver
Que sobre a morte tem poder
O Deus que faz parar o tempo
O Deus que da ordem ao vento
Que sobre a morte tem poder
O Deus que faz parar o tempo
O Deus que da ordem ao vento
E se ele prometeu já é
E não importa a situação
Meu Deus é Deus
E não há outro igual
E não importa a situação
Meu Deus é Deus
E não há outro igual
Dias de ventos contrários
A vida num turbilhão
Deus me estende a mão
Não tenho mais a quem recorrer
A vida num turbilhão
Deus me estende a mão
Não tenho mais a quem recorrer
Mas Deus a minha fé se recusa a desistir”
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