TEORIA DO CABELO DESPENTEADO
Certamente você já viu, alguma vez na vida, a imagem de Albert Einstein com os cabelos bagunçados, olhos esbugalhados e língua pra fora. É um dos registros mais icônicos de todos os tempos.
De certa forma, isso contribuiu para formar o estereótipo de que todo gênio tem sua dose de loucura. Claro, tem a história de Van Gogh que cortou a própria orelha e depois pintou um autorretrato, a de Arquimedes que saiu correndo pelado no meio da rua após descobrir sua teoria, entre outros casos.
Mas, fazendo aqui uns estudos, descobri um princípio: o cabelo despenteado pode ser um indício de inteligência – e também de ser “based” e “red pill”.
Um dos primeiros caras mais “based” e “red pill” da História foi João Batista. Olha o que a Bíblia descreve ao seu respeito:
“E este João tinha as suas vestes de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre.”
(Mateus 3:4)
Um homem que comia insetos, morava no deserto e bradava contra os religiosos da época com certeza não era dos mais populares – tanto é que sua cabeça foi parar num prato. Mas, vejamos o que Jesus Cristo achava sobre João Batista:
“Pois eu vos digo que, entre os nascidos de mulher, não há nenhum maior do que João.”
(Lucas 7:28)
Odiava o mundo e era odiado por ele. Mas nunca houve alguém maior do que João Batista.
Kurt Cobain, um dos maiores rockstars que já pisaram na Terra. Em “Something in the Way”, Kurt se reduz a uma condição cínica e animalesca, a ponto de comer os seus peixes de estimação. Para ele, nada importa, e toda a grandeza que passa em sua frente é só um obstáculo para ver o sol.
Kurt Cobain vestia camisa do Capitão América, tinha o cabelo sempre bagunçado e barba por fazer. No famoso “MTV Unplugged”, em 1993, foi com um cardigã verde-oliva sujo, desgastado e com marcas de cigarro.
A matéria do Metrópoles relata:
“Considerado o principal representante da cena grunge, o cantor é lembrado pelos looks despreocupados, com direito a peças desgastadas e desapegadas de tendências.
(...)
O visual desapegado e indiferente de Kurt foi o retrato do cenário grunge no início dos anos 1990. Dono de uma abordagem ‘anti-fashion’, ele rejeitou convenções sociais e abraçou a androginia como expressão política.
Certa vez, declarou que ‘preferiria estar morto do que ser legal’. Mesmo assim, seu estilo se tornou um verdadeiro uniforme para os jovens daquele período.
Assim como a música, as roupas transmitiam a mensagem do artista. Já naquela época, ele chamou atenção pelo discurso contra a homofobia, o racismo e o machismo, e chegou a usar um vestido floral em apresentação ao vivo. A feminilidade, para Kurt, não era um problema.
Além dos ‘cardigãs de avô’, Chuck Taylors, camisas de flanela e calças jeans desgastadas são algumas das assinaturas de estilo deixadas pelo cantor. Nas camisetas, ele homenageava artistas e bandas que o inspiravam, como Daniel Johnston, Grateful Dead, Pixies e Mudhoney.
Kurt adorava o toque despojado das silhuetas ‘oversized’. A irreverência o acompanhou até na hora de trocar alianças com Courtney Love, em 1992. No casamento, o astro vestiu pijamas com estampa xadrez e também segurou um buquê.
Não há como falar do estilo do vocalista sem mencionar os icônicos óculos da marca Christian Roths no estilo Jackie Kennedy. Kurt foi fotografado várias vezes com o acessório, de lentes ovaladas e armação branca. Às vezes, ele variava a cor do mesmo modelo.”
Sir Roger Vernon Scruton (1944-2020) foi, sem dúvida nenhuma, um dos maiores nomes do conservadorismo contemporâneo e um dos pensadores mais influentes de seu tempo. Cavaleiro da Ordem do Império Britânico, professor universitário, ensaísta, conselheiro do governo britânico, crítico cultural, compositor de óperas e autor de mais de 50 livros, Scruton é um dos maiores gigantes da filosofia moderna. O livro de Roger Scruton “O que é Conservadorismo” (2015) foi talvez a obra de maior repercussão do pensador inglês.
Uma das marcas de Sir Roger Scruton era o cabelo despenteado. Mas quem ia ligar pra isso, estando diante de um Cavaleiro da Ordem do Império Britânico?
Quem nunca viu o meme “Aliens”, no qual um cientista com os cabelos totalmente alvoraçados e com as mãos erguidas – em posição de “estou construindo um raciocínio” – fala sobre seres extraterrestres? Trata-se do ufólogo Giorgio Tsoukalos, apresentador do programa “Alienígenas do Passado”, do canal History.
Mas, voltando a falar de Einstein. Em sua biografia está relatado que ele “raramente se penteava ou usava meias”.
A BBC revela:
“Em 1909, seus cabelos e roupas começaram a ficar cada vez mais bagunçados.
‘Cheguei a uma idade em que, se alguém me disser para usar meias, não preciso’, disse Einstein, brincando, para um vizinho, segundo Bucky.
Entre as muitas histórias que muitas vezes se repetem sobre Einstein, uma delas é que ele tinha diferentes conjuntos de roupas, mas todos iguais para não perder tempo escolhendo diariamente o que vestir.
(...)
De acordo com as fotografias, o cientista costumava repetir o uso de uma jaqueta de couro para eventos formais e informais.
Quando uma amiga descobriu que Einstein tinha uma alergia leve a suéteres de lã, ela foi a uma loja e comprou para ele algumas camisetas de algodão que ele usava o tempo todo, descreve Isaacson.
Talvez daí venha parte do mito de que o cientista usava o mesmo tipo de roupa para não perder tempo pensando no que vestir todos os dias.
E sua famosa foto despenteado também se tornou icônica.
Até ‘a atitude despojada dele em relação aos cortes de cabelo era tão contagiosa que Elsa, Margot e sua irmã Maja ostentavam os mesmos cabelos grisalhos’, especula Isaacson.”
Outro que não se preocupava muito com o vestuário era Steve Jobs. Após uma visita à fábrica da Sony, no Japão, no começo dos anos 80, Jobs decidiu adotar um “uniforme” de trabalho, tanto pela conveniência como para criar uma “marca pessoal” (e deu certo). Foi então que a blusa preta de manga comprida e as calças jeans tornaram-se sua marca.
Minha opinião é a seguinte: os gênios enxergam onde ninguém mais está enxergando. Quem se interessa pela busca do conhecimento – como Einstein, descrito como alguém com imensa curiosidade e apaixonado pela ciência – não possui tempo para o “status quo”. Quando você descobre que tudo é passageiro, menos a Verdade, você para de ligar para o fato de se o seu celular é o da moda, se o seu carro é o do ano ou se suas roupas estão fashion o suficientes. Em suma, eles tomaram a “red pill” e descobriram que “tudo o que não é eterno, é eternamente inútil” (C.S. Lewis). É como o homem que achou o tesouro escondido no campo e vendeu tudo o que tinha, pois uma vez que foi achado a única coisa que importa, nada mais importava para ele (cf. Mateus 13:44).
Prova disso é que Steve Jobs, no início dos anos 1980, morou em uma mansão com pouquíssimos móveis. Em sua casa, havia apenas uma foto de Einstein (que ele admirava muito), uma luminária, uma cadeira, uma cama e um piano de cauda alemão, embora não tocasse. Jobs estava ocupado demais mudando o mundo para ligar para outros fatores.
Kurt Cobain foi um dos maiores compositores da música. Ele estava ocupado demais escrevendo poesias para ficar atento aos catálogos de moda.
E assim vai.
Claro que isso não é uma regra do tipo “pra você ser inteligente tem que andar mal arrumado”. Porém, a aparência física e bens materiais não definem ninguém. Essa é a conclusão.
Finalizo com os dizeres do filósofo grego Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.): “Nunca existiu uma grande inteligência sem uma veia de loucura”.
(Referências bibliográficas: https://www.metropoles.com/colunas/ilca-maria-estevao/sujo-e-manchado-casaco-de-kurt-cobain-e-leiloado-por-uma-fortuna?amp; https://relacoesexteriores.com.br/conservadorismo-roger-scruton-resenha/; https://www.bbc.com/portuguese/geral-52466100; https://uoltecnologia.blogosfera.uol.com.br/2011/10/13/segredo-revelado-saiba-por-que-steve-jobs-usava-sempre-a-mesma-roupa/; https://www.lopes.com.br/blog/decoracao-paisagismo/a-casa-de-steve-jobs/)
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