“NÃO VIVO MAIS EU, MAS CRISTO VIVE EM MIM”

“Fui crucificado juntamente com Cristo. E, desse modo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.

E essa nova vida que agora vivo no corpo, vivo-a exclusivamente pela fé no Filho de Deus, que me amou e se sacrificou por mim.”

(Gálatas 2:20)


Este é um dos versículos mais poderosos da Bíblia. Morrer para si mesmo e deixar Cristo viver é o melhor remédio contra a opinião alheia, contra travas mentais/psicológicas e contra o desânimo na caminhada e na missão.

Jesus foi condenado à cruz por conta de uma tramoia dos judeus com Pilatos, governador da Judéia (lembremos que Israel vivia sob o domínio do Império Romano na época). Se hoje nós cristãos comemoramos a Páscoa para celebrar a ressurreição de Cristo, os judeus também comemoravam a Pessach (“passagem”, em hebraico) para rememorar a passagem do povo hebreu do Egito rumo à Terra Prometida. E, devido à celebração, Jerusalém estava lotada de judeus do mundo inteiro. Portanto, uma vez que o rótulo de “revolucionário” pegasse em Jesus (pois diziam que o Messias viria em um cavalo branco com espada em riste para destituir Roma do poder), não existiria oportunidade melhor do que aquela.

Perceba: se pesasse apenas uma acusação teológica sobre Jesus (blasfêmia por Ele ter dito que era anterior a Abraão e por ter perdoado pecados, por exemplo), Pilatos daria de ombros, porque ele tinha questões políticas a serem resolvidas. Mas falar que Jesus supostamente seria um revolucionário, aí colocou uma pulga atrás da orelha do governador.

Então, Jesus foi condenado à morte de cruz. E Paulo dizia estar naquela cruz junto de seu Senhor. Portanto, Paulo estava morto, assim como Jesus morrera. Paulo morreu para o seu ego, para a opinião dos outros sobre a sua vida, para si mesmo. E, então, isso possibilitou que Cristo vivesse nele.

Entenda: Deus não divide a Sua glória com ninguém. Ou você abraça o hedonismo (culto ao prazer; prazer não é pecado, como o prazer de desfrutar de uma bela refeição ou o prazer de estar com a família) ou você cultua a Deus. Ou você é servo de Deus ou servo de Mamom (ter dinheiro não é pecado, porque você é que direciona se a cédula será usada pro mal ou pro bem; mas cultuar a Mamom, a personificação do dinheiro, é pecado sim). É por isso que você deve morrer para que Cristo possa viver. Ou você é o deus da sua vida ou Cristo o é.

Morto não se ofende. Morto não sente dor. É por isso que Gálatas 2:20 é o melhor antídoto contra a opinião de terceiros.

Em seu livro “Jesus: Um Pai de Família”, Alessandro Vilas Boas relata (pág. 56):


“No contexto de Igreja, é fundamental sermos uma família de mortos, porque assim estaremos muito acima de qualquer ferida.

‘Quando, porém, chegaram a Jesus, vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas. Mas um dos soldados lhe abriu o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.’

(João 19.33,34)

Quando os guardas chegaram com armas para ferir Jesus, Ele já estava morto. Uau! É isso, meu amigo, é isso! Jesus ensinou o padrão dos mortos. Quem está morto, mesmo que seja ferido, já está morto! Ninguém é capaz de matar o morto. O morto pode ser atravessado por uma lança, a ferida pode se abrir, mas ele não reage como um vivo, ele não sente como um vivo, não dói como doeria para um vivo.

Ego silenciado, de quem pouco se ofende e possui propósitos firmes – é isso que faz a família acontecer. Alto nível de amor fará que de nós flua vida, mesmo em meio a dores.”


Imagina só o quanto de olhares tortos Pedro recebeu por ter negado a Jesus. Ora, o pescador andou com Jesus, comeu com Jesus, dormiu com Jesus durante três anos e meio. Fora isso, ele viu os milagres de Jesus e também viveu maravilhas, como andar sobre as águas e receber um elogio do Mestre (“Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne ou sangue que te revelou”). Quando Jesus disse que seria traído por um dos doze, Pedro foi o primeiro a levantar da cadeira e dizer “longe de mim fazer isso”. Pois bem. Na hora H, Pedro negou seu Mestre e amigo. Aquilo o abalou tão profundamente que Pedro voltou a pescar. Como o Superman que voltou a ser fazendeiro na HQ “O Reino do Amanhã”, Pedro largou o ministério e voltou às redes. Ponto final. Acabou.

Mas Jesus é mestre em transformar um ponto final em uma vírgula. Foi lá e resgatou Pedro. Mas nem tudo são flores. Imagina quantos não falaram: “Ué, você não é o cara que negou Jesus? E agora está pregando sobre ele?” Se Pedro tivesse dado ouvidos a isso, não teríamos o “Pedro de Atos”, cuja sombra curava enfermos e cuja pregação convertia três mil almas. Mas morto não se ofende e nem liga pra opinião dos outros. E Pedro não ligou, porque ele já estava morto para si mesmo, e Cristo vivia nele.

Vi uma frase belíssima essa semana: “Ensina-me, Senhor, a ser ninguém. / Que minha pequenez nem seja minha.” (João Filho)

Sermos nada possibilita que Cristo seja tudo.

Imagina se o próprio Jesus tivesse dado ouvidos para a opinião dos outros. Meu amigo, chamaram Jesus de “glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores!” (Mt 11:19), ou seja, comelão, bêbado e má companhia. Falaram que era “somente por Belzebu, o príncipe dos demônios, que ele expulsa demônios” (Mt 12:24). Sua própria família achou que Ele estava louco (cf. Mc 3:21). Imagina se Jesus ligasse pra opinião dos outros! Ele nem iria dormir à noite! Mas, como Ele só se importava com o que o Pai achava sobre Ele, cumpriu sua missão com êxito.

Tome posse e ative Gálatas 2:20 na sua vida!



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