INGLÓRIA BATALHA | dissertação sobre temática abordada por Olavo de Carvalho

“É que se tornou impossível examinar este país sob a ótica da filosofia política, a qual pressupõe, nos agentes do processo histórico, um mínimo indispensável de consistência, de realidade, de substancialidade. No Brasil de hoje tudo é simulação, e o único enfoque viável para estudar um caso desses é o da psicopatologia social, porque aí todas as conexões observáveis entre pensamento e realidade, entre vida interior e conduta exterior, são mesmo convencionais e fantasiosas.”


(CARVALHO, Olavo de. Zero Hora, 29 de junho de 2003)


Faz-se notável observar que o professor Olavo, utilizando o método aristotélico da teorética (com o filósofo-mór devidamente representado por Rafael Sanzio com a palma da mão voltada para o solo, visando a realidade – metafísica ou material), mediante a circunspecção do difuso cenário sócio-político brasileiro, faz uma retórica indagação: é possível aplicar as técnicas da ciência neste pérfido panorama?

Ora, a filosofia esmera-se em fitar a realidade com os olhos investigativos daquele que, dotado da “imago Dei”, não limita sua breve existência aos impulsos primitivos, mas inclina-se a tatear o tão vasto mistério que se apresenta e denomina-se “cosmos”, munido do assombro da alma como quem contempla “A Noite Estrelada”, de Van Gogh, e se pergunta o que há além do firmamento – e quão excelsior é o brio humano de escrutinar.

A Terra de Santa Cruz é fadada ao insondável. Consiste analogamente ao “mysterium fidei” que jamais pode ser esgotado, apesar de ser digno de dissertação. O conhecimento último que Prometheus, com tão nobre intento, desejaria ardentemente compartilhar com seus patrícios, mostra-se tamanho enigma que tampouco os iluminados logram êxito em decifrá-lo.

Vejam, a visão montesquiana vive na tripartição dos poderes. Os pétreos dizeres da Constituição Federal de 1988 garantem ao povo a emanação do poder, que exerce de forma cívica o solene dever de eleger seus dignos representantes para que hasteiem em âmbito jurisprudente o brado das mazelas que assolam e o horizonte da História que se desenha, na vívida esperança do alvorecer como réplica.

Homero eternizou nas letras de sua Odisseia o dolorido e genuíno fato: “O Céu quis que sucumbissem tais guerreiros, para matéria a pósteros poemas”. O alferes Tiradentes arguiu, a preço de sangue, a liberdade ainda que tardia. A Revolução de 32 designou-se a manter o fulgor dos raios. Todavia, desde o Calvário, a terra clama para que cesse o derramar carmesim!

Como, senhoras e senhores, o indivíduo com suas plenas faculdades cognitivas em busca com esmero da plena efetivação epistêmica, poderia desferir seu adquirido volume de informações em um painel insano, volátil e turvo? Correr-se-ia o risco de cômico quixotismo ao partir à contenda contra moinhos de vento.

Persignem-se e enclausurem-se com as letras dos grandes vultos. Clamemos às hostes celestiais a fim de auxiliar-nos em inglória batalha, e que o ortodoxo alvorecer tome o lugar do despiciendo vale das sombras.



(Referência bibliográfica: https://olavodecarvalho.org/tag/filosofia-politica/)



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