OS MISTÉRIOS DO MUNDO ESPIRITUAL (TESTEMUNHO)

Aprendi uma lição valiosa com um antigo pastor: o mundo espiritual é vasto e, por vezes, sua funcionalidade é misteriosa. Gostaria de compartilhar com vocês uma experiência que demonstra que tal questão procede. 

Alguns anos atrás, quando eu era criança, fiquei um pouco “resfriado”, no sentido de que durante o dia inteiro eu tossia de forma intermitente. Meus pais me levaram em dois médicos diferentes, que receitaram os devidos remédios, porém não houve quadro de melhora. Portanto, minha mãe resolveu “apelar”.

Na minha vizinhança, residia uma senhora que era conhecida como uma espécie de “curandeira”, como daquelas cidades pequenas. Então, ela foi lá em casa, me colocou sentado em uma cadeira no meio da sala (sob os olhares atentos de minha mãe) e, com um terço preso na mão direita, começou a rezar. As palavras eram balbuciadas e pouco compreensíveis, pois a senhora bocejava, como se estivesse com um sono profundo. Logicamente, aquilo soou estranho, mas depois entendi o porquê. Conclusão: fui curado da enfermidade que nem os profissionais da saúde conseguiram diagnosticar.

A cena da senhora bocejando e o motivo pelo qual ela fazia isso me fizeram lembrar o filme “À Espera de Um Milagre” (1999), mais especificamente na parte em que o detento John Coffey vai até a casa de Hal, o diretor da prisão, em vista de curar sua esposa Melinda, que está à beira da morte. Para isso, Coffey dá um beijo nos lábios de Melinda e, posteriormente, já fora da residência e com a enferma plenamente curada, o detento cospe um enxame de moscas!

O paralelo entre a senhora que orou por mim e bocejava e a cena da adaptação cinematográfica do livro de Stephen King é que, quando oramos pela cura de um indivíduo, parece que retemos um pouco daquela malignidade para nós, e de alguma forma temos que liberá-la. O bocejo da curandeira era como se ela “aspirasse” minha enfermidade. E deu certo.

A Bíblia relata um episódio no qual Jesus expulsa demônios de um homem, e os próprios espíritos malignos clamam ao Filho de Deus que Ele vos permitisse entrar nos porcos (cf. Marcos 5:1-17). Ora, mas qual seria o motivo? Aqueles espíritos imundos não poderiam simplesmente voltar para o inferno? Em suma, esse contexto ratifica a existência dos demônios territoriais, isto é, que atuam no planeta Terra (no caso, refiro-me à realidade física). Portanto, eles necessitam de um receptáculo para que essa atuação seja mais incisiva.

Quando uma pessoa com dom de cura e libertação faz esse trabalho em alguém, aqueles espíritos precisam ir para algum lugar. No caso da senhora que foi usada para me curar (e, na ficção, no caso de John Coffey), eles “aspiraram” os espíritos para dentro deles. É óbvio que isso requer uma preparação e maturidade espiritual.

O mundo espiritual é vasto, e muitos são os seus mistérios.





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

TIRADENTES E O ARQUÉTIPO DE JESUS CRISTO

“O AUTO DA COMPADECIDA” (2000): ANÁLISE TEOLÓGICA

A CRIAÇÃO NOS AGUARDA