SÓ QUERO VER VOCÊ

Dia 17 de abril de 2021. Um dia que eu nunca mais vou esquecer. Nunca.

Há dias, talvez semanas, orava a Deus por um batismo de fogo, por vida interior, pois me sentia como terra seca. Não me contentava com a mornidão espiritual no sentido de ter uma vida de leitura bíblica e oração mas ser seco por dentro. Como disse David Wilkerson: “Se o Espírito Santo é ser seco dessa forma, então eu não o quero”. Mas sabia que não era. Sabia que Deus estava me chamando pra um novo nível, mergulhar mais profundo nas águas do Espírito. Me indignava de ver as experiências de Paulo, Pedro e os heróis da fé e ficar apenas “babando”. Deus é o mesmo, então eu também queria viver experiências daquele quilate! E Jesus não recusa quando alguém pede experiência real com Ele, como Ele não recusou com Tomé. Às vezes parece que Jesus sumiu, mas na verdade é um convite para uma nova busca, como José e Maria em busca dEle no Templo. Se as águas estão nos joelhos, é hora de elas irem pros lombos, e se estão nos lombos, temos que imergir, e se já estamos imersos, que possamos ir mais fundo.

Orava a Deus no fim do culto daquela noite de 17/04/21, após uma pregação em Filipenses 4:2-9 que confirmou todas as minhas orações (“Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus.” - vv. 6 e 7).

A canção entoada era “Pra Onde Eu Irei?”, do Morada. Orava a Deus por uma experiência similar a que eu tive em 2015, no retiro de carnaval, na qual apenas uma palavra de resposta de oração veio como uma flecha que me fez sentar e chorar copiosamente, e só levantei na hora do louvor.

Naquele culto do dia 17/04/21, em dado momento, sento um reboliço dentro de mim que me fez deitar no chão, pois não conseguia ficar de pé. Na verdade, me joguei no chão! Deitei e chorei de soluçar, de gemer, rolei no chão. Sentei em dado momento, um amigo estava ao meu lado, mas não consegui permanecer sentado e deitei e comecei a chorar copiosamente de novo. Depois, já mais lúcido, tentei levantar mas estava meio tonto, meio fora de mim. Fui embora pra casa como se estivesse caminhando sobre as nuvens.

Entendi melhor quando dizem que nada mais importa quando se conhece a Cristo, a exemplo do homem que vendeu tudo o que possuía pra comprar o campo que tinha o tesouro escondido. Caminhei sem olhar pro lado, com os olhos marejados, cantando a mesma música. Estava leve.

Há dias pedia a Deus a paz que só o Espírito Santo pode dar e a convicção e firmeza de fé que provém do vislumbre da glória, a mesma convicção e firmeza dos apóstolos, mártires, reformadores, heróis da fé. Naquela noite, eu senti isso. Estava em paz. Um fardo foi tirado das minhas costas. Me senti morrendo pra mim mesmo e Cristo vivendo em mim. A carta da culpa jogada pelo diabo foi vencida. Estava leve como nunca. Em paz. Com o espírito pleno e alegre. Agora entendia porque Paulo, mesmo na prisão, escrevia sobre alegria e era alegre, conforme foi pregado naquela noite.

Senti todo o amor de Deus me confortando, me dando paz, alegria, plenitude. Enquanto conversava após o culto, ainda estava meio que em transe, emocionado. Enquanto ia embora, idem. Afinal, não é algo como um interruptor. O Espírito Santo não vai e vem ou sai com hora marcada. E glória a Deus por isso! Aleluia!

Pedi a Deus uma experiência como a de 2015, que me fez chorar, e Deus me deu dez vezes mais, porque nunca chorei como naquela noite. Ainda em casa me sentia nas nuvens. Sem ansiedades e preocupações. Me sentia pleno. Minha oração em casa não foi mais como terra seca. Orei sentado na cadeira no quarto, com uma das mãos sobre a Bíblia em dado momento (li Atos 12 à noite) de olhos fechados, e sentia como se Deus estivesse na minha frente me ouvindo. As palavras pronunciadas eram vivas. Nada mais importava. A minha vida era do Mestre (canção que estava na minha cabeça).

E os frutos puderam ser vistos ainda na manhã seguinte, quando eu tive a oportunidade de pregar no culto matinal. Enquanto pregava, os olhos das pessoas estavam fixos. Não se ouvia um barulho. Quem trabalhava na igreja (diáconos, por exemplo), parou o que fazia para ouvir. Após o culto, alguém me falou que a unção era perceptível em minha vida. Mérito todo do Espírito Santo, que me banhou na noite anterior.

Mas eu sabia que havia mais. Como diz a Bíblia, Deus trabalha “de glória em glória”. Quanto mais mergulhamos, mais profundezas há. Agora, o que eu queria era ver Jesus. SIM! Eu sabia que não estava pedindo uma banana na feira. Era algo grandioso. Mas eu tinha o maior respaldo/argumento do mundo para ousar fazer essa oração: a BÍBLIA.


“A primeira vez que ‘conhecer’ aparece nas Escrituras também é em Gênesis, no relato do início de tudo.

‘Coabitou o homem com Eva, sua mulher.’

(Gênesis 4:1)

A palavra traduzida como ‘coabitar’, no original hebraico, é ‘yada’. Segundo o Léxico de Strong, significa ‘conhecer, aprender a conhecer, perceber, ver, descobrir, discernir, saber pela experiência, reconhecer, estar familiarizado com’. Ela é utilizada pela primeira vez na Bíblia para retratar o contato íntimo de Adão e Eva.

É extremamente interessante pensar que essa foi a primeira menção de conhecer. Não é apenas saber, é realmente ter contato. E não se trata de conhecimento superficial, mas íntimo, desnudado, sem maquiagem.

(...)

Tendo em mente a primeira menção, além dos demais cenários nos quais a palavra ‘conhecer’ é aplicada biblicamente, precisamos reconhecer que ‘conhecer a verdade’ é mais que entender intelectualmente. Trata-se de experimentar. Não apenas conhecimento, mas conhecimento pleno. Provar completamente.

A palavra ‘conhecimento’, em grego, é ‘gnosis’. Já o termo ‘conhecereis’, que aparece em João 8.32, vem de outra palavra grega: ‘epignosis’, cuja tradução é ‘pleno conhecimento’ e significa um conhecimento progressivo. A medida que experimentamos, mais e mais, crescemos. Ou seja, é conhecer por experimentar. Que incrível!

A igreja primitiva viu Jesus em carne, por isso alcançou os níveis que alcançou. Hoje, se você falar em ver Jesus ‘em carne’, você será quase motivo de escândalo. Porém é dessa proximidade que trata o primeiro registro do termo ‘conhecer’. É realmente conhecer em carne. Presenciar. Viver. Sentir na pele, como quando se nega comida com o propósito de jejuar. Como quando se gasta tempo de joelhos em oração até as pernas formigarem. Assim como quando se perde a voz em clamor e secam-se as lágrimas em quebrantamento. Quando os ouvidos realmente ouvem a voz do Deus invisível, mas real. Como quando borbulha o coração a ponto de sentir queimar e apertar o peito. Quando nossa carne toca a dEle e é, de alguma forma, transformada.”

(VILAS BOAS, Alessandro. Quem é Jesus. Págs. 57 e 59)


A igreja primitiva só alcançou os níveis que alcançou porque ela viu Jesus. Paulo só teve a coragem de prosseguir porque o próprio Jesus aparecia pra ele e dizia: “Tende coragem!”. Nós só vamos ter uma fé vívida e real quando conhecermos a Jesus.

Muitos se acostumaram tanto com o raso (as águas batendo nos tornozelos, conforme a visão do profeta Ezequiel), que realmente se escandalizam quando se fala em “ver Jesus”.

Ou então, tratam o “ver Jesus” como algo meramente metafórico: “Ah, eu vejo Jesus através do canto de um pássaro, no pôr do Sol, no sorriso de uma criança”. Ok! Concordo que a criação manifesta a glória de Deus, conforme escreveu Paulo na carta aos Romanos. Mas quando eu digo “ver Jesus”, é VER JESUS mesmo, sem metáforas!

A Bíblia diz que Moisés viu a sarça ardente; que Isaías viu o Senhor no ano da morte do rei Uzias; que Pedro, Tiago e João presenciaram o episódio do Monte da Transfiguração; que o apóstolo Paulo foi ao terceiro Céu, numa experiência tão real que ele não sabia discernir se havia sido em carne ou em espírito.

Ou seja, meu irmão e minha irmã: a Palavra de Deus atesta que nós podemos sim viver essas experiências! Nós podemos sim ver Deus!

“Ah, mas Moisés, Isaías, Pedro e Paulo eram diferentes né... eles eram os caras”. Sim, admiro muito a estatura espiritual desses heróis da fé, mas a própria Bíblia nos diz:


“Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós e, orando, pediu que não chovesse, e, por três anos e seis meses, não choveu sobre a terra. E orou outra vez, e o céu deu chuva, e a terra produziu o seu fruto.”

(Tiago 5:17-18)


As Escrituras já são suficientes para convencer. Mas vamos citar um dado histórico também. Dê uma olhada na descrição que Jonathan Edwards, pastor calvinista da Igreja Presbiteriana de 1700, deu acerca do avivamento que ocorrera na Inglaterra naquela época:


“Era algo muito comum ver o santuário cheio de pessoas chorando alto, desmaiando, tendo convulsões e fenômenos semelhantes, expressando desespero como admiração e alegria.

Muitos, em seus sentimentos religiosos, foram elevados a um nível muito superior a qualquer experiência anterior: houve alguns casos que pessoas caíam numa espécie de transe, permanecendo por talvez vinte e quatro horas imóveis, com seus sentidos inertes; entretanto, neste mesmo período, tiveram fortes sensações de serem levadas ao céu, onde viram coisas gloriosas e maravilhosas.”

(EDWARDS, Jonathan. The Words of Edwards. A Narrative of Surprising Conversersions and the Great Awakening)


É possível! É real! Afinal de contas, Jesus não é uma “energia”. Ele é uma pessoa! Um homem!

Certa vez ouvi o relato de uma menina que me disse ter tido um sonho com Deus. “Eu já tive um sonho com Deus”, disse. Pedi pra ela contar. Ela falou que, no sonho, Jesus pediu pra ela abrir os olhos, e ela abriu, e viu uma grande luz branca, e dela saía uma voz (como a minha, mas um pouco mais forte, segundo ela) elogiando-a por ser obediente. Na cama, ela viu um menino, que não sabia quem era. E completou: “Eu durmo com a luminária acesa, mas parece que nesse dia Deus apagou a luminária só pra eu ver Ele melhor”. Ela disse isso por causa do brilho que havia no quarto.

Deus falou muito comigo através da experiência dessa menina de apenas 12 anos. Era como se o Espírito Santo estivesse me testificando que era possível sim ver Jesus.

Outra coisa: você sabia que Jesus não conhece a todos?

Sim, Ele criou toda a humanidade, sabe da existência de todos, mas Ele não “conhece” (no sentido bíblico e real do termo) todo mundo.

Isso não sou eu que estou dizendo, mas a própria Bíblia Sagrada:


“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?

E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.”

(Mateus 7:22-23)


O mais interessante de tudo é que, pelo que diz o texto, parece que esses a quem Jesus afirmou não conhecer eram religiosos. Sim, pessoas que professavam a fé nEle! Afinal, eles relatam que fizeram várias obras no nome de Cristo.

Isso me leva a refletir novamente naquela pergunta que fiz no início do texto: é possível passar uma vida inteira sendo religioso, achando que conhece a Cristo, ser assíduo nos cultos e nas atividades da igreja e, ainda assim, não conhecer Jesus?

A Bíblia responde: sim, é possível.

Talvez seja por isso que o avivalista inglês John Wesley (1703-1791) afirmou:


“Uma pessoa pode ir à igreja duas vezes por dia, participar da ceia do Senhor, orar em particular o máximo que puder, asssitir a todos os cultos e ouvir muitos sermões, ler todos os livros que existem sobre Cristo. Mas ainda assim tem que nascer de novo.”


O filósofo britânico David Hume (1711-1776) atesta que o pleno conhecimento é proveniente da experiência, conforme denota o significado do termo “yada”.

Ele escreve:


“Adão, ainda que supuséssemos que suas faculdades racionais fossem inteiramente perfeitas desde o início, não poderia ter inferido da fluidez e transparência da água que ela o sufocaria, nem da luminosidade e calor do fogo que este poderia consumi-lo. Nenhum objeto jamais revela, pelas qualidades que aparecem aos sentidos, nem as causas que o produziram, nem os efeitos que dele provirão; e tampouco nossa razão é capaz de extrair, sem auxílio da experiência, qualquer conclusão referente à existência efetiva de coisas ou questões de fato.”

(HUME, D. Uma investigação sobre o entendimento humano. São Paulo: Unesp, 2003.)


Um claro exemplo disso é que, por mais que a Bíblia afirme que “Deus é amor” (1 João 4:8), você nunca vai compreender essa afirmativa até vivenciá-la. Por mais que as Escrituras dissertem acerca da graça de Deus, você nunca se sentirá grato até experimentar essa maravilhosa graça.

O londrino John Newton (1725-1807), depois de um curto tempo na Marinha Real, iniciou sua carreira como traficante de escravos. Certo dia, o navio de Newton foi fortemente afetado por uma tempestade. Ele orou a Deus pela primeira vez depois de anos. Ele temia estar à beira da morte e, se a fé cristã fosse verdadeira, estava certo de que não seria perdoado. John refletiu em tudo o que fizera naqueles últimos anos. Newton escapou com vida e isso o marcou bastante.

Newton atribuiu a Deus aquele livramento que tiveram. Tornou-se pregador. Compôs a famosa canção “Amazing Grace”.

Isto é, aquele homem conheceu a graça de Deus a partir de uma experiência, que inclusive resultou numa das músicas mais belas de todos os tempos.

O apóstolo Paulo relatou sua própria experiência falando de si mesmo na terceira pessoa:


“Considerando, pois, ser necessário que vos exponha minhas glórias, embora não me seja vantajoso orgulhar-me, passarei às visões e revelações do Senhor. Conheço um homem em Cristo que há catorze anos foi arrebatado ao terceiro céu. Se foi no corpo ou fora do corpo, não entendo exatamente, Deus o sabe. Mas sei que esse homem, se isso ocorreu no corpo ou fora do corpo, não sei, mas certamente Deus o sabe, foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inexprimíveis, as quais não é concedido ao homem comentar.”

(2 Coríntios 12:1-4)


Aposto que alguns pensaram: “Ah, mas você quer se comparar com Paulo? Paulo era Paulo né!” Te respondo com a Bíblia:


“Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós e, orando, pediu que não chovesse, e, por três anos e seis meses, não choveu sobre a terra. E orou outra vez, e o céu deu chuva, e a terra produziu o seu fruto.”

(Tiago 5:17-18)


O profeta Elias era homem de carne e osso, “comedor de angu”, como diz a minha sogra, igualzinho eu e você. Mas, ainda assim, viveu o sobrenatural.

O que nos impede? Nós mesmos. Nossa falta de fé. Um cara chamado “Adão” que insiste em viver dentro de nós.

Recordo-me de uma conversa que tive com um amigo sobre essa minha oração intencional em ver o Senhor. Além de Moisés, Pedro, Tiago, João e Paulo, outro que viveu essa experiência foi o profeta Isaías: “No ano em que o rei Uzias morreu, eu vi o Senhor sentado num trono alto e elevado” (Is 6:1), escreveu. Esse meu amigo me falou: “Lembra de Isaías? ‘No ano em que o rei Uzias morreu, eu vi o Senhor’. E depois a resposta de Isaías qual foi? ‘Eis-me aqui’. Isaías viu a Deus com um propósito. Se você quer ver a Deus, entenda o propósito”. Calma que ele falou mais: “Eu quero dizer que a visão de Deus vai te encorajar, assim como Isaías. Mas Deus se mostrou visível para Isaías com um propósito, não apenas pela experiência. Deus quis que Isaías levasse uma mensagem para o povo, como boca dEle. A pergunta é: para que você quer ver a Deus?”

Depois dessa, poderia acabar esse texto por aqui. Muitas vezes nós queremos o crucificado, mas não queremos a cruz. Desejamos um Jesus “gourmet”, montado do nosso jeito. Arrancamos algumas páginas da Bíblia como aquela que diz “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lucas 9:23). O convite não foi “quem quiser me seguir, pode vir que a sua vida vai ser um parque de diversões”. Nada disso. Jesus ofereceu como “atrativo” o pior instrumento de morte da época: a cruz. Deve ser por isso que John Wesley questionou: “Senhor, o que fiz de errado? Onde eu pequei? Há mais de uma semana, ninguém cospe em mim nem me apedreja!”

Quem quiser viver o sobrenatural, deve dar um passo de fé. Antes de andar sobre as águas (zona de instabilidade, desconhecido, incerto), Pedro teve que sair do barco (zona de conforto, segurança, certeza). Para andar sobre as águas, Pedro teve que dar o primeiro passo e colocar o pé na água. Dali em diante, ele dependia 100% de Jesus. O problema é que muitos de nós queremos viver o “shaba”, mas não temos força pra desligar a TV, como dizia o pastor Leonard Ravenhill. Queremos andar sobre as águas, sem ter que colocar os pés na água. Impossível. Never gonna happen.

Vale ressaltar que esse estado de total dependência é justamente o que o Senhor quer pra nós. Na visão das águas em Ezequiel 47, imagine você numa praia: quando as águas estão batendo nos seus tornozelos, você tem total controle, certo? Se quiser entrar mais no mar, pode. Mas, se quiser voltar pra areia e ficar debaixo do guarda-sol bebendo água de coco e pegando um bronze, também pode. Agora, se você está nas águas profundas, imerso, já era. Não tem controle. E é isso mesmo que Jesus quer, como Ele falou para Pedro: “Em verdade, em verdade Eu te afirmo: quando eras mais jovem, tu te vestias a ti mesmo e ias para onde desejavas; mas quando chegares à velhice, estenderás as mãos e outra pessoa te vestirá e te conduzirá para onde tu não queres ir” (João 21:18).

E as “águas”, no contexto de Pedro no barco, são justamente esse lugar no qual você não tem certeza do que vai acontecer. Você deve confiar totalmente em Jesus - afinal, só tem essa opção! É como Abraão, que teve que sair de sua tenda e ir rumo a uma terra desconhecida. É como José, que teve que manter a fé mesmo no fundo do poço e numa prisão. É como Davi, que teve que enfrentar o gigante Golias. É como George Müller, missionário inglês que tinha uma orfanato e vivia “uma experiência de dependência habitual do Deus invisível, e nada mais”, conforme definiu seu biógrafo. Mas todos tinham algo em comum: a promessa. Isso já era o suficiente. Era o combustível suficiente para dar partida. Deus não revela tudo, por misericórdia de nós. Se Ele revelasse pro pastor de ovelhas Davi que ele teria que bater de frente com um filisteu de mais de dois metros de altura, certamente ele iria preferir ficar cuidando das ovelhinhas no pasto. Se Ele tivesse mostrado pra José que ele seria vítima de tentativa de homicídio por parte de seus próprios irmãos e que seria preso por um crime que não cometeu, talvez ele preferiria abrir mão de qualquer trono que por ventura tivesse a chance de sentar um dia. Se Ele tivesse contado pra Müller que faltaria alimento no orfanato em inúmeras ocasiões, talvez as portas do orfanato nunca tivessem sido abertas. Mas imagina um carro. Ele vai viajar do Rio até São Paulo. Está de noite. O farol vai iluminar todo o percurso da estrada, do Rio a SP? Claro que não! O farol vai iluminando o perímetro à medida que o carro vai avançando na estrada. Deus faz o mesmo conosco: Ele não mostra tudo. Sua revelação ocorre à medida em que damos passos de fé. “O ir faz o caminho”, nas palavras de C.S. Lewis.

Paulo vivia dia após dia. Mas ele estava lá, de pé. Alegre, seja numa prisão, seja em meio à comunhão da igreja. Mas sabe qual era o segredo de Paulo? Paulo não era louco, ou nasceu corajoso, ou tinha um parafuso a menos. A coragem de Paulo era oriunda da Fonte. A Bíblia relata: “Na noite seguinte, o Senhor surgiu ao lado de Paulo e lhe afirmou: ‘Sê corajoso! Assim como deste testemunho da minha pessoa em Jerusalém, deverá de igual modo testemunhar em Roma’” (Atos 23:11). Sabe o que diz o versículo seguinte? “Na manhã seguinte, os judeus planejaram uma cilada e juraram solenemente que não comeriam nem beberiam enquanto não tirassem a vida de Paulo” (At 23:12). Como aquele homem tinha estrutura para aguentar tanta pressão emocional? Simples: ele via Jesus.

Quer ver Jesus? É possível. Porém, há alguns princípios: qual o propósito? Já colocou o pé na água? Está caminhando mesmo sem entender tudo, mesmo sem ver tudo? Se sim, vai acontecer.

Se você leu até aqui e chegou à conclusão de que só conhece a Jesus de ouvir falar, e não verdadeiramente, quero te dizer que ainda há tempo.


Algumas dicas:

1 – Entre no seu quarto e ore. Abra seu coração para Deus. Diga que deseja conhecê-lo verdadeiramente.

2 – A Bíblia nos chama de herdeiros, mas nem todos têm consciência do acesso a essa herança. E como ter acesso à herança que já é nossa? Através das disciplinas espirituais (meditação bíblica, oração, jejum).

3 – “Não coloque a leitura bíblica de lado até encontrar seu coração aquecido... deixe que ela não apenas o informe, mas o inflame.”

(Thomas Watson. 1629-1686)



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