AVIVAMENTO DO PAÍS DE GALES

O avivamento do País de Gales durou aproximadamente dezoito meses, durando entre novembro de 1904 a abril de 1906. Certamente, foi um dos maiores da História.

O principal líder desse mover divino foi o jovem Evan Roberts. Embora houvesse outras lideranças, ele foi o mais reconhecido.

Os efeitos do avivamento estenderam-se muito além dos cultos e reuniões de oração. Os bares e cinemas fecharam, as livrarias evangélicas venderam todos os seus estoques de Bíblias. O avivamento tornou-se manchete nos principais jornais do país. A presença de Deus “parecia ser universal e inevitável”, invadindo não somente as igrejas e reuniões de oração, mas se manifestando também “nas ruas, nos trens, nos lares e nas tavernas”.

No livro “O Fogo do Reavivamento”, o autor Wesley L. Duewel relata:


“Em muitos casos, os fregueses entravam nas tavernas, pediam bebidas e depois davam meia-volta e saíam, deixando-as intocadas no balcão. O sentimento da presença de Deus era tal que praticamente paralisava o braço que ia levar o copo à boca.”


Ressalta-se que o grande vício do povo na época era a bebida alcoólica.

Nos tribunais de justiça, às vezes não havia casos para serem julgados. A polícia ficava ociosa e, em um lugar, passou a formar quartetos para cantar nas igrejas, para ocupar seu tempo.

Nos primeiros seis meses do avivamento, estima-se que mais de 100.000 pessoas foram convertidas. Algumas já eram membros de igreja, mas nunca tiveram uma verdadeira experiência viva com Deus. Outras eram mais facilmente identificadas como “pecadoras”, gente que antes não queria saber de Deus ou da igreja.

O efeito nas vilas, aldeias e locais de trabalho em todo o País de Gales era muito marcante. O ambiente nas minas de carvão, onde grande parte dos homens da região trabalhava, mudou completamente. Os mineiros, que já tinham de se levantar muito cedo para começar o trabalho, chegavam meia-hora antes para a reunião de oração. Às vezes, havia 200 pessoas ou mais, lá embaixo na mina, participando de uma reunião de avivamento. Os chefes e supervisores estavam lá também. Havia alegria e entusiasmo no ar. Os homens cantavam durante o trabalho e conversavam com colegas sobre arrependimento e conversão.

Há várias histórias registradas sobre a mudança de clima nas minas. Um empregado estava com medo de perder o emprego, porque sua tarefa era cuidar dos cavalos e, agora, todos os mineiros convertidos estavam cuidando com muito mais responsabilidade, cada um do seu próprio cavalo. Mas isso não era o “pior”: os cavalos também estranharam a mudança. Acostumados a serem tratados com aspereza, palavrões e agressões, de repente ninguém mais gritava ou dava chicotadas. Os homens haviam sido “amansados” pela operação do Espírito, e os cavalos não lhes obedeciam mais – não estavam acostumados a serem tratados com mansidão!

O grande vício do povo na época era a bebida alcoólica. Os bares foram esvaziados. Muitos faliram e foram obrigados a fechar as portas. Com a queda na bebida, houve queda marcante nos índices de criminalidade. A vida nas famílias foi transformada, porque os homens ficavam em casa e davam mais atenção para esposas e filhos.

Um fato incrível é que, além dos bares e centros de prostituição fecharem, na época, o rugby era um fenômeno mundial. Porém, até mesmo isso foi afetado. Campeonatos foram cancelados pois os times estavam desfalcados e as torcidas estavam vazias, pois as pessoas estavam buscando a presença de Deus.

No Avivamento de Gales, pelo que sabemos, não aconteceu nenhuma transformação de água em vinho, mas houve uma outra transformação, mais sutil, porém tremendamente sobrenatural: a transformação de cerveja em roupas e alimentos para as famílias carentes que antes passavam necessidade por causa do vício da bebida.

Um médico foi entrevistado por um jornalista durante o avivamento. “O que o senhor está achando do avivamento?” “Estou achando maravilhoso”, respondeu o médico. “As pessoas estão acertando todas as suas dívidas antigas. Contas que achei que nunca mais receberia estão sendo pagas.”

Um batismo de honestidade, um batismo de perdão, um batismo de reconciliação.

Embora o avivamento tenha acabado em menos de dois anos, seus efeitos continuaram por muito tempo. Mesmo os críticos admitiram que, depois de cinco anos, 80% dos convertidos ainda se encontravam firmes nas igrejas. Não foi um “fogo de palha”, como tantas vezes se tem visto, em que os números desaparecem logo após o fim dos fenômenos sobrenaturais.

Outro ponto importante a notar é que os efeitos do avivamento não foram limitados à região imediata de Gales. As chamas foram se espalhando, transportadas por pessoas que viajavam ou se mudavam para outras partes da Grã-Bretanha ou do mundo. Muitos missionários saíram de lá, alcançando lugares distantes, como a Índia ou a África. Avivamentos começaram em vários outros países, diretamente influenciados pelas chamas que saíram de Gales, entre os quais o Avivamento Azusa nos EUA (1906) e o Avivamento na Coréia (1907).

Muitos efeitos nunca poderão ser avaliados ou conhecidos. Como exemplo da transformação permanente que resultou do avivamento, podemos citar Jessie Davis, que foi entrevistada pelo historiador Kevin Adams quando já estava com mais de 80 anos, muito tempo depois do avivamento.

“Muitas pessoas dizem que o avivamento acabou em pouco tempo. Como a senhora, que se converteu nesse avivamento, responde a essa crítica?”

“Quero dizer isto”, ela respondeu, “a chama que foi acesa no meu coração em 1906, quando eu era jovem, nunca mais se apagou. Está acesa ainda hoje!”

E estava mesmo, pois ela ainda mantinha uma reunião regular de oração na sua casa. Sem dúvida alguma, milhares e milhares de pessoas conheceram e se apaixonaram por Jesus na lua-de-mel de 1904, mas continuaram amando-o até o fim de suas vidas. Somente durante o avivamento, a estimativa é que mais de 100 mil almas foram convertidas num curto período de tempo. Imagina o impacto geracional?

Ainda bem que a História tratou de registrar esses feitos, pois, caso contrário, muitos iriam achar que não passava de “conversa pra boi dormir”.

Espanta-me o fato de que vejo poucos jovens falaram com entusiasmo sobre eventos históricos como o Avivamento do País de Gales. Será que acham que é “história da carochinha”? Conto de fada?

Irmãos e irmãs, a única alternativa para o mundo perdido chama-se INVASÃO DE DEUS, que nada mais é do que AVIVAMENTO. Tarda o pleno avivamento por causa das seguintes palavras do pastor escocês Horatius Bonar (1808-1889): “É mais fácil falar de avivamento do que lançar-se nele”. Quem quer pagar o preço? Nos acostumamos tanto com a ausência do Espírito Santo em nossos cultos que aprendemos a conduzir nossas atividades ministeriais sem Ele. Basta chegar e “bater o ponto”. Ok. As pessoas saem frias e carnais como entraram, no máximo com o sermão gélido apenas na mente, mas sem atingir o coração. Algumas piadas, frases de efeito e gritos para a performance, mas lá no fundo todos sabem que não havia fogo ali.

Se aconteceu em Gales, pode acontecer no Brasil. Quem vai pagar o preço?



(Referências bibliográficas: https://revistaimpacto.com.br/o-avivamento-do-pais-de-gales-parte-v/; https://www.instagram.com/p/Ckqv2NspON3/)





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