VEM E VÊ
Deus vive no “kairós” (em grego: καιρός, “o momento oportuno”, “certo” ou “supremo”. Na mitologia grega, é o deus do tempo oportuno. Diverge do conceito cronológico de tempo terrestre, ou seja, as horas, os dias, os anos, etc.), enquanto os seres humanos vivem no “chronos” (na mitologia grega, é a personificação do tempo, isto é, o deus do tempo quantificado, que se pode medir. É o tempo corrente, rotineiro, ordenado pelo relógio, onde um minuto é igual ao outro, onde às horas sucedem-se os dias e a estes os meses e os anos).
Isso significa basicamente que (prepare-se para explodir sua mente): Deus vê a nossa vida como um só momento, pois Ele não está preso ao nosso conceito de espaço-tempo (afinal, se até mesmo conforme a teoria do Big Bang todo o espaço-tempo surgiu após a explosão cósmica, logo, a origem desse elemento primário deve ser algo atemporal e imaterial). Em suma, Deus nos vê saindo da barriga de nossa mãe na sala do hospital no momento do parto ao mesmo tempo em que nos vê dentro do caixão em nosso velório.
Apesar da Bíblia em português trazer a palavra “tempo” empregada tanto para falar do tempo de Deus quanto do tempo dos homens, a diferença no original em grego entre “chronos” e “kairós” é primordial. Entendê-la nos faz compreender que Deus atua na História de maneira oportuna. Desde o cair da folha de uma árvore até uma eleição para presidente da República tem o dedo de Deus. Não sou eu que digo isso, mas a própria Bíblia Sagrada:
“Ele muda as épocas e as estações; destrona reis e os estabelece. Dá sabedoria aos verdadeiros sábios e entendimento aos que buscam discernir e conhecer.”
(Daniel 2:21)
Curioso Daniel falar disso porque é o mesmo livro que contém o sonho de Nabucodonosor acerca da estátua, cuja cada parte representa a ascensão e queda dos grandes impérios que já passaram pela face da Terra (cf. Daniel 2:31-35). Deus já sabia do Império Babilônico desde antes dele vir à tona, assim como sabia do futuro Império Medo-Persa, Grego-Macedônia e Romano.
Falando nesse questão do Deus que atua na História de forma oportuna: terá sido coincidência a imprensa de Gutenberg ter sido inventada no mesmo período em que a Reforma Protestante liderada por Martinho Lutero veio à tona? Gutenberg desenvolveu o seu invento por volta do ano de 1430. No início do século XVI, os efeitos provocados pela imprensa de Gutenberg já eram perceptíveis nos principados alemães, sobretudo quando, por meio da imprensa, houve a popularização dos panfletos críticos do reformista Martinho Lutero. A Reforma Protestante deflagrada por Lutero em 1517 passou a ter uma grande recepção entre a população letrada da Alemanha, em virtude da circulação das teses e dos panfletos impressos. Posteriormente, uma contribuição ainda maior de Lutero para a história da leitura estaria de “mãos dadas” com a imprensa de Gutenberg: a tradução da Bíblia do latim para o alemão.
Com a Bíblia traduzida para uma língua vulgar (no sentido de que não era clássica, como o latim), a demanda por sua leitura também se tornou grande, já que nem toda a população letrada do século XVI dominava o latim. O papel da impressão em tipos móveis foi decisivo para suprimir essa demanda no menor tempo possível.
Em suma, Deus proporcionou que os dois alemães se levantassem no mesmo momento histórico para proporcionar um dos maiores eventos da humanidade.
O mesmo Deus que tem o controle sobre a História também tem o controle sobre nossas vidas. É Deus que nos escolhe. No momento oportuno, Ele vem e nos chama. Vejamos nas Escrituras mais um exemplo:
“Filipe achou Natanael, e disse-lhe: Havemos achado aquele de quem Moisés escreveu na lei, e os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José.
Disse-lhe Natanael: Pode vir alguma coisa boa de Nazaré? Disse-lhe Filipe: Vem, e vê.
Jesus viu Natanael vir ter com ele, e disse dele: Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não há dolo.
Disse-lhe Natanael: De onde me conheces tu? Jesus respondeu, e disse-lhe: Antes que Filipe te chamasse, te vi eu, estando tu debaixo da figueira.
Natanael respondeu, e disse-lhe: Rabi, tu és o Filho de Deus; tu és o Rei de Israel.”
(João 1:45-49)
Esmiuçar essa passagem nos traz grandes revelações. Primeiro, quando Natanael escuta de Filipe que acharam o Messias, o primeiro duvida. Afinal, os judeus esperavam que o Messias viria de Belém, cidade de Davi, e não de Nazaré, que era um cidade marginalizada, com poucos recursos. A fim de “provar” para Natanael que Ele era de fato o Messias, Jesus conta algo que somente Natanael sabia: “Te vi debaixo da figueira”. Mas o que isso significa?
O site Teologar explica:
“Natanael ficou surpreso com a Palavra de Jesus, porque desta forma Cristo deixou claro que seu propósito em salvar Natanael já estava determinado antes mesmo de Filipe o chamar.
Ao nascimento de Cristo, Herodes era governador da Judéia e ao receber a notícia do nascimento do Messias mandou matar todas as crianças de 2 anos para baixo.
Então se considerarmos que Natanael tivesse a mesma idade de Jesus, isso o leva ao cenário destas matanças realizada por Herodes, segundo relatos históricos essa é a historia de Natanael.
Quando começaram os assassinatos, a mãe de Natanael temeu que o seu filho fosse morto pelos soldados, e então ela escondeu o bebê debaixo de uma figueira específica, e enquanto ele estava lá, sua mãe orava a Deus pedindo proteção e para que aquela criança vivesse para ver o Messias.
Em todas as buscas dos soldados, o menino estava envolto a folhas da figueira. Quando Natanael completou 15 anos de idade sua mãe lhe contou como lhe escondera, e somente ele e sua mãe sabiam desta história.
Portanto, quando Natanael pergunta para Jesus de onde Ele o conhecia e Jesus revela seu maior segredo ao dizer que o viu debaixo da figueira, Natanael se vê diante daquele ao qual sua mãe orou para que pudesse conhecer.”
Isso me lembra muito a minha própria história. Eu nasci no município de Guaçuí (ES), localizado no estado do Espírito Santo. Minha mãe biológica me teve com 19 pra 20 anos de idade. O nome de meu pai biológico não consta na certidão da maternidade. Duas mulheres obreiras da Igreja foram até Guaçuí me buscar e levar para uma família, pois minha mãe biológica não tinha condições de ficar comigo. Quando cheguei em Juiz de Fora (MG), porém, a família em questão não me quis mais, porque eles queriam ter uma menina, e quando viram que eu era menino, fiquei sem ter pra onde ir. Portanto, uma das mulheres que me trouxeram me abrigou em sua casa. Meus pais adotivos eram vizinhos de porta dessa mulher – no mesmo apartamento. Naturalmente, ficaram sabendo que tinha um bebê na casa da família amiga da frente. Foram lá me ver. Minha mãe adotiva não podia ter filhos (era estéril). Portanto, junto a “fome” com a “vontade de comer”: eu não tinha pra onde ir, e meus pais gostariam de ter um filho. Me adotaram.
Minha avó materna sempre foi uma pessoa muito religiosa, e ela tinha o dom de revelações através de sonhos. Certa vez ela sonhou que o caminhão do meu tio seria roubado, e realmente foi. Em uma madrugada, ela sentiu a coberta dela ser puxada três vezes. Através disso, ela pressentiu que algo ruim aconteceria. Pela manhã, recebeu a notícia que sua sobrinha havia morrido de forma trágica, sendo atropelada.
Em uma noite qualquer do ano de 1997, ela teve um sonho. Me contou, anos mais tarde: “Eu tive um sonho, uma visão, que eu contei pra sua mãe que ela tinha ganhado uma criança, só não sabia o sexo, e menos de uma semana depois você chegou. Esse sonho aconteceu no mês de novembro, o mês que você nasceu, porque você veio recém-nascido”.
Assim como Moisés foi levado pelas águas em um cesto em direção à sua família (Êxodo 2:1-10), Deus também me trouxe para minha família. Não existem coincidências, estamos todos nas mãos de Deus.
Em um culto de terça-feira na minha antiga igreja, em 2017, tínhamos o costume de fazer uma grande roda de oração depois da celebração. Nessa noite, o pastor pediu que formássemos círculos de oração, com quatro pessoas. Silenciosamente, apenas na minha cabeça, eu orei para que Deus confirmasse meu ministério (eu queria saber se Ele tinha me chamado mesmo ou não) e confirmasse em mim o dom de cura (eu já havia sido usado pelo Espírito Santo para curar algumas pessoas, mas fazia algum tempo que eu não fluía nisso). Eu também orava por restauração.
Acabado aquele momento de oração, o pastor encerrou. Eu já estava indo em direção às escadas para descer e ir pra casa, até que um outro pastor da igreja me chamou. “Pedro, vem aqui”. Nisso, fomos para um espaço entre a fileira de bancos da igreja. Ele me olhou e começou a falar em línguas estranhas. Disse que tinha algumas coisas pra me revelar. Pegou a Bíblia. “O que eu tenho pra te falar primeiro está lá em Jeremias 5:1-12”, afirmou. Ele leu: “Antes do seu nascimento, quando você ainda estava na barriga da sua mãe, eu o escolhi e separei para que você fosse um profeta para as nações”. E falava em línguas. Depois, ele abriu no versículo 16 do capítulo 31, que diz: “Pare de chorar e enxugue as suas lágrimas. Tudo o que você fez pelos seus filhos será recompensado; eles voltarão da terra do inimigo”. A passagem fala dos filhos de Raquel que foram mortos. Mas o pastor complementou: “Essa palavra é pra você, mas no seu caso não se tratam de filhos biológicos, mas sim filhos que vão ser ganhados na fé”. Depois, o pastor falou: “Deus está te dando a unção do Espírito Santo”. E concluiu: “Eu também vi uma nuvem que se aproximava três vezes de você, e depois sumiu. Isso significa livramento no mundo espiritual”.
Contei esses meus testemunhos pessoais para demonstrar que, assim como Deus já tinha escolhido Natanael desde antes de ele nascer, comigo também foi assim. E o mais interesse é que Jesus nunca nega uma experiência a quem lhe pede. Ele não precisava, mas fez questão de provar pra Natanael que era o Messias através de uma experiência sobrenatural. Com Tomé, que disse que só acreditaria que Jesus havia ressuscitado se pudesse colocar o dedo em suas feridas, Cristo respondeu positivamente também.
Minha primeira experiência marcante com Deus foi em 2015, no retiro de carnaval da Primeira Igreja Batista de Juiz de Fora. Pra falar a verdade, eu fui nesse retiro porque sabia que seria numa belíssima fazenda, e como eu nunca fui de pular carnaval, considerei como uma oportunidade de relaxar. Vale ressaltar que, nessa época, eu conhecia Jesus de ouvir falar, mas não da maneira íntima e profunda como o conheço hoje.
Então, lá estava eu no retiro, achando que seria “relax” total. Afinal, o primeiro dia foi ótimo: joguei “War” com uns amigos, fui na piscina, joguei bola, participei de gincana... Enfim, pra mim estava ótimo. Até o dia em que o Espírito Santo começou a fazer o que Ele havia planejado com minha ida pra lá.
Comecei a ser confrontado. Meus pecados estavam sendo “jogados na minha cara”. A Palavra de Deus, que é viva e eficaz, começou a mexer com minha natureza adâmica. Como recebi aquilo? Pessimamente. Eu sabia que algo diferente estava acontecendo, mas até então não havia mergulhado nisso. Pelo contrário, estava rejeitando. Cheguei pra um dos pastores que lá estavam e reclamei: “Poxa pastor, vim aqui pra ficar de boa, e estou esquentando minha cabeça”.
Fui deitar pra dormir arrasado. Lembro como se fosse ontem: estava no dormitório, havia um rapaz no colchão ao meu lado e outro mais acima, num ressalto de concreto. Estava tendo uma conversa qualquer. Na hora de deitar pra dormir, ainda sentado no colchão, eu desabafei: “Cara, estou tão cansado”. Falei aquilo pro ar, sabe? Desabafando. Foi aí que o rapaz do colchão ao lado, que já estava deitado, sentou-se, virou pra mim e falou: “Você vai ser um homem de Deus”. Minha vontade foi de virar pra ele e falar: “Mano, você tá me zuando?”. Na minha cabeça, eu não tinha nada “visual” e nem emocional pra ele falar aquilo pra mim. Por dentro, estava arrebentado. Por fora, com o cabelo desarrumado, bermuda surrada e uma camisa com uma caveira jorrando sangue. Na minha visão, eu não tinha nada pra ouvir que eu seria um “homem de Deus”.
Entretanto, me limitei a perguntar apenas o seguinte: “Por que você está me falando isso?”. Foi aí que ele respondeu: “Porque o Espírito Santo mandou eu te falar”.
Eu não tinha ideia total da dimensão daquilo, mas já havia percebido que era diferente. E, naquela noite, eu ainda orei (sim, toda noite eu rezava um Pai Nosso, uma Ave Maria, um Santo Anjo e, depois, orava espontaneamente, conforme meus pais me ensinaram): “Deus, eu já acredito que o Senhor existe, e já faço o bem por Sua causa. Então, por que não posso continuar indo nas minhas festas e fazendo o que eu gosto?”. Naquele momento, houve silêncio. Mal sabia eu o que estava reservado para o dia seguinte.
No dia seguinte, à noite, fomos para a tenda (local onde aconteciam os cultos durante o retiro). Quem pregaria a Palavra seria um pastor de fora. Antes de ele subir no púlpito, o pastor da casa pediu para que déssemos as mãos e fez uma oração. Pra minha surpresa, o pastor que iria pregar estava de mão dada do meu lado direito. Ele foi e subiu ao púlpito.
Pregou sobre algumas experiências sobrenaturais que os jovens de sua igreja estavam vivendo, como visões de anjos. Ao término da pregação, falou pra todo mundo ficar de pé. Nesse momento, após tecer algumas palavras, ele olhou pra mim no meio da multidão, apontou o dedo e falou: “Jesus manda te dizer essa noite: ‘Quem vai continuar minha obra, Pedro?’”. Essas palavras foram como se uma flecha flamejante tivesse sido lançada em meu coração. Não consegui pensar em nada. Apenas sentei e comecei a chorar.
No outro dia, de cabeça fria, já bateu a incredulidade. Pensei: “Ah, o pastor deve ter citado um versículo bíblico, uma fala de Jesus pra Pedro”. Fui lá e procurei na Bíblia, de Gênesis a Apocalipse, joguei na internet, e não achei versículo algum dessa suposta fala de Jesus pra Pedro. Simplesmente porque não era. O que aconteceu foi uma palavra de revelação daquele pastor (a quem eu nunca tinha visto na vida) pra mim, em resposta à oração que eu fiz no dia anterior (“Por que eu tenho que mudar de vida?”, e a resposta de Jesus foi: Porque eu tinha uma obra para continuar).
Essa experiência foi tão marcante que, realmente, minha vida mudou. O retiro foi em fevereiro. No mês seguinte, em março, eu já estava sendo batizado nas águas, no espaço Master da PIBJF, para honra e glória do Senhor Jesus. Ah, outra coisa: foi no dia 15 de março, o mesmo dia em que eu batizei na Igreja Católica, quando era bebê, em 1998. Divina coincidência... ou seria destino?
No episódio 8 da primeira temporada da série “The Chosen”, é retratado o encontro de Jesus com a mulher samaritana. Cristo estar lá, naquele poço, bem na hora em que a mulher foi retirar água, foi uma grande coincidência ou, como diz um amigo, uma “Jesuscidência”?
Há uma fala marcante de Cristo para a mulher samaritana nesse episódio:
“Eu vim a Samaria só pra encontrar você. Você acha que foi um acidente eu estar aqui no meio do dia?”
Nada é por acaso. Ainda mais quando Deus chama um filho ou uma filha para Si.
Você tem um propósito, é amado é escolhido por Deus! Você foi criado para ser grande!
(Referências bibliográficas: https://m.historiadomundo.com.br/idade-moderna/invencao-imprensa.htm; https://teologar.com.br/natanael-debaixo-da-figueira/; https://m.youtube.com/watch?v=J-tUPHtETS0)

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